O recado de Flávio Bolsonaro para o Paraná: Moro é o nome para o Palácio Iguaçu
A frase mudança começa pelo Paraná deu o tom do evento que selou o novo destino político do senador Sergio Moro e da deputada federal Rosangela Moro. Nesta terça-feira (24), o casal oficializou a filiação ao Partido Liberal (PL) em uma cerimônia concorrida no Complexo Brasil 21, em Brasília. O ato reuniu o estado-maior da sigla, incluindo o senador Flávio Bolsonaro e o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, consolidando uma aliança estratégica para os próximos pleitos.
Aliança estratégica e foco no Executivo estadual
Durante o evento, Flávio Bolsonaro não poupou elogios aos novos correligionários. Em seu discurso, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro referiu-se a Moro explicitamente como o “futuro governador do Paraná”. A sinalização aponta para uma engenharia política que visa transformar o estado em uma vitrine do conservadorismo e uma base sólida de apoio para os projetos nacionais do PL.
Moro, por sua vez, reforçou que o Paraná funcionará como uma “fortaleza” contra os desmandos atuais e um laboratório de excelência administrativa. O senador destacou que pretende dar continuidade aos acertos da gestão de Ratinho Jr, mas com foco em inovação e tecnologia. Para isso, mencionou o apoio de lideranças do setor produtivo, como o presidente da Fiep, Edson Vasconcelos.
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A situação jurídica e os entraves de Deltan Dallagnol
O evento também contou com a presença do ex-procurador e ex-deputado Deltan Dallagnol (Novo). Embora tenha adotado um discurso de forte mobilização e enfrentamento ao que chama de “desmandos do STF”, o cenário para o ex-membro da Lava Jato exige cautela técnica. É fundamental destacar que Deltan Dallagnol permanece inelegível no momento, enfrentando barreiras jurídicas que impedem sua participação em disputas eleitorais.
Além da cassação de seu mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que gerou a restrição inicial, Deltan possui pendências financeiras com a Justiça Eleitoral. A ausência de quitação de multas eleitorais aplicadas em processos anteriores configura, por si só, um impedimento para o registro de candidaturas. Mesmo com essas limitações, Dallagnol declarou apoio total à caminhada de Moro rumo ao governo estadual, pregando uma união de forças para “tirar o PT do poder”.
União de antigos divergentes
A deputada Rosangela Moro e o deputado federal Filipe Barros também enfatizaram a necessidade de união. Barros admitiu que o grupo teve divergências no passado, mas que o foco agora reside no futuro das próximas gerações. Rosangela reiterou o compromisso com a “libertação” de Jair Bolsonaro e elogiou a gestão de Elizabeth Schmidt, prefeita de Ponta Grossa, presente na cerimônia.
A solenidade no auditório Juca Chaves encerra um ciclo de especulações e abre outro: a formatação de um palanque robusto no Sul do país para 2026, unindo o capital político da Lava Jato à capilaridade eleitoral do bolsonarismo.


