Em gabinete de político 171, assessor 171 vira peça estratégica
Quem vive a política no dia a dia sabe. Não é fácil conquistar a confiança das pessoas. Leva tempo, presença, escuta e, principalmente, entrega. Mas basta um erro, muitas vezes de quem está nos bastidores, para colocar tudo a perder.
E é justamente aí que mora o perigo.
Assessor não é figura secundária. É extensão do mandato. É a porta de entrada para quem precisa, muitas vezes em momentos de fragilidade, como na área da saúde. Por isso, não dá para agir como se fosse um intermediário qualquer. Muito menos transformar essa posição em oportunidade pessoal.
O que chega até a redação é sério e não pode ser tratado como fofoca de corredor.
Relatos apontam que um assessor político teria recebido dinheiro de moradores de Maringá e também de cidades da região com a promessa de resolver demandas na saúde. Tem gente que afirma ter pago até R$ 1.600,00. E, até agora, segundo essas pessoas, não houve nem solução, nem devolução.
Pior. Há casos em que o dinheiro teria sido pedido para compra de medicamentos, inclusive para emagrecimento, e o resultado foi o mesmo. Quem pagou ficou sem o produto e sem o dinheiro.
Isso não é detalhe. Isso é grave.
E o caso não está isolado. Pelo contrário. Começa a ganhar corpo. Pessoas diferentes contando histórias parecidas. Colegas de trabalho do próprio assessor, inconformados, já teriam reunido provas e encaminhado à redação. Existe uma expectativa de que tudo seja resolvido nos próximos dias, com devolução dos valores ou entrega do que foi prometido.
Mas a questão vai muito além de resolver agora.
Porque quando a confiança vira moeda, o prejuízo não é só de quem pagou. Respinga direto no político, no gabinete, na imagem de quem foi eleito para representar. E aí não adianta dizer que não sabia. Para o eleitor, quem está ali falando em nome do político é o próprio político.
E tem um agravante que não pode ser ignorado.
Quando o próprio mandato já enfrenta questionamentos por promessas não cumpridas, situações como essa não só desgastam. Elas aceleram a perda de credibilidade. É gasolina em um incêndio que já estava começando.
Política não pode virar atalho. Muito menos negócio.
Quem procura um gabinete, na maioria das vezes, não está atrás de favor. Está buscando solução, dignidade, acesso a um direito básico. Usar isso como oportunidade é cruzar uma linha perigosa e, em muitos casos, irreversível.
Ainda há tempo de corrigir. De devolver. De esclarecer. De assumir.
Mas é bom deixar claro. Confiança não se reconstrói com discurso. Se reconstrói com atitude.
E quando ela quebra, dificilmente volta a ser como antes.


