Paraná inicia transição da insulina NPH para glargina no SUS e deve beneficiar 34,5 mil pacientes
O Ministério da Saúde iniciou no Paraná a transição do uso da insulina humana NPH para a insulina análoga de ação prolongada, a glargina, na rede pública. A medida começa como projeto piloto em quatro unidades federativas, Paraná, Amapá, Paraíba e Distrito Federal, priorizando crianças e adolescentes de até 17 anos com diabetes tipo 1 e idosos com 80 anos ou mais com diabetes tipo 1 ou 2.
A estimativa é que mais de 50 mil pessoas sejam contempladas nessa primeira fase em todo o país. Somente no Paraná, cerca de 34,5 mil pacientes devem ser beneficiados. Para atender essa demanda inicial, o estado receberá 39,7 mil canetas aplicadoras de insulina glargina. Desse total, 6,1 mil serão destinadas a Curitiba e 33,6 mil encaminhadas à Secretaria Estadual de Saúde para distribuição aos demais municípios.
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A capacitação dos profissionais de saúde paranaenses para conduzir a transição ocorreu no dia 30 de janeiro. Em âmbito nacional, os treinamentos começaram em 27 de janeiro e seguem até meados de fevereiro, preparando as equipes da Atenção Primária para o uso correto das canetas e da nova medicação.
Aplicação única e controle prolongado
A insulina glargina é um medicamento de ação prolongada, com efeito de até 24 horas, permitindo aplicação única diária. A característica facilita a rotina dos pacientes e contribui para maior estabilidade no controle glicêmico.
A substituição será feita de forma gradual, a partir da avaliação individual de cada paciente pelas equipes de saúde. Após os primeiros meses de implementação nos quatro estados, o Ministério da Saúde fará uma análise dos resultados para definir o cronograma de expansão para o restante do país.
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Na rede privada, o tratamento com insulina glargina pode custar até R$ 250 para dois meses. A ampliação da oferta gratuita pelo SUS é considerada alinhada às melhores práticas internacionais no tratamento do diabetes.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a iniciativa integra a política de fortalecimento do complexo industrial da saúde. Segundo ele, após duas décadas, o Brasil voltou a produzir insulina no país, ampliando a segurança no abastecimento e reduzindo a dependência externa.
Produção nacional e autonomia estratégica
A expansão da insulina glargina no SUS é resultado de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo envolvendo o laboratório público Bio-Manguinhos, vinculado à Fiocruz, a empresa brasileira Biomm e a chinesa Gan & Lee. O acordo prevê transferência de tecnologia para o Brasil.
Em 2025, mais de 6 milhões de unidades do medicamento foram entregues ao SUS por meio dessa parceria, com investimento de R$ 131 milhões. A previsão é que, até o fim de 2026, a capacidade produtiva alcance até 36 milhões de tubetes destinados ao abastecimento da rede pública.
Diante da escassez global de insulina, o Ministério da Saúde também firmou parceria para a fabricação nacional das insulinas NPH e Regular, envolvendo a farmacêutica indiana Wockhardt, a Fundação Ezequiel Dias e a Biomm. O contrato prevê a produção e entrega de 8 milhões de unidades até 2026. Dessas, quase 2 milhões já foram entregues, com investimento federal de R$ 142 milhões.
Monitoramento e expansão gradual
A transição é fruto do Grupo de Trabalho da Insulina, criado pelo Ministério da Saúde em novembro de 2025 para avaliar melhorias na insulinoterapia do SUS, considerando as restrições globais na produção de insulina NPH e Regular.
A escolha dos quatro territórios considerou critérios de representatividade regional e capacidade de implementação, permitindo avaliar diferentes realidades do país. Todo o processo será acompanhado por monitoramento contínuo de dados e capacitação das equipes estaduais e municipais.
As formações iniciais, realizadas em parceria com a Fiocruz e a Biomm, abordam o uso adequado das canetas aplicadoras e a administração correta da insulina.
Assistência integral pelo SUS
O Sistema Único de Saúde garante assistência integral às pessoas com diabetes, desde o diagnóstico até o tratamento e o monitoramento contínuo, conforme o quadro clínico de cada paciente. A Atenção Primária à Saúde é a porta de entrada do sistema e responsável pelo acompanhamento multiprofissional.
Atualmente, o SUS disponibiliza quatro tipos de insulina, NPH e Regular, de origem humana, além das análogas de ação rápida e prolongada, e medicamentos orais para o tratamento do diabetes mellitus.
A substituição gradual da NPH pela glargina marca um avanço terapêutico na rede pública e reforça a estratégia de ampliar a autonomia nacional na produção de medicamentos essenciais.


