No Paraná de Ratinho, os valores passam primeiro pela família?

No Paraná de Ratinho, os valores passam primeiro pela família?

Há discursos que soam bem no palanque, mas que exigem confronto com a realidade quando os fatos vêm à tona. O governador Ratinho Junior costuma se apresentar como defensor da família, dos valores tradicionais e da boa gestão. No discurso, tudo parece alinhado. Na prática, os episódios recentes levantam questionamentos que não podem ser ignorados.

No mesmo mês em que o governo do Paraná anunciou um investimento de R$ 254,5 milhões para a duplicação da PR-412, no trecho entre Guaratuba e Garuva, um movimento paralelo chamou atenção. O pai do governador, o apresentador Carlos Massa, o Ratinho, tornou-se sócio e “embaixador” de um resort de alto padrão na divisa entre Paraná e Santa Catarina.

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Não se trata de um investimento qualquer. O empreendimento, o Mirante da Serra, ocupa uma área de 375 mil metros quadrados às margens do Rio São João e envolve cifras robustas. O próprio apresentador divulgou o projeto publicamente e aparece como garoto-propaganda da construtora responsável, com um aporte estimado em R$ 65 milhões.

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Até aqui, alguém poderia argumentar que não há ilegalidade em investir. E, de fato, o ponto central não é a legalidade formal. O debate que se impõe é outro: o da coerência e, sobretudo, o do ambiente em que decisões públicas e interesses privados passam a caminhar lado a lado.

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E o caso não é isolado.

Outro episódio reforça esse cenário e amplia o questionamento. O governo do Paraná concedeu benefícios fiscais de grande porte à cooperativa Lar, em um volume que gira na casa de quase meio bilhão de reais. Logo após esse movimento, o pai do governador, o apresentador Ratinho, passou a atuar como embaixador da própria cooperativa, promovendo a marca e participando de ações institucionais.

Mais uma vez, o debate não se limita à legalidade formal. A questão central é a sequência dos fatos. Primeiro, o Estado concede incentivos fiscais bilionários. Na sequência, um membro direto da família do governador assume papel de promoção da empresa beneficiada.

Coincidência? Pode ser. Mas, em gestão pública, coincidências dessa natureza exigem explicações claras.

Quando decisões de governo impactam diretamente setores econômicos e, logo depois, figuras ligadas ao núcleo familiar do poder passam a se associar comercialmente a esses mesmos setores, o limite entre o público e o privado deixa de ser uma linha nítida e passa a ser uma zona cinzenta.

E é justamente nessa zona cinzenta que a confiança pública começa a se deteriorar.

Defender a família, como o governador costuma afirmar, não pode significar confundir os limites entre interesses familiares e decisões de Estado. O poder público não pode, nem direta nem indiretamente, criar ambientes que favoreçam negócios associados a quem está no entorno do poder.

A sociedade paranaense não precisa apenas de obras, incentivos ou anúncios. Precisa de segurança institucional. Precisa saber que os critérios são técnicos, impessoais e transparentes.

Se os benefícios concedidos à cooperativa Lar seguem critérios rigorosos, que eles sejam detalhados. Se a obra da PR-412 atende a prioridades estratégicas do Estado, que isso seja demonstrado com dados.

Transparência não é favor. É obrigação.

Porque, no fim, valores não se medem pelo discurso. Medem-se pelas escolhas.

E é nas escolhas que um governo revela, de fato, quem está defendendo

Redação O Diário de Maringá

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