Rachel Sheherazade detona mídia e questiona: quem decidiu que a mulher mais relevante do Brasil é uma influenciadora?
A jornalista Rachel Sheherazade fez duras críticas à imprensa brasileira ao comentar a frase atribuída a um carnavalesco de que “não há mulher tão relevante no Brasil como Virgínia”.
Para Rachel, a forma como a declaração foi transformada em manchete e ilustrada com a imagem da própria influenciadora revela um padrão antigo da mídia: a escolha deliberada de quem será elevado ao status de símbolo nacional.
Segundo ela, há muito tempo os grandes veículos determinam quem merece o horário nobre, quem ganha capa de revista e quem será ignorado. “A mídia inventa heróis, destrói reputações, sufoca rebeliões, criminaliza ideias, derruba políticos, inocenta bandidos e cria celebridades”, afirmou. Para a jornalista, trata-se de uma engrenagem que molda a opinião pública e conduz o debate social.
A crítica ao modelo de relevância
Rachel argumenta que ao exaltar uma influenciadora ligada a jogos de azar como a mulher mais relevante do país, a imprensa “rebaixa todas as mulheres brasileiras” e apaga contribuições femininas nas áreas do pensamento, das artes, da literatura, do esporte, da política e da ciência.

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Ela sustenta que o protagonismo feminino intelectual e independente raramente ocupa o espaço de destaque na mídia tradicional. “A mulher independente, dona da sua opinião, senhora do seu destino, não cabe nas páginas das revistas nem nos programas de auditório”, declarou.
O exemplo da cientista esquecida
Como contraponto, Rachel citou a cientista Tatiana Sampaio, pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que há quase três décadas estuda a regeneração neural em pacientes tetraplégicos.
De acordo com a jornalista, a pesquisadora identificou uma proteína capaz de restabelecer conexões entre neurônios, descoberta considerada promissora a ponto de ser apontada como potencial candidata ao Prêmio Nobel de Medicina.
Rachel destacou ainda uma frase atribuída à cientista: “Quando uma mulher faz ciência, o incômodo é o fato de ela ocupar um espaço que disseram não ser dela”.
A denúncia de apagamento histórico
Para a jornalista, o problema não é apenas pontual, mas estrutural. Ela afirma que mulheres tiveram seus créditos e protagonismo historicamente apagados, muitas vezes substituídos por nomes masculinos em registros oficiais, empresas e publicações.
“A mídia é cúmplice desse apagamento”, disse. Segundo ela, ao priorizar figuras que reforçam estereótipos superficiais, os veículos contribuem para limitar o imaginário coletivo sobre o que significa sucesso feminino.
Um chamado à reflexão
Rachel Sheherazade conclui defendendo que o público precisa olhar além do que os grandes veículos escolhem exaltar. Para ela, é necessário buscar referências femininas que inspirem conhecimento, autonomia e transformação social, em vez de aceitar passivamente os modelos de celebridade que dominam manchetes e redes sociais.
A crítica reacende um debate sensível: quem decide quem é relevante no Brasil? E que tipo de exemplo está sendo promovido como símbolo máximo de influência feminina?


