Relato de caminhoneiro expõe suposta exploração e menciona G10 e grandes grupos do transporte

Relato de caminhoneiro expõe suposta exploração e menciona G10 e grandes grupos do transporte

Uma denúncia feita por um caminhoneiro paranaense, com mais de 30 anos de estrada e proprietário de dois caminhões, traz à tona um problema que, segundo ele, vai muito além do preço do diesel ou da carga tributária. O foco está na atuação de grandes transportadoras e aplicativos de frete, que estariam concentrando lucros enquanto pressionam os pequenos transportadores.

Wanderley Alves, conhecido como Dedeco, é de Curitiba, filiado ao PSD e participou ativamente das mobilizações da categoria desde 2018. Vivendo diariamente a realidade das estradas, ele afirma que o sistema atual penaliza quem está na ponta da cadeia logística.

Segundo ele, grandes empresas recebem diretamente as cargas de embarcadores, muitas vezes grandes indústrias, e quando não conseguem atender toda a demanda, repassam o serviço para caminhoneiros autônomos. O problema, afirma, está no valor pago.

Dedeco relata que recentemente realizou um frete de aproximadamente 950 quilômetros e recebeu R$ 14.900 ao negociar diretamente com o embarcador. No entanto, se o mesmo serviço fosse intermediado por uma transportadora, o valor cairia para cerca de R$ 7.000.

Na avaliação dele, essa diferença revela onde está concentrado o lucro do sistema.

Durante a entrevista, o caminhoneiro citou nominalmente empresas e grupos que, segundo ele, operam dentro desse modelo. Entre eles, o Grupo G10, com atuação em Maringá, além de transportadoras como Rodolatina, Transportes Maçaneiro e Bom Transporte, bem como operações ligadas ao transporte de cargas de grandes indústrias, como Pepsico e Votorantim.

Ele afirma que essas empresas concentram grande volume de cargas e utilizam caminhoneiros terceiros para ampliar sua capacidade, mantendo margens elevadas. Segundo o relato, muitas vezes possuem frota própria, mas recorrem a autônomos quando a demanda excede a capacidade, repassando o frete com valores reduzidos.

Outro ponto levantado é a possível existência de alinhamento de preços entre empresas. Dedeco afirma que há grupos informais onde valores seriam definidos, o que, na prática, impede o caminhoneiro de encontrar melhores condições no mercado.

Além das transportadoras, os aplicativos de frete também foram alvo de críticas. O caminhoneiro cita a plataforma FreteBras como exemplo de um sistema que concentra grande parte das cargas no país e, ao mesmo tempo, permite a oferta de fretes abaixo do piso mínimo.

Ele relata ainda que motoristas podem ser bloqueados dentro das plataformas após denúncias feitas por empresas, ficando impedidos de acessar novas cargas, o que compromete diretamente sua renda.

Outro fator que aumenta a pressão sobre os autônomos, segundo ele, é a nova exigência de seguros obrigatórios determinada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres. O custo mínimo, de acordo com o caminhoneiro, gira em torno de R$ 1.600 por mês, o que representa mais um peso para quem já enfrenta margens apertadas.

A denúncia também aponta para articulações políticas em Brasília. Dedeco afirma que representantes do setor teriam levado propostas defendendo flexibilização da jornada de trabalho e mudanças na fiscalização, o que, na visão dele, pode favorecer ainda mais as grandes empresas.

Para o caminhoneiro, o resultado desse cenário é claro. Quem mais sofre é o pequeno transportador, que assume os riscos da operação, arca com custos crescentes e recebe valores cada vez menores pelo serviço.

A reportagem ressalta que todas as empresas e grupos citados pelo caminhoneiro foram mencionados com base em seu relato e não tiveram, até o momento, oportunidade de se manifestar sobre as acusações.

O Diário de Maringá reforça que mantém o espaço aberto para o contraditório. Os mencionados podem entrar em contato com a redação pelo telefone ou WhatsApp (44) 99738-0508 para apresentar sua versão dos fatos.

A denúncia surge em um momento de forte tensão no setor e levanta questionamentos importantes sobre a estrutura do transporte de cargas no Brasil, os limites da intermediação e quem, de fato, está ficando com a maior parte do lucro nas estradas do país.

Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira

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