Greve na saúde de Maringá perde sustentação pública quando a jornada de 30 horas segue mantida
A greve na saúde de Maringá perde força no debate público quando a prefeitura mantém as 30 horas semanais e altera apenas a escala de trabalho. Nesse cenário, o centro da discussão muda. A categoria deixa de discutir corte de direito e passa a defender a manutenção de um modelo excepcional.
Esse detalhe pesa muito. O cidadão quer saber por que uma paralisação ocorreria se a jornada semanal continua a mesma. Além disso, a prefeitura afirma que a mudança corrige excessos de horas extras. Também sustenta que a medida reorganiza a carga horária entre os profissionais.
Por isso, o discurso de greve enfrenta um obstáculo político real. Quem depende de consulta, atendimento de urgência e continuidade do serviço tende a fazer uma leitura direta. Se a jornada não caiu e se a administração preserva as 30 horas, a justificativa para parar precisa ser muito forte.
O debate saiu da jornada e entrou na escala
A prefeitura afirma que não retirou um direito da categoria. Segundo o município, a administração apenas encerra a escala 12×60. Esse modelo surgiu durante a pandemia e tinha caráter excepcional. Agora, a gestão diz que precisa adequar a rede à legislação e ao novo regime.
Além disso, a nota oficial cita questionamentos de órgãos de controle. O município menciona o Ministério Público e o Tribunal de Contas. Segundo a prefeitura, esses apontamentos reforçam a necessidade de equilíbrio na gestão das escalas e das horas extras.
Esse argumento não encerra a polêmica. No entanto, ele muda a percepção pública. A população costuma reagir com dureza quando disputas internas prejudicam o atendimento na ponta. Na saúde, esse efeito pesa ainda mais.
Os números ampliam o desgaste de uma eventual paralisação
A própria prefeitura apresentou números para sustentar a mudança. Hoje, a saúde municipal conta com 4.916 servidores. Desse total, 503 atuam na escala 12×60. Entre eles, 383 fazem horas extras. Juntos, eles somam cerca de 15.900 horas mensais.
Com a adoção da escala 12×36, o município estima cortar cerca de 4 mil horas extras por mês. Portanto, a administração tenta mostrar que enfrenta uma distorção administrativa. Também tenta provar que o problema não nasceu da jornada de 30 horas.
Essa narrativa amplia o desgaste de uma greve. Afinal, o cidadão pode concluir que o impasse não envolve perda salarial nem aumento da carga semanal. Ele pode enxergar apenas uma disputa sobre conveniência de escala.
Quem parar terá de explicar isso à população
Nenhuma categoria perde o direito de reivindicar. Porém, toda greve precisa convencer a sociedade. Na saúde, esse dever pesa mais. O paciente não julga apenas a tese administrativa. Ele julga o efeito concreto no posto, na UPA e no hospital.
Por isso, uma paralisação nesse contexto pode isolar os próprios servidores. Se a prefeitura mantém as 30 horas e justifica a mudança com base na gestão das escalas, o ônus político muda de lado. Então, quem decidir cruzar os braços terá de explicar por que interrompe o atendimento mesmo sem corte da jornada semanal.
Nota oficial da Prefeitura de Maringá
A Prefeitura de Maringá informa que o aumento no volume de horas extras tem sido objeto de questionamentos de órgãos de controle, como o Ministério Público e o Tribunal de Contas, apontando a necessidade de maior equilíbrio na gestão das escalas. Diante disso, o município promove a reorganização da jornada de trabalho da enfermagem, medida que está dentro da legalidade.
O município destaca que, durante a regulamentação da jornada de 30 horas semanais, uma conquista histórica da categoria, ficou acordado que a adoção do novo regime implicaria o fim da escala 12×60, por sua incompatibilidade com esse modelo.
A escala 12×60 foi instituída pelo Decreto nº 1611/2020, em caráter excepcional durante a pandemia da Covid-19. Com a normalização dos serviços, tornou-se necessária a adequação das escalas à legislação vigente e às boas práticas de gestão pública.
A suspensão da escala 12×60 refere-se exclusivamente à reorganização das escalas de trabalho, sem qualquer alteração na jornada de 30 horas semanais garantida pela Lei Complementar nº 1.488/2025.
Atualmente, o município conta com 4.916 servidores da saúde, sendo que 503 utilizam a escala 12×60. Desses, 383 realizam horas extras, totalizando cerca de 15.900 horas mensais. Com a adoção da escala 12×36, há uma redução estimada de 4 mil horas extras por mês, permitindo uma distribuição mais equilibrada da carga horária entre os profissionais.
Servidores programa manifestação
O elevado volume de horas extras está diretamente relacionado à manutenção da escala 12×60, e não à implantação da jornada de 30 horas semanais, reforçando a necessidade da medida adotada.
Imagem da Manchete : Maringá News




