Superávit bilionário e obras essenciais paradas: a rodovia que expõe a falta de competência da gestão do governo Ratinho Junior?

Superávit bilionário e obras essenciais paradas: a rodovia que expõe a falta de competência da gestão do governo Ratinho Junior?

O governo do Paraná, sob a gestão de Ratinho Junior, tem comemorado um superávit de aproximadamente R$ 10,5 bilhões nas contas públicas. O número é apresentado como prova de eficiência administrativa. Mas a realidade do setor público é diferente do setor privado.

Em governos, superávit muitas vezes não significa eficiência, mas sim incapacidade de executar plenamente o orçamento previsto. Em outras palavras, quando o Estado termina o ano com bilhões sobrando, isso normalmente indica que obras, investimentos e políticas públicas que deveriam ter sido executados simplesmente não aconteceram.

No setor público, o orçamento existe justamente para transformar recursos em infraestrutura, serviços e melhorias para a população. Quando isso não ocorre, o chamado superávit passa a representar algo preocupante: dinheiro que deveria ter sido investido na sociedade, mas ficou parado.

Um exemplo claro está na ligação entre Maringá e a divisa com o estado de São Paulo, na ponte sobre o Rio Paranapanema, em Santo Inácio. O trecho entre Maringá e Iguaraçu recebeu duplicação com investimento de cerca de R$ 183 milhões em aproximadamente 21,8 quilômetros. Mantendo esse mesmo padrão de custo por quilômetro, a duplicação de todo o trajeto entre Maringá e a ponte do Paranapanema, com cerca de 90 quilômetros, teria um custo estimado próximo de R$ 750 milhões.

Ou seja, uma obra estruturante para o Noroeste do Paraná custaria menos de um décimo do chamado superávit estadual.

A importância dessa ligação vai além da logística regional. Do outro lado do Rio Paranapanema, no estado de São Paulo, a rodovia já é duplicada até Presidente Prudente, e depois segue com padrão elevado até a divisa com o Mato Grosso do Sul. Trata-se de um corredor estratégico que conecta economias regionais, transporte de cargas e o deslocamento diário de milhares de pessoas.

A região também movimenta grande fluxo turístico e imobiliário. Muitos moradores de Maringá e do Norte do Paraná frequentam condomínios e empreendimentos às margens do Rio Paranapanema, além de utilizarem essa rota para deslocamentos frequentes ao interior paulista.

Mas existe um aspecto ainda mais grave que raramente aparece nas estatísticas frias das planilhas fiscais: o custo humano da falta de infraestrutura.

A rodovia que liga Maringá ao Norte do Paraná e ao estado de São Paulo é conhecida há anos pelo alto número de acidentes. Várias famílias já perderam entes queridos nesse trajeto, muitas vezes em colisões frontais típicas de rodovias simples com grande fluxo de veículos.

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E então surge a pergunta que nenhum relatório de superávit responde:
quanto custa uma vida humana?

Quantas pessoas já morreram nessa estrada que poderia estar duplicada?
Quantas famílias foram destruídas por acidentes que talvez não tivessem acontecido em uma rodovia com pistas separadas?

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Nenhum governo gosta de fazer essa conta. Mas ela existe.

É difícil ignorar também outro aspecto desse chamado superávit. Uma parcela relevante desses recursos surgiu após a privatização da Copel, operação que ajudou a inflar os números fiscais. O restante vem, em grande parte, de investimentos que simplesmente não saíram do papel.

E a rodovia entre Maringá e Santo Inácio é apenas um exemplo. A pergunta que precisa ser feita é muito maior.

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Quantas outras obras importantes deixaram de ser realizadas?
Quantos investimentos essenciais em infraestrutura, mobilidade, saúde ou educação foram adiados ou negligenciados para que o governo pudesse apresentar esse superávit bilionário?

Quando um governo termina o ano com bilhões em caixa, enquanto obras estruturantes seguem paradas e problemas históricos continuam sem solução, isso não revela eficiência administrativa. Revela falha na execução do orçamento público.

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Enquanto isso, obras estratégicas continuam aguardando decisão política.

A situação chega a ter contornos irônicos. Em um podcast recente, o próprio governador Ratinho Junior chegou a afirmar que o rio que separa o Paraná de São Paulo seria o Rio Iguaçu, quando na realidade a divisa nessa região é o Rio Paranapanema.

Talvez isso ajude a explicar por que a ligação rodoviária entre Maringá e o estado vizinho continua esquecida.

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Enquanto isso, os paranaenses seguem ouvindo discursos sobre superávit.

Mas superávit sem obras estruturantes não é motivo de comemoração.
É apenas dinheiro parado que revela a incapacidade de transformar orçamento público em obras, investimentos e segurança para a população.

A verdade é esta, Ratinho Junior: quem planeja tem futuro; quem não planeja tem destino. E, para muitos, por falta de planejamento do seu governo, o destino foi perder a vida nesta rodovia.

Redação O Diário de Maringá

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