O Paraná unido e em paz existe para quem questiona o governo?
A pergunta que faço ao governador Ratinho Junior é simples, direta e necessária: que paz é essa no Paraná, onde jornalistas relatam ameaças justamente por questionarem o poder?
Ratinho Junior usou as redes sociais para condenar os ataques contra Donald Trump, nos Estados Unidos. Fez bem ao repudiar qualquer forma de violência política. No entanto, quando fala em “seguir em frente, unidos e em paz”, o governador precisa confrontar a realidade do próprio Paraná.
Eu, Gilmar Ferreira, diretor de redação de O Diário de Maringá, já recebi ameaça neste ano atribuída a político da base do governador. Além disso, o jornalista Marcos Fhormighieri também relatou ameaça feita pelo próprio pai do governador, Carlos Massa, o Ratinho. Portanto, antes de transformar a palavra paz em peça publicitária, Ratinho Junior deveria olhar para dentro do seu próprio ambiente político.
Paz não combina com intimidação
Não existe paz democrática quando jornalista precisa pensar duas vezes antes de fazer uma pergunta. Também não existe normalidade institucional quando críticas geram pressão, deboche ou ameaça.
Além disso, a imprensa não existe para agradar governador, secretário, deputado ou empresário. Jornalista pergunta, apura, confronta versões e cobra explicações. Quem ocupa cargo público deve responder com fatos, documentos e transparência, não com intimidação.
Governador fortalecido na fazenda, povo esquecido na cidade: que prefeitos são esses?
O Paraná da propaganda e o Paraná real
Na propaganda, o governo mostra um Paraná unido, eficiente e pacífico. Porém, fora do roteiro oficial, jornalistas independentes enfrentam ataques quando fiscalizam o poder.
Essa contradição precisa aparecer. Se o governo condena a violência política em Washington, também precisa condenar, com a mesma clareza, qualquer tentativa de constranger a imprensa no Paraná.
Afinal, paz não significa silêncio imposto. Paz não significa ausência de pergunta. Paz não significa aplauso por conveniência política.
Governador, paz exige coerência
Ratinho Junior tem o direito de defender união e serenidade. Entretanto, precisa demonstrar coerência. Se integrantes da base, aliados ou familiares intimidam jornalistas que questionam o governo, o discurso de paz perde força moral.
O Paraná não precisa de slogans. Precisa de respeito à imprensa, transparência pública e compromisso real com a democracia.
Enquanto jornalista receber ameaça por perguntar, a paz citada pelo governador seguirá parecendo apenas uma obra de ficção bem produzida para rede social.




