Brasil Tecpar confirma compra da Liga Telecom por R$ 495 milhões; operação ainda depende de aval do Cade e da Anatel
A empresa gaúcha Brasil Tecpar confirmou a compra da Liga Telecom, companhia paranaense que nasceu da privatização do braço de internet da Copel. O negócio, fechado na última sexta-feira (20), ainda precisa ser submetido à aprovação dos órgãos reguladores.
De acordo com fato relevante divulgado ao mercado pela compradora, a transação envolve a aquisição de ativos, direitos e operações relacionadas à prestação de serviços de internet banda larga por fibra óptica para residências, empresas e órgãos públicos.
O valor da negociação foi fixado em R$ 495 milhões. Além disso, a Brasil Tecpar se comprometeu a assumir a dívida da Liga Telecom, estimada em R$ 1,2 bilhão, referente à emissão de debêntures — títulos utilizados por empresas para captação de recursos no mercado.
Atualmente, a Liga Telecom possui cerca de 340 mil clientes e mais de 50 mil quilômetros de cabos em sua rede de fibra óptica. A empresa ocupa a terceira colocação no mercado de internet no Paraná e atende órgãos públicos, como a Secretaria de Educação, sendo responsável pela conexão instalada em mais de mil escolas, além de diversas prefeituras no Estado.
Histórico da empresa
A Liga Telecom surgiu após a Copel Telecom ser arrematada em leilão no fim de 2020 por R$ 2,5 bilhões. A empresa foi adquirida pelo fundo de investimentos Bordeaux, do empresário Nelson Tanuri, e à época contava com aproximadamente R$ 280 milhões em caixa. Cinco anos depois, apesar de apresentar lucro no passado, a companhia acumula dívida bilionária.
Até que a venda seja aprovada e concluída, Tanuri detém pouco mais de 95% das ações da empresa. O restante pertence ao sócio minoritário Aguinaldo Bastos Lopes, ex-dono de uma empresa de provedores de internet adquirida pela Liga em 2022.
No início deste mês, Lopes ingressou na Justiça com pedido liminar para suspender o processo de venda. Ele atribui a Tanuri e aos gestores da companhia responsabilidade por má administração e alega falta de transparência na negociação. O pedido foi protocolado antes do anúncio oficial da transação e ainda não foi analisado.
Operação depende de órgãos reguladores
A negociação precisa do aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica e da Agência Nacional de Telecomunicações, responsáveis por analisar aspectos concorrenciais e regulatórios do setor.
Em nota, a Liga Telecom informou que a operação foi comunicada oficialmente por meio dos fatos relevantes divulgados pelas companhias e que todas as informações públicas sobre a transação estão detalhadas nesses documentos. A empresa afirmou ainda que segue operando normalmente, mantendo integralmente seus serviços, contratos e compromissos com clientes, colaboradores e parceiros. Questões relacionadas a acionistas ou eventuais discussões societárias, segundo a nota, devem ser tratadas no âmbito societário.
A Brasil Tecpar declarou que a aquisição faz parte de sua estratégia de ampliação no Sul do país, com foco na consolidação regional, ganho de escala e fortalecimento da infraestrutura.
Já Nelson Tanuri informou que não participa diretamente da transação, por se tratar de negociação entre empresas e não entre acionistas. O sócio minoritário Aguinaldo Bastos Lopes e seus advogados não comentaram o andamento do processo judicial.
Com informações da RPC


