Tenente denuncia caos na PM e governo Ratinho precisa explicar déficit de efetivo
Quando um oficial da Polícia Militar do Paraná afirma publicamente que foi transferido após denunciar problemas estruturais, a discussão deixa de ser individual e passa a ser política.
E política no sentido mais sério da palavra: gestão pública.
O governo do Ratinho Junior gosta de apresentar o Paraná como referência em organização e eficiência. Mas a denúncia expõe uma pergunta incômoda: eficiência para quem?
Se policiais da 4ª Companhia do Batalhão de Polícia Rodoviária estão cobrindo mais de três mil quilômetros com apenas duas viaturas em determinados dias, isso não é modernização. É sobrecarga.
Se policiais estão rodando mais de mil quilômetros por dia, isso não é estratégia. É exaustão.
Se há fechamento de postos e concentração de atendimento, isso não é otimização. É redução estrutural.
E se um oficial afirma estar sendo punido por denunciar isso, o problema deixa de ser operacional e passa a ser institucional.
Segurança pública não se faz apenas com viatura nova e postagem em rede social. Se faz com efetivo suficiente, escala humanizada e planejamento técnico.
O governo precisa responder objetivamente:
Qual é o déficit oficial da Polícia Militar hoje?
Quantos policiais rodoviários estão na ativa?
Quantos se aposentaram nos últimos cinco anos?
Qual o plano real de recomposição de efetivo?
A transferência do tenente foi administrativa ou disciplinar?
Não se trata de defender governo ou oposição. Trata-se de defender a verdade administrativa.
Quando um policial morre em serviço, a pergunta não pode ser apenas “como aconteceu?”.
Precisa ser também: “havia estrutura adequada?”.
Se há caos, como afirmou o tenente, é gravíssimo.
Se não há, o governo precisa provar com números.
O silêncio institucional, nesse caso, só aumenta a desconfiança.
E segurança pública não pode viver de narrativa. Precisa viver de estrutura.


