Guto Silva é “boi de piranha”?

Guto Silva é “boi de piranha”?

Na política brasileira existe uma expressão antiga e bastante simbólica: “boi de piranha”. A origem vem das travessias de boiadas em rios infestados de piranhas. Para que o restante do rebanho atravessasse com segurança, soltava-se um boi primeiro, que servia de distração enquanto os demais passavam ilesos.

Na política, o termo ganhou outro significado. “Boi de piranha” é aquele nome lançado ao debate público para absorver críticas, ataques e desgaste, protegendo o verdadeiro projeto estratégico que estaria sendo preservado para o momento certo.

É nesse contexto que surgem, nos bastidores, questionamentos sobre o papel do secretário das Cidades do Paraná, Guto Silva. Estaria ele sendo colocado na linha de frente como pré-candidato ao governo? Ou estaria apenas ocupando o espaço político enquanto outro nome, mais estratégico, permanece em silêncio, longe do desgaste?

Nos corredores políticos comenta-se que o verdadeiro candidato apoiado por Ratinho Junior ainda estaria quieto, evitando exposição excessiva e aguardando o momento ideal para surgir como alternativa consolidada, com discurso pronto e imagem preservada.

Se isso é fato ou apenas especulação, o tempo dirá. Mas é evidente que, em um cenário eleitoral cada vez mais antecipado, cada movimento é calculado.

Enquanto isso, as pesquisas começam a desenhar outro quadro relevante. Requião Filho aparece consolidado em segundo turno em diversos levantamentos. Já Sergio Moro, apontado como favorito em algumas sondagens iniciais, pode enfrentar um desafio estrutural quando a campanha começar oficialmente: a articulação municipal.

Campanha majoritária no Paraná não se vence apenas com reconhecimento de nome ou projeção nacional. Exige base, prefeitos aliados, vereadores mobilizados e presença efetiva nos municípios. Sem isso, a tendência histórica mostra desgaste e possível perda de votos ao longo do processo eleitoral.

A pergunta central permanece: o governo estadual já definiu seu plano real ou ainda está testando o terreno?

Se Guto Silva for, de fato, o nome definitivo, precisará ampliar rapidamente sua capilaridade política e consolidar uma narrativa própria. Se for apenas uma etapa estratégica, o eventual candidato surpresa terá pouco tempo para construir musculatura quando for apresentado ao eleitorado.

No jogo político ninguém entra em campo por acaso. Mas também ninguém se sustenta apenas na estratégia.

No Paraná, o tabuleiro está montado. As peças estão se movendo. E, como sempre, quem decide é o eleitor, que costuma surpreender quem acredita demais nas certezas dos bastidores.

Redação O Diário de Maringá

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