Empresa homenageada por Adriano José na tribuna da ALEP levou quase 20 anos para pagar condenação ambiental
Um pronunciamento feito nesta terça-feira, 10 de março de 2026, na tribuna da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), pelo deputado estadual Adriano José da Silva, chamou atenção não apenas pela homenagem prestada, mas também pelo histórico da empresa citada no discurso.
Durante a sessão, o parlamentar prestou uma menção honrosa à empresa Cattalini Terminais Marítimos e a seus dirigentes. No pronunciamento, o deputado destacou a reputação da companhia no setor portuário brasileiro, afirmando que a empresa se tornou uma das maiores e mais respeitadas do segmento de movimentação e armazenagem de granéis líquidos.
O discurso também ressaltou a tecnologia utilizada nas operações, os padrões de segurança e o compromisso ambiental da empresa, além de homenagear dirigentes ligados à gestão do terminal portuário.
O que não apareceu no discurso é que a trajetória da empresa também inclui um episódio ambiental que acabou se tornando caso de Justiça por quase duas décadas.
Em 2006, o rompimento de uma válvula provocou o derramamento de aproximadamente 2,5 mil toneladas de óleo de soja degomado no Canal do Anhaia e na Baía de Paranaguá. O vazamento atingiu cerca de 6 mil metros quadrados de manguezais, um dos ecossistemas mais sensíveis do litoral paranaense.
O episódio levou a União e o Ministério Público Federal a ingressarem com uma ação civil pública em 2010, buscando responsabilizar a empresa pelos danos ambientais.
Após anos de tramitação, a Justiça Federal condenou a empresa em 2016 ao pagamento de indenização por danos ambientais, aplicando o princípio do poluidor-pagador.
Mesmo com a condenação judicial, o pagamento da indenização demorou quase uma década para ser efetivamente realizado. A empresa quitou o valor apenas em 30 de setembro de 2025, quando pagou R$ 4.157.900,43, valor atualizado destinado ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD).
Na prática, foram necessários 19 anos entre o vazamento ocorrido em 2006 e o pagamento final da indenização em 2025.
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Diante desse histórico, a homenagem realizada nesta terça-feira na tribuna da Assembleia acabou levantando questionamentos nos bastidores políticos e ambientais.
Para alguns observadores, quando um dano ambiental é reconhecido pela Justiça e a reparação ocorre somente após anos de processo judicial, o reconhecimento público também poderia ser direcionado às instituições que atuaram para garantir a responsabilização e a reparação do dano, especialmente o Ministério Público Federal.
O caso evidencia um contraste curioso da política: enquanto processos ambientais podem levar quase duas décadas para serem concluídos, homenagens institucionais podem acontecer em poucos minutos na tribuna.
Ouça o discurso do deputado Adriano José sobre a empresa na tribuna da ALEP nesta terça-feira, 10/03/2026.


