Com Milei, argentinos já são a 3ª maior imigração no mercado de trabalho do Brasil, atrás apenas de venezuelanos e haitianos.

Com Milei, argentinos já são a 3ª maior imigração no mercado de trabalho do Brasil, atrás apenas de venezuelanos e haitianos.

Número de argentinos empregados formalmente no Brasil cresce e já ocupa o 3º lugar entre estrangeiros

A história econômica da América do Sul sempre foi marcada por ciclos de crise que atravessam fronteiras. Quando um país entra em turbulência, os trabalhadores naturalmente buscam alternativas onde a economia ainda oferece oportunidades. Foi assim nos anos 1980, voltou a ocorrer na crise argentina de 2001 e agora reaparece sob um novo contexto político com o governo de Javier Milei.

Nos últimos dois anos um movimento silencioso começou a ganhar escala. Argentinos passaram a cruzar a fronteira em direção ao Brasil em busca de trabalho formal. Não se trata de uma migração humanitária como a venezuelana. Trata-se de uma migração econômica baseada em cálculo.

Os números ajudam a dimensionar o fenômeno.

Dados do Observatório das Migrações Internacionais mostram que os argentinos ocupam hoje o 3º lugar entre as nacionalidades com maior presença no mercado de trabalho formal brasileiro, ficando atrás apenas de venezuelanos e haitianos.

Esse posicionamento no ranking é significativo. Historicamente a presença argentina no mercado de trabalho brasileiro era discreta. Hoje ela aparece entre as três maiores comunidades de trabalhadores estrangeiros com vínculos formais no país.

O crescimento também aparece em outros indicadores.

Em 2025 quase 40 mil CPFs foram emitidos para cidadãos argentinos, cerca de cinco vezes mais do que a média anual registrada entre 2016 e 2021, quando o número girava em torno de oito mil.

Outro dado chama atenção. Apenas em dezembro de 2024 cerca de 93 mil argentinos entraram no Brasil pelo Rio Grande do Sul, um aumento de mais de 100 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior.

Esse movimento coincide diretamente com a chamada terapia de choque econômica implementada pelo governo Milei.

Cortes profundos no Estado eliminaram mais de 130 mil cargos públicos, setores produtivos sofreram retração expressiva e a pobreza chegou a 52,9 por cento da população argentina em 2024. Ao mesmo tempo mudanças estruturais como o fim do preço mínimo da erva mate e reformas trabalhistas mais duras reduziram a renda de milhares de trabalhadores em regiões fronteiriças.

Quando o mercado interno se fecha a fronteira se torna alternativa.

Guto jogou a toalha? Nos bastidores dizem que ele está é apanhando de toalha

Para muitos argentinos a conta é simples. O salário mínimo brasileiro hoje equivalente a cerca de US$ 310,00 dólares supera o mínimo argentino próximo de US$ 247. Em atividades sazonais do agronegócio como colheitas de frutas no Sul do Brasil a remuneração diária pode ultrapassar o que muitos trabalhadores recebem em vários dias na Argentina.

Assim cidades da Serra Gaúcha do oeste de Santa Catarina e até do Paraná começam a sentir o impacto dessa nova corrente migratória.

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É importante entender o que esse fluxo significa.

Os venezuelanos continuam sendo de longe a maior comunidade migrante no mercado de trabalho brasileiro com centenas de milhares de registros. Haitianos ocupam a segunda posição. Os argentinos aparecem em terceiro lugar entre os trabalhadores estrangeiros formais no Brasil e são justamente o grupo que cresce mais rapidamente entre as nacionalidades que buscam emprego no país.

Ou seja não é o maior fluxo mas é o que mais acelera.

Esse detalhe muda a interpretação do fenômeno.

Não estamos diante de um êxodo provocado por guerra ou colapso institucional, mas de uma migração racional de trabalhadores que comparam economias e tomam decisões pragmáticas.

Enquanto o Brasil continua precisando de mão de obra em setores como agricultura construção civil turismo e serviços e enquanto a economia argentina permanecer pressionada por ajustes severos a tendência é que esse movimento continue.

Na prática o que está acontecendo é simples de entender.

A motosserra simbólica que marcou a campanha de Milei não está apenas cortando gastos públicos. Ela também está indiretamente empurrando trabalhadores para fora do país.

E neste momento o destino mais próximo e economicamente viável é o Brasil.

A fronteira mais uma vez na história sul americana tornou se uma válvula de escape para quem procura trabalho e estabilidade.

Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira

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