Ultrafiltração ajuda a viabilizar reúso de água em ETAs

A busca por soluções que aumentem a eficiência no uso da água e reduzam perdas nos sistemas de abastecimento tem levado empresas e gestores públicos a reavaliar práticas tradicionais nas Estações de Tratamento de Água (ETAs). Uma dessas práticas é o descarte da água utilizada na lavagem dos filtros de areia, procedimento rotineiro que, via de regra, resulta na liberação de grandes volumes de água residual diretamente em corpos hídricos.

Com elevada carga de sólidos e matéria orgânica, essa água é considerada imprópria para consumo, mas possui potencial de recuperação quando submetida a tecnologias adequadas, como a ultrafiltração.

Segundo dados do Instituto Trata Brasil, divulgados pela Agência Brasil, cerca de 33 milhões de pessoas ainda vivem sem acesso à água potável no país. O levantamento mostra que, entre os municípios analisados, apenas 22 possuem 100% de cobertura de abastecimento. Diante desse cenário, o aproveitamento de recursos hídricos dentro das próprias ETAs surge como alternativa estratégica para ampliar a oferta de água tratada sem aumentar a captação em mananciais.

A ultrafiltração é uma tecnologia baseada em membranas que atuam como barreiras físicas, capazes de remover partículas em suspensão, micro-organismos e turbidez da água. De acordo com o especialista Franco Olevak, diretor de águas da B&F Dias, ao aplicar a técnica no reúso da água de lavagem dos filtros de areia, ela permite que o líquido seja tratado e reinserido no processo de produção de água potável. "A principal motivação é a busca por eficiência no uso da água e redução de perdas no processo de tratamento", afirma.

Ele explica ainda que, quando a água de alimentação da ETA é de boa qualidade, a produção resultante da lavagem dos filtros ainda possui características que permitem sua recuperação, desde que o processo seja precedido por um estudo criterioso de viabilidade. "O descarte direto dessa água nos rios representa não apenas desperdício de um recurso valioso, mas também um impacto ambiental significativo", enfatiza.

Além da elevada carga de sólidos, Olevak destaca que há riscos associados à autuação por parte de órgãos ambientais, o que reforça a necessidade de soluções tecnológicas que viabilizem o reúso. "A ultrafiltração permite tratá-la e devolvê-la ao processo, contribuindo para a sustentabilidade e eficiência global do sistema", reforça.

Do ponto de vista técnico, o executivo informa que os sistemas de ultrafiltração implantados ou em estudo já têm demonstrado capacidade de atender integralmente aos parâmetros de potabilidade estabelecidos pela Portaria GM/MS nº 888/21, que regula os padrões de qualidade da água para consumo humano no Brasil. "Quando corretamente dimensionados e operados, esses sistemas conseguem atender plenamente aos parâmetros microbiológicos e físico-químicos exigidos", diz.

Ele ressalta que ajustes comuns envolvem o pré-condicionamento da água, controle rigoroso da operação e manutenção das membranas, além de análises periódicas dos compostos inorgânicos e dissolvidos.

A adoção da ultrafiltração também traz ganhos ambientais relevantes. Segundo Olevak, ao reduzir o volume de água descartada nos rios, diminui-se a pressão sobre os mananciais e a carga poluente lançada nos corpos d’água. "O reúso da água de lavagem reduz o volume captado e descartado, promovendo um ciclo mais sustentável", confirma.

No que diz respeito aos índices de perdas, a recuperação da água por meio da técnica impacta diretamente as perdas reais, que correspondem à água tratada que não chega ao consumidor por falhas no sistema. Embora não interfira nas perdas aparentes, como fraudes ou medições imprecisas, a tecnologia pode reforçar a eficiência operacional das companhias. "A recuperação da água contribui diretamente para a redução de perdas reais, pois aumenta o aproveitamento da água já tratada", complementa o diretor.

A aplicação da ultrafiltração no reúso da água de lavagem dos filtros de areia tem se mostrado especialmente vantajosa em estações de médio e grande porte, em que o volume de água envolvido no processo é mais significativo. Com o avanço da digitalização e da automação nas ETAs, a integração desses sistemas ao processo de tratamento tende a se tornar mais acessível e eficiente. "É uma medida que alia inovação, responsabilidade ambiental e conformidade legal", conclui Olevak.

Para saber mais, basta acessar: https://bfdias.com.br/

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