Lei de proibição dos Celulares melhora convivência nas escolas particulares do Paraná

Lei de proibição dos Celulares melhora convivência nas escolas particulares do Paraná

Após um ano de vigência, medida transformou smartphone de “vilão” a aliado pedagógico, zerando retenção em turmas e resgatando socialização entre alunos

Boletins com médias em ascensão, turmas inteiras sem nenhuma reprovação e um salto na concentração dos alunos. Este é o saldo prático nas escolas particulares do Paraná após um ano da implementação da Lei nº 15.100/2025, que restringiu o uso recreativo de celulares na educação básica. O movimento, que inicialmente gerava apreensão, revelou-se uma alavanca de desempenho acadêmico e de transformação social.

Dados da Frente Parlamentar Mista da Educação já apontavam a tendência: 83% dos estudantes afirmam prestar mais atenção nas aulas, e 77% dos gestores perceberam redução no cyberbullying. No cotidiano escolar, os resultados são ainda mais visíveis e vão além da disciplina.

Para Gil Vicente Moraes, diretor de Ensino Médio do Sinepe/PR, a lei promoveu um resgate do aluno. “O silêncio digital deu lugar ao burburinho humano. Você tinha um isolamento de muitos jovens no intervalo. Hoje, as tradicionais rodinhas de bate-papo voltaram. No primeiro momento, volta até a ter bolinha de papel voando na sala. Melhor a bolinha de papel do que o celular tirando foto o tempo todo”, ilustra o educador.

De vilão a ferramenta pedagógica 

O sucesso da medida não se deu por uma “guerra” à tecnologia, mas pela mudança de status do aparelho. O uso recreativo foi vetado, mas o pedagógico é incentivado. “O celular não foi abolido, e sim utilizado em prol do aluno”, explica Moraes. Atualmente, os aparelhos integram metodologias ativas para pesquisas rápidas e acesso a plataformas. “Há professores que pausam a aula e lançam desafios para que pesquisem na internet”, destaca.

Salto nas notas e queda da reprovação 

Com o fim da distração, o reflexo nos boletins foi imediato. “Na instituição onde sou diretor, o índice geral de reprovação escolar caiu mais de 70%. Tivemos 170 formandos de 9º ano em 2025, com zero retenção. No 1º ano do Ensino Médio, etapa historicamente sensível, a redução de reprovações ultrapassou 80%. Além disso, a quantidade de estudantes reconhecidos por mérito acadêmico triplicou em algumas turmas”, comemora o educador.

O receio de conflitos constantes também diminuiu, com a retenção de aparelhos tornando-se rara. “Houve o entendimento dos próprios estudantes de que o uso excessivo prejudicava a aprendizagem. A ocupação deles hoje é ser estudantes”, resume Moraes. A medida também abriu um canal vital de diálogo com as famílias sobre a educação digital e os limites na formação dos jovens.

Eco nas universidades

Esse movimento de conscientização, inclusive, já começa a ecoar além da educação básica. Segundo o diretor, há um movimento crescente de instituições de ensino superior adotando restrições semelhantes. “No começo deste ano, pelo menos cinco ou seis universidades já sinalizaram que o uso livre de celulares na sala de aula não será mais permitido”, revela. Para Moraes, essa expansão consolida um caminho sem volta. “Cria-se um alinhamento cultural. Não pode na educação básica, não pode no ensino superior, a não ser que tenha intencionalidade didático-pedagógica”, finaliza.

Redação

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