Henrique Pinto para Secretário de Esportes?
Dinheiro público no privado, enquanto o básico espera no Chico Neto
Quando o assunto é prioridade na aplicação de recursos públicos, a sociedade tem o direito de perguntar. E perguntar alto.
O secretário das Cidades do Paraná, Guto Silva, autorizou a liberação de R$ 25 milhões para reformas na Sociedade Rural de Maringá, uma instituição privada que arrecada milhões com eventos e é presidida por Henrique Pinto.
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O valor é expressivo. Não se trata de um pequeno convênio ou apoio pontual. Estamos falando de milhões de reais do contribuinte.
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Ao mesmo tempo, o Ginásio de Esportes Chico Neto, um espaço público, tradicional, patrimônio esportivo da cidade, enfrenta problemas estruturais básicos, como a questão do ar-condicionado, que até hoje não tem solução definitiva.
A comparação é inevitável.
Não se discute aqui a importância da Sociedade Rural, nem a relevância da Expoingá ou do agronegócio para a economia regional. O que se questiona é o critério. Quando há recursos para uma entidade privada, mas falta solução para um equipamento público utilizado pela população em geral, algo precisa ser explicado com transparência.
Qual é a lógica da prioridade?
O cidadão paga imposto para que o Estado mantenha escolas, ginásios, hospitais, praças e espaços públicos em condições dignas de uso. Quando o básico não funciona, mas o aporte milionário aparece para reformas privadas, o debate deixa de ser técnico e passa a ser político.
E aqui cabe uma pergunta legítima: se o Chico Neto fosse administrado por uma entidade privada, já teria ar-condicionado novo? Já teria passado por reforma completa? Já estaria moderno e funcionando plenamente?
Não se trata de ser contra investimentos. Trata-se de coerência na gestão. Antes de ampliar, é preciso cuidar do que já é público e essencial.
O dinheiro é público. A prioridade também deveria ser.


