Pontos de hidratação na Expoingá não são novidade. São obrigação prevista em lei

Pontos de hidratação na Expoingá não são novidade. São obrigação prevista em lei

Durante uma entrevista concedida a uma emissora de rádio local, uma das diretoras da Sociedade Rural de Maringá afirmou que a Expoingá deste ano trará uma novidade: a instalação de mais de 30 pontos de hidratação para o público dentro do parque de exposições.

A iniciativa, sem dúvida, é importante. Mas é preciso deixar algo muito claro para a população. A instalação de pontos de água em eventos com grande concentração de público não é um benefício oferecido por generosidade da organização. Trata-se, na verdade, de uma obrigação prevista em normas que passaram a ser exigidas no Brasil justamente para proteger a saúde das pessoas.

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A exigência ganhou força após episódios graves registrados em grandes eventos no país, especialmente durante períodos de calor extremo. O caso que mais chocou o Brasil ocorreu em novembro de 2023, quando a estudante Ana Clara Benevides morreu após sofrer exaustão térmica durante um grande show no Rio de Janeiro. Naquele dia, milhares de pessoas enfrentavam temperaturas elevadas e houve denúncias de dificuldade de acesso à água dentro do evento.

A repercussão nacional levou o governo federal, por meio da Secretaria Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça, a estabelecer regras para eventos de grande porte. A determinação passou a exigir que organizadores garantam acesso gratuito à água potável ao público. Isso pode ocorrer por meio de bebedouros, distribuição direta ou pontos de hidratação destinados ao reabastecimento de garrafas.

A regulamentação também reforçou que o acesso à água não pode ser restringido, justamente para evitar situações de desidratação ou emergências médicas em ambientes com grande aglomeração e altas temperaturas.

Além dessas normas administrativas, o próprio Código de Defesa do Consumidor já estabelece que qualquer fornecedor de serviço tem o dever de garantir a segurança e a saúde das pessoas que participam de suas atividades. Em eventos com milhares de pessoas reunidas por várias horas, oferecer hidratação adequada é uma medida básica de proteção.

Por isso, quando a organização anuncia pontos de hidratação na Expoingá como uma novidade, é importante compreender o contexto correto. O acesso à água potável não é um gesto de cortesia. É simplesmente o cumprimento de uma obrigação criada para preservar vidas.

Eventos que movimentam milhões de reais, recebem multidões e fazem parte do calendário oficial da cidade devem garantir o mínimo necessário para o bem-estar do público.

Água não é favor.
Água é direito.
E cumprir a lei nunca deveria ser tratado como novidade.

Imagem da Manchete Hoje Maringá

Redação O Diário de Maringá

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