Ministério Público Federal pede R$ 10 milhões da Rede Globo por erro de pronúncia. E em Maringá?
Uma Ação Civil Pública protocolada em Uberlândia pelo Ministério Público Federal pede que a Rede Globo pague R$ 10 milhões de indenização por, segundo a acusação, utilizar de forma sistemática a pronúncia “récorde” em vez de “recórde”.
O procurador sustenta que a emissora ignora a norma culta e o padrão ortoépico da língua portuguesa. Argumenta ainda que, por ser a maior rede de televisão do país, o erro teria efeito multiplicador nocivo, influenciando milhões de brasileiros, especialmente estudantes e candidatos a concursos.
A palavra “errada” que fez a Globo ser processada em ação de R$ 10 milhões
A fundamentação jurídica se apoia no fato de que a radiodifusão é concessão pública e deve cumprir finalidade educativa, conforme prevê a Constituição.
A questão que surge é inevitável.
Se o entendimento for de que erro de pronúncia reiterado viola a função educativa da TV e justifica multa milionária, o critério valerá apenas para uma rede nacional ou também para emissoras locais?
Se o Ministério Público resolver assistir a um programa em Maringá onde o apresentador diga “minha fia”, “minha mué” ou cometa outros desvios da norma culta, haverá investigação e pedido de indenização?
Qual seria o valor da multa?
A ação contra a Globo pode se transformar em marco regulatório da linguagem na televisão brasileira. Se isso ocorrer, o padrão técnico precisará ser observado por todos, inclusive pelas emissoras do interior.


