Brasil não é puxadinho a serviço de Trump, como queria a família Bolsonaro

Brasil não é puxadinho a serviço de Trump, como queria a família Bolsonaro

A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou as chamadas “taxas recíprocas” impostas por Donald Trump não é apenas um capítulo da política interna americana. É um recado claro sobre limites institucionais, legalidade e equilíbrio entre os Poderes.

Por 6 votos a 3, a Corte deixou evidente que o Executivo não pode criar tributos sem autorização do Congresso. Regulamentar não é tributar. E essa distinção, básica em qualquer democracia consolidada, foi reafirmada.

Pedindo emenda

Para o Brasil, o impacto é direto. Em abril de 2025, a Casa Branca anunciou tarifas de 10% sobre produtos brasileiros. Em julho, acrescentou mais 40%, totalizando 50% sobre exportações nacionais. O argumento oficial foi um suposto superávit brasileiro na balança comercial com os Estados Unidos, quando os próprios dados indicam que o Brasil é deficitário na relação bilateral.

Houve ainda a tentativa de transformar um processo interno do Brasil em justificativa comercial. O ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de Estado. A reação de Trump, classificando o caso como “caça às bruxas”, não altera a soberania das instituições brasileiras. O Judiciário brasileiro não se subordina à política externa de nenhum país.

Diante desse cenário, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva optou por não ceder à pressão. Não reduziu tarifas internas de forma precipitada, não fez concessões políticas e manteve a defesa da soberania nacional.

E fez certo.

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Soberania não é retórica. É prática. É a capacidade de um país decidir suas políticas econômicas, judiciais e diplomáticas sem interferência externa.

Mais grave do que o tarifaço foi a atuação de agentes políticos brasileiros que, em vez de defender o interesse nacional, trabalharam para amplificar a pressão estrangeira. O deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, atuou nos bastidores contra as tentativas de negociação, tensionando ainda mais a relação bilateral em um momento delicado para exportadores e produtores brasileiros.

Divergência política é parte da democracia. Mas boicotar o próprio país para construir narrativa internacional é outra coisa. Quando interesses pessoais ou familiares se sobrepõem ao interesse nacional, quem paga a conta é o produtor, o trabalhador e a indústria brasileira.

A decisão da Suprema Corte americana expõe, também, que o Brasil não estava diante de uma política comercial sólida, mas de uma estratégia juridicamente frágil. Se nem a mais alta Corte dos Estados Unidos sustentou a base legal das tarifas, fica claro que a pressão tinha muito mais conteúdo político do que econômico.

O Brasil não é satélite de ninguém. É uma das maiores economias do mundo, líder regional e parceiro estratégico em múltiplas cadeias globais.

Baixar a cabeça diante de tarifas arbitrárias não seria pragmatismo. Seria submissão.

Ao manter firmeza institucional e buscar negociação sem capitulação, o governo brasileiro demonstrou maturidade diplomática. Em um cenário internacional cada vez mais volátil, defender a soberania não é radicalismo. É dever de Estado.

O Brasil fez certo.

Redação O Diário de Maringá

Redação O Diário de Maringá

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