Caminhoneiros desafiam Ratinho Júnior e ameaçam parar o Paraná

Caminhoneiros desafiam Ratinho Júnior e ameaçam parar o Paraná

Uma nova paralisação nacional dos caminhoneiros pode ocorrer nos próximos dias. O alerta foi feito por Wallace Costa Landim, conhecido como Chorão, presidente da Abrava, em entrevista concedida nesta quarta-feira, 18 de março de 2026, às 15h30, ao jornalista Gilmar Ferreira, do O Diário de Maringá.

Segundo ele, ainda não há uma data definida, mas a mobilização da categoria está avançada e pode resultar em interrupções no transporte rodoviário de cargas em todo o país.

O principal motivo é o não cumprimento da Lei 13.703, que estabelece a política de preços mínimos do frete. De acordo com Chorão, muitas empresas ignoram a legislação, enquanto o governo federal ainda não implementou mecanismos eficazes de fiscalização, como o chamado travamento eletrônico da tabela.

A situação se agrava com a alta constante do diesel. O presidente da Abrava afirma que o custo do combustível tem variado drasticamente durante uma mesma viagem, o que inviabiliza o fechamento das contas pelos transportadores autônomos.

Hoje o caminhoneiro sai para trabalhar com o combustível a um preço e, no meio do percurso, já encontra valores significativamente maiores, chegando ao destino final com custos ainda mais elevados. Isso torna a atividade praticamente insustentável.

Além das críticas ao governo federal, Chorão direcionou cobranças diretas ao governador do Paraná, Ratinho Júnior. Ele questiona se o chefe do Executivo estadual terá disposição para reduzir o ICMS sobre combustíveis, considerado um dos mais altos do país.

Durante a entrevista, foi destacado que o Paraná elevou a alíquota do imposto de 18% para 19,5%, o que impacta diretamente o preço final do diesel, da gasolina e do etanol, pressionando não apenas os caminhoneiros, mas toda a economia.

Para Chorão, a redução de impostos federais, como PIS e Cofins, já demonstrou impacto limitado no preço final. O problema, segundo ele, está principalmente na carga tributária estadual, que pode representar mais de um real por litro dependendo da região.

O presidente da Abrava também levantou suspeitas sobre possíveis distorções no mercado de combustíveis, apontando diferenças significativas de preços entre postos próximos, o que pode indicar práticas irregulares que precisam ser investigadas pelos órgãos competentes.

A categoria cobra uma atuação mais firme do governo federal, com participação de órgãos como ANP, Senacon, Cade e Ministério da Justiça para apurar possíveis cartéis e garantir transparência nos preços.

Uma reunião nacional com lideranças do setor está prevista para definir os próximos passos do movimento. Entre os temas em discussão está uma medida anunciada pelo ministro dos Transportes, Renan Filho, que promete reforçar a fiscalização da tabela do frete. No entanto, os caminhoneiros aguardam ações concretas antes de recuar da mobilização.

Ao final da entrevista, Wallace Costa Landim deixou um recado direto ao governador do Paraná. Disse que, se houver sensibilidade, é possível convocar imediatamente a equipe econômica do Estado para rever a política de impostos e aliviar o custo do combustível para a população.

A possível paralisação preocupa setores produtivos e consumidores, especialmente diante de relatos que já circulam sobre risco de desabastecimento em algumas regiões.

Se confirmada, a mobilização pode ter impacto direto no transporte de alimentos, combustíveis e insumos, reacendendo um cenário que o país já conhece e que costuma trazer efeitos imediatos na inflação e no cotidiano da população.

Redação O Diário de Maringá

Redação O Diário de Maringá

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