Professores denunciam supostas irregularidades na gestão Geny Violato em Santo Inácio
A redação do O Diário de Maringá recebeu nesta semana o relato de um professor da rede municipal de ensino de Santo Inácio, que procurou o jornal para denunciar o que classifica como “supostas irregularidades” na condução da política educacional do município sob a gestão da prefeita Geny Violato.
O professor pediu para não ser identificado por receio de represálias.
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Fim da “dobra” e impacto direto no salário
Segundo o relato, a principal reclamação envolve o fim da chamada dobra de jornada suplementar, prevista no Estatuto do Magistério Municipal.
A dobra permitia que professores concursados ampliassem sua carga horária, recebendo proporcionalmente por isso. Na prática, significava a possibilidade de dobrar o salário ao assumir mais turmas dentro da legalidade prevista no estatuto.
“O piso hoje gira em torno de R$ 2.500. Com a dobra, o professor poderia receber o equivalente ao dobro disso. Agora, sem a dobra, o rendimento cai praticamente pela metade para quem contava com essa ampliação”, relatou.
De acordo com o professor, a retirada da dobra estaria ocorrendo sem diálogo com a categoria e, segundo ele, em desacordo com o artigo 51 do Estatuto do Professor.
Concurso sem homologação
Outro ponto considerado grave é a contratação de professores antes da homologação oficial do concurso público.
Segundo o professor:
- O concurso foi realizado;
- A homologação ainda não havia sido publicada em Diário Oficial;
- Mesmo assim, professores já teriam sido contratados.
A homologação é a etapa formal que valida oficialmente o resultado do certame. Sem ela, questiona-se a legalidade dos atos subsequentes.

Novo PSS levanta suspeitas
Além disso, o professor afirma que foi aberto um novo Processo Seletivo Simplificado (PSS), mesmo com concurso em andamento.
De acordo com o relato:
- Há um PSS vigente até o fim do ano;
- Um novo PSS teria sido aberto;
- Existe a suspeita de que o objetivo seria contratar candidatos que não foram aprovados no concurso.
As denúncias, segundo ele, já teriam sido levadas ao Ministério Público, mas até o momento não houve desdobramentos públicos.
Clima de revolta
O clima entre parte dos profissionais da educação, segundo o professor, é de revolta e frustração.
“Está faltando diálogo. Estão mexendo no Estatuto sem chamar os professores para conversar. A sensação é de desvalorização total”, afirmou.
Também houve questionamentos na Câmara Municipal sobre a contratação de assistentes de sala sem exigência de formação específica em Pedagogia, o que ampliou o descontentamento da categoria.
Direito de resposta
O Diário de Maringá deixa o espaço aberto para manifestação da Prefeitura de Santo Inácio e da prefeita Geny Violato para esclarecer:
- A legalidade da suspensão da dobra;
- A situação da homologação do concurso;
- Os critérios para abertura de novo PSS;
- Eventual proposta de alteração no Estatuto do Magistério.
Seguiremos acompanhando o caso.


