Metabolismo e lipedema exigem olhar integral
O metabolismo é o conjunto de reações do organismo que transformam os nutrientes dos alimentos em energia, participam da síntese e da quebra de moléculas e ajudam a manter o corpo em funcionamento. Esse processo garante o gasto calórico ao longo do dia e, quando desacelera, o excesso de calorias pode se acumular como gordura, elevando o peso.
Um estudo publicado pela Scielo Brasil aponta que a síndrome metabólica tem alta prevalência na população adulta brasileira e está diretamente associada a fatores como excesso de peso, sedentarismo e alterações nos níveis de glicose e lipídios no sangue, configurando um importante problema de saúde pública.
Os dados reforçam que hábitos de vida contemporâneos — especialmente a inatividade física e a alimentação inadequada — contribuem para o desenvolvimento de alterações metabólicas que aumentam o risco de doenças cardiovasculares e complicações crônicas, evidenciando a necessidade de estratégias preventivas e intervenções voltadas à promoção de um estilo de vida mais saudável.
O Dr. Ramon Coelho, médico pós-graduado em nutrologia, destaca as alterações metabólicas como um tema que tem ganhado relevância nos últimos anos e um problema de saúde pública. Ele observa que, em sua prática clínica, muitos pacientes vivem em um estado de metabolismo desorganizado, comprometendo a energia, composição corporal, saúde hormonal e acelerando processos de envelhecimento.
"A rotina moderna, marcada por sedentarismo, alimentação ultraprocessada, noites mal dormidas e níveis elevados de estresse, cria um cenário biológico propício para a desorganização metabólica. Isso pode se manifestar por meio de ganho de peso persistente, dificuldade para emagrecer, fadiga constante, alterações hormonais, inflamação crônica ou alterações metabólicas como resistência à insulina e dislipidemias", comenta o médico.
Um estudo publicado pela ResearchGate aponta que uma vida sedentária aumenta significativamente as chances de desenvolver síndrome metabólica, enquanto outro artigo, publicado na National Library of Medicine, destaca que distúrbios do sono, como a apneia obstrutiva do sono, e o desalinhamento circadiano contribuem para alterações metabólicas, incluindo resistência à insulina, hipertensão, dislipidemia e aumento do risco cardiovascular.
"Esses fatores atuam de forma silenciosa e cumulativa no organismo. A privação de sono, por exemplo, altera hormônios fundamentais para o controle do apetite e da saciedade, como leptina e grelina, além de prejudicar a sensibilidade à insulina. O estresse crônico eleva níveis de cortisol, um hormônio que, quando persistentemente alto, favorece acúmulo de gordura visceral, inflamação e piora da composição corporal", detalha o Dr. Ramon Coelho.
O médico acrescenta que o sedentarismo reduz a eficiência metabólica das células musculares, que são grandes responsáveis pelo uso da glicose e pela regulação energética do corpo. Esse conjunto de fatores cria um ambiente metabólico desfavorável, caracterizado por inflamação de baixo grau, alterações hormonais e perda da capacidade do organismo de responder adequadamente aos estímulos metabólicos.
De acordo com o Dr. Ramon Coelho, a composição corporal é profundamente influenciada por fatores hormonais, inflamatórios e metabólicos, e as alterações em hormônios como insulina, cortisol, hormônios tireoidianos e hormônios sexuais podem alterar a forma como o organismo armazena e utiliza energia. Por isso, olhar apenas para calorias não resolve o problema. É necessário compreender o contexto metabólico do paciente.
"Além disso, processos inflamatórios crônicos e alterações na microbiota intestinal também influenciam mecanismos de fome, saciedade e metabolismo energético. Muitas pessoas convivem com um metabolismo metabolicamente resistente — ou seja, o organismo tende a preservar gordura e reduzir o gasto energético, mesmo quando a pessoa tenta emagrecer", esclarece.
Obesidade e lipedema
Segundo a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), cerca de 11% das mulheres apresentam lipedema — doença vascular crônica caracterizada pelo acúmulo de gordura e inchaço em pernas e braços, com dor, hematomas e fragilidade capilar. O tratamento multidisciplinar pode melhorar os sintomas em até 58%.
O Dr. Ramon Coelho explica que o tecido adiposo do lipedema apresenta características inflamatórias específicas, o que torna o manejo da condição mais complexo do que simplesmente promover perda de peso. Por isso, o tratamento exige uma abordagem que considere metabolismo, inflamação, circulação e equilíbrio hormonal, além de estratégias terapêuticas específicas para o tecido afetado.
"O lipedema tem forte relação com fatores hormonais e processos inflamatórios. Muitas pacientes relatam início ou piora dos sintomas em momentos de transição hormonal, como puberdade, gravidez ou menopausa. Geralmente existe uma rede de fatores metabólicos interligados por trás disso. Se não procurarmos entender o que está acontecendo com o metabolismo, os resultados tendem a ser limitados ou temporários", afirma o profissional.
Conforme relata o médico, esse processo pode envolver ajustes nutricionais, reorganização do estilo de vida, correções hormonais quando indicadas, terapias metabólicas e tecnologias médicas que auxiliam na recomposição corporal e no controle inflamatório.
"Cada paciente possui uma história metabólica única e buscar avaliar o organismo como um sistema, de modo integral, possibilita ao profissional, a partir dessa visão mais ampla, identificar quais fatores estão contribuindo para o desequilíbrio metabólico e estruturar uma estratégia terapêutica individualizada. O objetivo é restaurar o funcionamento saudável do metabolismo e promover longevidade com qualidade de vida", conclui o Dr. Ramon Coelho.
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