Trabalho escravo cresce 40% no Paraná durante governo Ratinho Júnior

Trabalho escravo cresce 40% no Paraná durante governo Ratinho Júnior

Paraná é o único estado do Sul no Top 10 do trabalho escravo no Brasil

O Brasil voltou a encarar um tema que envergonha qualquer sociedade que se pretenda moderna: o trabalho análogo à escravidão. Dados recentes apontam que os casos cresceram 38,3% em apenas um ano no país, ampliando a pressão sobre cadeias produtivas brasileiras e colocando o tema novamente no radar internacional.

Na mira dos EUA, casos de trabalho escravo crescem 38,3% em um ano

Mas o problema não está apenas em regiões distantes da Amazônia. Ele também aparece em estados considerados economicamente organizados e desenvolvidos, como o Paraná. Hoje, o estado figura entre os dez com maior número de empregadores incluídos na chamada “lista suja” do trabalho escravo, o cadastro oficial do governo federal que reúne empresas e pessoas físicas responsabilizadas administrativamente por submeter trabalhadores a condições degradantes.

A lista mais recente reúne 669 empregadores em todo o Brasil, segundo atualização do Cadastro de Empregadores do Ministério do Trabalho.

Olho Vivo ou “me dá minha parte em dinheiro vivo”? Contratos do programa começam a levantar suspeitas no Paraná

Dentro desse universo, o Paraná aparece com 24 empregadores incluídos no cadastro, número suficiente para colocar o estado entre os dez com mais registros do país.

O ranking nacional dos estados com mais empregadores na lista suja aparece da seguinte forma:

PosiçãoEstadoNº de empregadores
1Minas Gerais160
2Pará110
3Bahia80
4Goiás50
5Mato Grosso45
6Maranhão40
7São Paulo38
8Tocantins28
9Mato Grosso do Sul25
10Paraná24

Esse dado se torna ainda mais relevante quando se observa o cenário regional. O Paraná é o único estado da Região Sul presente entre os dez primeiros colocados da lista. Santa Catarina e Rio Grande do Sul não aparecem nesse ranking nacional.

Outro dado que chama atenção é a evolução desse problema ao longo dos últimos anos no estado. Levantamentos indicam que há cerca de oito anos o Paraná tinha aproximadamente 17 empregadores na lista suja. Hoje o número chegou a 24 registros, o que representa um crescimento de aproximadamente 41% no período.

Esse período coincide justamente com o atual ciclo político estadual, incluindo os anos do governo Ratinho Júnior. Em outras palavras, foi durante o período do atual governo que o número de empregadores paranaenses na lista suja aumentou cerca de 41%.

É evidente que parte desse crescimento pode estar ligada ao aumento das fiscalizações realizadas pelos órgãos federais. Mas os números também mostram que o problema existe, cresce e precisa ser enfrentado com transparência.

Os registros no Paraná estão ligados principalmente a atividades rurais, serviços agrícolas, agropecuária e produção em áreas isoladas, setores que fazem parte da base econômica do estado.

Entre os empregadores paranaenses identificados no cadastro federal aparecem nomes e municípios como:

EmpregadorCidade
Alexandre Jucelino ZukovskiCascavel
Ademar BlochNova Santa Rosa
Agro Forte Serviços Agrícolas LtdaNova Esperança
Alexsandro MarcotiTapira
Amafil Indústria e Comércio de Alimentos LtdaCruzeiro do Sul
Ari de Oliveira (Ferro Velho do Ari)Palotina
Celso Vino Costa JúniorAdrianópolis
Cleiton de AraújoTrês Barras do Paraná
Diego Armando MolinariIrati
Irisvaldo Ribeiro Ferraz LtdaJuranda

Essas cidades mostram que o problema não está restrito a uma única região do estado. Ele aparece no Oeste, no Noroeste, no Centro-Sul e em outras áreas produtivas do Paraná.

É importante deixar claro que a grande maioria dos produtores brasileiros trabalha dentro da lei e sustenta uma das cadeias agroindustriais mais eficientes do mundo. O agronegócio responde por grande parte das exportações brasileiras e é responsável por milhões de empregos.

Mas justamente por ser um setor estratégico para a economia, não pode permitir que práticas ilegais sobrevivam dentro de suas cadeias produtivas.

O tema ganha ainda mais peso porque o Brasil passou a ser observado com maior atenção por parceiros comerciais. Os Estados Unidos, por exemplo, passaram a acompanhar denúncias relacionadas ao trabalho escravo em cadeias produtivas ligadas ao agronegócio brasileiro, o que pode gerar questionamentos comerciais ou restrições futuras.

O Paraná construiu ao longo das últimas décadas uma reputação baseada em produtividade, cooperativismo forte e tecnologia no campo. Estar entre os dez estados com mais empregadores na lista suja deveria provocar uma reflexão profunda.

O crescimento de aproximadamente 41% nos registros durante os últimos anos do governo Ratinho Júnior mostra que o problema não pode ser ignorado.

Combater o trabalho escravo não é apenas uma obrigação moral.
É também uma questão de credibilidade internacional, segurança jurídica e competitividade econômica.

Nenhuma economia moderna pode prosperar às custas da exploração humana.

Lista completa aqui

Redação O Diário de Maringá

Redação O Diário de Maringá

Notícias de Maringá e região em primeira mão com responsabilidade e ética

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *