R$ 440 mil em shows e a fila da saúde: a escolha de Ismael Batista que Paiçandu tem o direito de questionar
O gasto com shows em Paiçandu na gestão Ismael Batista (PSD) abriu um debate que a prefeitura não deveria tratar como detalhe. A administração municipal promoveu o Juntos na Fé 2026 nos dias 17 e 18 de abril, com apresentações de Aline Barros e Thiago Brado. Hoje, Ismael Batista comanda a prefeitura de Paiçandu pelo PSD.
Até aqui, ninguém questiona a fé de quem participa do evento. No entanto, a discussão real é outra. O vereador Guilherme Nunes (PL) levou à tribuna uma crítica que atinge diretamente a prioridade da gestão. Segundo a fala reproduzida em publicação nas redes, os cachês dos artistas somariam R$ 440 mil e sairiam de recurso livre da prefeitura. Ou seja, na linha do vereador, o município poderia direcionar esse dinheiro para outras áreas.
O problema não é o evento religioso
O ponto central não está no caráter religioso da programação. A questão está na escolha administrativa. Afinal, quando a prefeitura separa recurso para bancar shows, ela assume publicamente que considerou esse gasto importante. Por isso, a população tem o direito de perguntar o que ficou para depois.
Essa cobrança ganha ainda mais força porque a área da saúde segue como uma das maiores pressões em qualquer cidade. Além disso, a própria Prefeitura de Paiçandu já reconheceu, em comunicação oficial, que existe fila de espera para consultas e exames especializados. Em outra publicação, a Secretaria de Saúde admitiu que essa fila é extensa. Portanto, a pergunta não nasce de exagero político. Ela nasce de um contraste concreto.
Se a fila existe, a prioridade precisa ser explicada
É justamente aqui que o desgaste da gestão Ismael Batista cresce. Se o município admite fila por especialidades, então qualquer gasto alto com entretenimento bancado pelo caixa público naturalmente gera reação. E gera reação porque o morador compara a realidade da cidade com a decisão da prefeitura.
Em uma conta ilustrativa, R$ 440 mil poderiam financiar cerca de 4 mil consultas especializadas, caso se use como referência um valor médio de R$ 110 por atendimento. Evidentemente, essa comparação não substitui auditoria. Ainda assim, ela ajuda a mostrar o tamanho da escolha. Enquanto isso, quem espera por especialista continua olhando para a fila e perguntando onde a prefeitura decidiu colocar o dinheiro.
Guilherme Nunes levantou a pergunta que o morador faria
A fala do vereador resume bem esse desconforto. Quando Guilherme Nunes(PL) afirma que o recurso poderia reforçar saúde, educação ou esporte, ele leva o debate para o terreno que mais importa: o da prioridade orçamentária. Nesse ponto, a crítica deixa de ser apenas discurso de oposição e passa a ecoar uma dúvida legítima da população.
A pergunta, então, fica ainda mais direta: Paiçandu não tem fila de especialidades? Se tem, por que a gestão preferiu destinar essa verba para shows? E, se a prefeitura sustenta que a decisão foi correta, precisa mostrar números, critérios e justificativas claras.
Ismael Batista deve uma resposta objetiva
O prefeito Ismael Batista precisa responder sem rodeio. Quanto a prefeitura pagou, de fato, pelos artistas? De qual rubrica saiu esse valor? Quantas pessoas aguardam hoje por consulta especializada? Quais especialidades concentram a maior demanda? E, principalmente, por que a gestão entendeu que esse gasto merecia prioridade neste momento?
Sem essas respostas, a administração corre o risco de passar uma mensagem ruim. De um lado, encontra dinheiro para palco e cachê. De outro, convive com uma fila que a própria estrutura municipal já reconheceu. Assim, o debate deixa de ser sobre gosto musical ou evento religioso. O debate passa a ser sobre responsabilidade com o dinheiro público.
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No fim, a conta política é simples. Se havia dinheiro para show, a população tem o direito de cobrar por que ainda falta resposta para a fila da saúde.
Fala do vereador Guilherme Nunes:
“Poderia ser colocado pro esporte, pra saúde, pra educação, mas esse é um recurso livre.”
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