Ronaldo Cabeção Tenta “Enquadrar” Vereadores para Proteger o Cargo da Filha
A independência entre os poderes em Santo Inácio enfrenta um teste de fogo diante de revelações sobre o emprego da filha do presidente da Câmara. Carolina Scarpini dos Santos, filha do vereador Ronaldo Cabeção, ocupa um cargo comissionado na gestão da prefeita Geny Violatto desde julho de 2025. Com vencimentos superiores a 2 mil reais, a permanência de Carolina no primeiro escalão levanta suspeitas sobre a isenção do Legislativo municipal.
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O cenário político local ferve com comentários de que o presidente Ronaldo Cabeção estaria agindo como um escudo humano para a prefeita. Testemunhas afirmam que o vereador tenta “enquadrar” colegas que ousam pedir fiscalizações rigorosas ou denunciar irregularidades administrativas na prefeitura. Essa postura combativa em defesa do Executivo seria a contrapartida necessária para garantir o “emprego de ouro” da filha no Paço Municipal.

Ronaldo Cabeção, que possui histórico como assessor direto da prefeita antes de se eleger, parece não ter se desligado do antigo papel. Mesmo após Carolina ser aprovada em um concurso público, ela continua exercendo a função de confiança (CC) há quase um ano. A demora em assumir a vaga efetiva mantém o vínculo de subordinação política intacto, comprometendo a necessária separação entre quem executa o orçamento e quem deve fiscalizá-lo.
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A Lupa Jurídica: Conflito de Interesses e Moralidade
Juridicamente, a situação flerta com o descumprimento da Súmula Vinculante 13 do STF, que proíbe o nepotismo e a troca de favores entre entes públicos. A moralidade administrativa impede que um fiscalizador direto, como o presidente da Câmara, possua interesses financeiros familiares dentro do órgão fiscalizado. Como o vereador pode votar com imparcialidade as contas da prefeita se o sustento de sua filha depende diretamente da caneta de Geny Violatto?
O eleitor de Santo Inácio confiou o voto a Ronaldo Cabeção esperando um fiscal do povo, não um advogado da prefeitura. A manutenção desse privilégio familiar por quase um ano é um tapa na face da transparência pública. O Ministério Público deve ser provocado a analisar se essa relação configura ato de improbidade administrativa, visando restaurar a ética que a cidade tanto clama.



