Quem veio a Maringá hoje: Guto Silva ou Nicolás Maduro?

Quem veio a Maringá hoje: Guto Silva ou Nicolás Maduro?

Se como secretário de Estado Guto Silva já demonstra postura autoritária, o que se pode esperar caso chegue ao governo?

A pergunta pode soar dura, mas nasce de um fato concreto.

O que aconteceu hoje na Câmara Municipal de Maringá não foi apenas um episódio de segurança. Foi uma decisão política com implicações claras sobre liberdade de manifestação.

Seis estudantes da UMES, em protesto pacífico, foram impedidos de entrar em um espaço público.

Não foi decisão da Câmara. Não partiu dos vereadores.

A contenção veio da segurança, sob comando de um coronel da Polícia Militar.

E há um elemento ainda mais sensível.

O jornalista Gilmar Ferreira, do O Diário de Maringá, presenciou o momento em que um integrante da segurança do secretário entrou em contato direto com ele para saber se deveria liberar a entrada ou abrir diálogo.

A resposta foi não.

O secretário das Cidades do Paraná, Guto Silva, foi irredutível.

Entrou pela garagem.

E os estudantes ficaram do lado de fora.

A partir daqui, a comparação deixa de ser exagero retórico e passa a ser um alerta político.

O regime de Nicolás Maduro é amplamente criticado por restringir manifestações, perseguir opositores e utilizar estruturas do Estado para conter críticas . Diversos organismos internacionais apontam características autoritárias em seu governo .

É evidente que o Brasil não é a Venezuela.

Mas o ponto não é igualar realidades.

É observar comportamentos.

Porque regimes autoritários não começam com grandes atos de repressão.

Começam com pequenos gestos.

Impedir.

Controlar.

Filtrar.

Evitar o contato.

Hoje, em Maringá, não houve violência.

Mas houve bloqueio de manifestação pacífica.

E isso, em um ambiente democrático, não pode ser tratado como normal.

A Constituição garante o direito de reunião. A Câmara é a casa do povo. E não houve indicação de qualquer risco que justificasse a restrição.

Quando uma autoridade pública, diante de estudantes desarmados, opta por usar a estrutura de segurança para evitar o diálogo, o sinal é claro.

Não é sobre segurança.

É sobre não querer ouvir.

E isso leva a uma pergunta inevitável.

Se, como secretário, diante de seis estudantes, a decisão foi essa, o que se pode esperar diante de uma greve, de uma manifestação maior ou de uma pressão popular organizada?

A estrutura do Estado será usada para garantir direitos ou para limitar vozes?

Essa é a linha que separa a autoridade democrática da tentação autoritária.

E hoje, em Maringá, essa linha ficou perigosamente borrada.

Redação O Diário de Maringá

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