O Paraná precisa abrir os olhos: O escândalo de mais de meio bilhão no programa de Ratinho Jr e Guto Silva
Enquanto denúncias e questionamentos se acumulam, o silêncio nos programas de opinião chama a atenção do público
O Programa Olho Vivo Paraná sob a gestão direta do governador Ratinho Junior e do secretário das Cidades Guto Silva caminha para se tornar um dos capítulos mais controversos da atual administração estadual. O que foi anunciado como uma vitrine de modernidade e eficiência na segurança pública agora se vê sob o microscópio de órgãos de controle e da silenciosa desconfiança de parte da opinião pública. Enquanto o edital do Pregão nº 203/2026 registrado no Portal Nacional de Contratações Públicas oficializa a intenção de investir o valor exato de R$ 580.951.440,00 em videomonitoramento inteligente a realidade das ruas mostra que a execução do projeto começou muito antes da legalização do contrato.
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A investigação revela que Ratinho Junior e Guto Silva autorizaram a movimentação de máquinas e técnicos em cidades como São José dos Pinhais e Maringá meses antes da abertura da disputa pública de meio bilhão. Documentos como o Ofício nº 295/2025 da Superintendência de Governança de Serviços e Dados comprovam que em 24 de novembro de 2025 o estado já operava para instalar equipamentos que teoricamente só seriam contratados em 2026. Em Maringá a instalação de 112 câmeras de reconhecimento facial é um fato consumado que expõe uma fragilidade jurídica grave pois se a tecnologia já está operando e integrada ao sistema estadual a licitação de R$ 580,9 milhões corre o risco de ser apenas um jogo de cartas marcadas.
No entanto o que mais chama a atenção não é apenas o atropelo legal mas o ensurdecedor silêncio de grandes veículos de comunicação diante de cifras tão vultosas e suspeitas. Surge no horizonte a hipótese de que as generosas verbas publicitárias do projeto Verão Maior Paraná tenham servido como uma espécie de mordaça financeira blindando o governo de críticas severas sobre o Programa Olho Vivo. É um questionamento legítimo saber se o dinheiro que deveria promover o turismo no litoral acabou financiando a omissão editorial sobre contratos que incluem ainda repasses extras de R$ 90 milhões sem licitação para a segunda fase do projeto.
A conta apresentada pelo secretário Guto Silva de R$ 400 milhões para a adesão dos municípios simplesmente não fecha com o montante do pregão principal e das contratações paralelas que elevam o custo para quase R$ 700 milhões de reais. O cidadão paranaense que paga a conta espera que a segurança prometida não venha acompanhada de um prejuízo bilionário por falta de transparência e muito menos por uma imprensa vendada por anúncios governamentais. O Programa Olho Vivo que deveria proteger o cidadão não pode se tornar um símbolo de impunidade administrativa onde o interesse em mostrar resultados rápidos atropelou o dever de zelar pela legalidade e pelo sagrado direito à informação livre de amarras financeiras.



