Após questionamento do O Diário de Maringá, prefeita Geny Violato anula pregão de R$ 3,5 milhões em Santo Inácio

Após questionamento do O Diário de Maringá, prefeita Geny Violato anula pregão de R$ 3,5 milhões em Santo Inácio

A decisão da prefeita Geny Violato, de Santo Inácio, de anular o Pregão 003/2026, estimado em R$ 3.544.906,08, foi um gesto de responsabilidade administrativa que merece ser reconhecido. Após questionamentos levantados pelo O Diário de Maringá, a gestão optou por interromper a contratação de uma empresa privada para serviços continuados de limpeza e conservação.

A medida foi acertada.

Primeiro porque o valor envolvido é elevado para os cofres de um município pequeno. Segundo porque a própria administração pública já possui concurso e estrutura voltados para esse tipo de atividade. Transferir um contrato dessa magnitude para uma empresa terceirizada poderia representar não apenas um gasto questionável, mas também um precedente perigoso de substituição de funções públicas por contratos privados.

Em tempos em que cada real do orçamento precisa ser justificado diante da população, evitar um gasto superior a R$ 3,5 milhões com terceirização é uma demonstração de prudência.

A decisão, portanto, foi sensata.

Mas a mesma sensatez precisa aparecer em outro tema que hoje preocupa profundamente a comunidade escolar de Santo Inácio.

Nossa redação tem conversado com diversos professores da rede municipal. O cenário relatado por eles é alarmante. Há profissionais que afirmam ter tido reduções bruscas de renda, em alguns casos chegando à metade do que recebiam anteriormente.

Mais preocupante que o impacto financeiro é o impacto humano.

O clima entre os professores é de medo, angústia e insegurança. Há relatos de profissionais que estão recorrendo a medicamentos para lidar com quadros de ansiedade e depressão diante da instabilidade repentina em suas condições de trabalho e remuneração.

Não se trata apenas de números na folha de pagamento.

Estamos falando de pessoas que dedicam a vida à formação das crianças do município. São os profissionais responsáveis por transmitir conhecimento, valores e preparar as futuras gerações de Santo Inácio.

Quando professores adoecem emocionalmente, toda a educação sofre.

Se a prefeitura teve a sensibilidade de revisar um contrato milionário para evitar um possível erro administrativo, é razoável esperar o mesmo cuidado ao analisar decisões que impactam diretamente a vida de dezenas de educadores e de suas famílias.

A gestão pública exige equilíbrio entre responsabilidade fiscal e responsabilidade social.

Anular o pregão foi uma demonstração de bom senso. Agora, a administração municipal tem a oportunidade de demonstrar o mesmo compromisso ao reavaliar a situação dos professores.

Porque economizar milhões é importante.

Mas preservar a dignidade de quem educa nossos filhos é essencial.

Redação O Diário de Maringá

Redação O Diário de Maringá

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