Curitiba entra no modo inteligente ,  mas a verdadeira inovação começa nas obras

Curitiba entra no modo inteligente ,  mas a verdadeira inovação começa nas obras

Nesta semana, Smart City Expo Curitiba transforma a capital paranaense em um dos principais polos de debate sobre o futuro urbano. Especialistas, gestores públicos e líderes do setor privado se reúnem para discutir temas como mobilidade, tecnologia e cidades inteligentes , conceitos que, cada vez mais, deixam de ser tendência para se tornar necessidade.

Mas, em meio a painéis sobre inovação digital e soluções urbanas conectadas, é preciso ampliar o olhar. A inteligência de uma cidade não se constrói apenas com sensores, aplicativos ou plataformas integradas. Ela começa, silenciosamente, nas obras. Está na forma como projetamos, construímos e operamos os espaços onde a vida urbana acontece.

Uma obra verdadeiramente sustentável vai além do uso de materiais certificados ou da busca por selos ambientais. Ela considera todo o seu ciclo de vida: desde a concepção até a operação. Isso inclui eficiência energética, conforto térmico, redução de desperdícios, integração com o entorno e, principalmente, a capacidade de adaptação às novas demandas da sociedade. Construir com inteligência é, antes de tudo, construir com responsabilidade.

Nesse contexto, o uso eficiente da energia se torna um dos pilares centrais. A energia, embora invisível, é um dos recursos mais estratégicos dentro de qualquer edificação. E é justamente nesse ponto que a tecnologia pode, e devem atuar de forma mais assertiva.

Foi com esse propósito que surgiu, em 2023, a SmartLy: transformar o consumo energético em algo inteligente, acessível e gerenciável. A proposta é simples, mas poderosa,  permitir que residências e ambientes sejam controlados à distância, por meio do celular, otimizando o uso de equipamentos, ajustando condições ambientais e evitando desperdícios.

Mais do que automação, trata-se de consciência. Desligar equipamentos remotamente, programar o funcionamento de sistemas e adaptar o consumo às reais necessidades do usuário são ações que, somadas, geram impacto direto na sustentabilidade urbana. Afinal, uma cidade inteligente não é apenas aquela que coleta dados, mas aquela que sabe utilizá-los para melhorar a vida das pessoas e preservar recursos.

Ao discutir o futuro das cidades, é fundamental lembrar que inovação não está apenas no que vemos, mas também no que sustenta, literalmente,  o funcionamento urbano. A tecnologia que impressiona nos palcos precisa dialogar com a engenharia que transforma o cotidiano.

Curitiba, reconhecida por seu histórico de planejamento urbano, tem agora a oportunidade de reforçar esse protagonismo ao integrar tecnologia e construção sustentável de forma ainda mais profunda. Porque, no fim, cidades inteligentes são aquelas que equilibram inovação, eficiência e responsabilidade.

E isso começa na base.

*Euclides Ciruelos
Engenheiro civil, mestre em sustentabilidade e Co-Funder da Hotfloor e SmartLy

Redação

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