Asfalto “bom” só na propaganda: Santo Inácio e cidades da região expõem distância entre discurso e realidade no Paraná
Santo Inácio, na divisa entre Paraná e São Paulo, às margens do Rio Paranapanema, escancara uma contradição que vai além dos limites do município. Enquanto o Governo do Estado divulga o programa “Asfalto Novo, Vida Nova” como vitrine de eficiência, o que se vê nas ruas é bem diferente.
Buracos, desgaste do pavimento e falta de manutenção fazem parte do cotidiano. E não se trata de um caso isolado.
Diversas cidades da região Noroeste do Paraná enfrentam a mesma situação. Ruas deterioradas, obras que não chegam e promessas que se acumulam. O problema é regional e revela um padrão que contradiz o discurso oficial.
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Na prática, o chamado “asfalto bom” ainda não chegou para muita gente.
Por enquanto, ele parece existir com mais força nas peças de propaganda institucional e nas redes sociais do governo, especialmente no Instagram do secretário Guto Silva, do que nas ruas das cidades do interior.
Santo Inácio apenas torna visível uma realidade que se repete em vários municípios.
O cenário causa ainda mais estranheza quando se observa o contexto político. A cidade é berço do deputado estadual Soldado Adriano José, que deveria representar os interesses locais junto ao governo estadual. No entanto, a precariedade da infraestrutura levanta questionamentos sobre a efetividade dessa representação.
Ao mesmo tempo, mesmo com a cidade enfrentando problemas básicos, a prefeita Geny Violato esteve na Câmara de Maringá acompanhando a entrega de título de homenagem ao secretário Guto Silva.
O episódio expõe uma inversão de prioridades. Enquanto a população convive com ruas deterioradas, a agenda política parece mais voltada à aproximação com o poder do que à cobrança por investimentos concretos.
Outro ponto simbólico desse distanciamento foi a declaração recente do governador Ratinho Junior, que citou de forma equivocada o Rio Iguaçu como divisor da região, quando, na verdade, é o Rio Paranapanema que delimita a fronteira naquela área.
Mais do que um erro geográfico, o episódio reforça a percepção de desconexão com a realidade do interior.
A pergunta que se impõe é inevitável. Onde está o asfalto prometido?
Enquanto a propaganda mostra um Paraná estruturado, cidades do Noroeste seguem esperando o básico.
E, para quem vive ali, o asfalto não pode continuar sendo apenas peça de marketing.
Precisa deixar de ser postagem e virar realidade.


