Após reportagem de O Diário de Maringá, Ministério Público cobra explicações sobre diárias de R$ 120 mil em Alto Paraná
Depois da publicação de reportagem pelo O Diário de Maringá levantando questionamentos sobre gastos com diárias da Prefeitura de Alto Paraná, o Ministério Público do Paraná (MPPR) decidiu agir e abriu procedimento para apurar possíveis irregularidades.
Documento oficial da Promotoria de Justiça de Alto Paraná, assinado pelo promotor Guilherme Carvalho Cavalcante de Oliveira, confirma a abertura de Notícia de Fato nº 0002.26.000066-2 para investigar a situação.
O caso envolve o prefeito Claudemir Jóia Pereira, suspeito de possíveis irregularidades no recebimento e na concessão de diárias a servidores municipais no mês de fevereiro de 2026, destinadas a uma viagem a Brasília (DF).
Segundo o documento do Ministério Público, o valor total das diárias pode chegar a aproximadamente R$ 120 mil.
A investigação teve como base uma denúncia anônima e também referências a vídeos publicados pelo próprio prefeito em redes sociais, nos quais a viagem é mencionada.
MP exige explicações em até cinco dias
No ofício encaminhado à Câmara Municipal de Alto Paraná, o Ministério Público solicita esclarecimentos formais sobre o caso.
O MP determinou que sejam apresentadas:
APAC Maringá realiza bazar beneficente com produtos apreendidos pela Receita Federal
• as medidas adotadas pela Câmara diante das possíveis irregularidades
• documentos comprobatórios relacionados às diárias pagas
• justificativas administrativas para os gastos
O prazo estabelecido pelo Ministério Público é curto: cinco dias corridos para envio das informações e documentos.
Gazeta do Paraná: Suposta chantagem contra Ratinho e alerta aos vereadores de Maringá
Após o recebimento das respostas ou o término do prazo, o procedimento deverá voltar ao promotor responsável para análise com urgência.
Câmara precisa cumprir seu papel de fiscalização
Diante da investigação aberta pelo Ministério Público, cresce também a cobrança para que a Câmara de Vereadores de Alto Paraná exerça seu papel constitucional de fiscalização do Executivo.
Em qualquer democracia saudável, o Legislativo municipal não pode se limitar a aprovar projetos da prefeitura. Cabe aos vereadores fiscalizar gastos públicos, questionar despesas e exigir transparência quando surgem dúvidas sobre o uso do dinheiro da população.
Quando o próprio Ministério Público pede explicações sobre R$ 120 mil em diárias pagas com recursos públicos, o mínimo que se espera é uma postura firme e transparente do Legislativo.
A população de Alto Paraná tem o direito de saber:
• quem recebeu as diárias
• quantos servidores participaram da viagem
• qual foi o objetivo oficial da missão em Brasília
• quais resultados concretos essa viagem trouxe para o município
Dinheiro público exige prestação de contas pública.
Transparência é obrigação, não favor
O episódio reforça um princípio básico da administração pública: transparência não é opção, é obrigação.
Quando surgem questionamentos envolvendo recursos públicos, o melhor caminho para qualquer gestor é apresentar documentos, demonstrar a legalidade dos atos e esclarecer todos os pontos levantados.
Agora, com o caso nas mãos do Ministério Público, caberá às autoridades municipais apresentar as explicações necessárias.
E caberá à sociedade acompanhar.
Porque cada centavo gasto pela prefeitura sai do bolso do cidadão.





