Planejameto 2026 escancara distorção: festa tem mais força que remédio e moradia em Santo Inácio

Planejameto 2026 escancara distorção: festa tem mais força que remédio e moradia em Santo Inácio


O PPA de Santo Inácio para 2026 prevê R$ 3.530.000,00 para Difusão Cultural, Turismo e História. O valor chama atenção porque supera várias áreas essenciais, como moradia, agricultura, vigilância em saúde, saúde bucal, proteção à criança, gestão do SUS e assistência farmacêutica.

O PPA é o Plano Plurianual. Em linguagem simples, ele mostra onde a prefeitura pretende gastar o dinheiro nos próximos anos. Dessa forma, o documento revela quais áreas recebem prioridade dentro da gestão pública.

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A cultura possui importância social, econômica e histórica. Contudo, em muitos municípios, essa rubrica também abre espaço para despesas com shows, estruturas, som, palco, iluminação, rodeios, cavalgadas e eventos de grande porte. Por isso, a população precisa saber exatamente como cada centavo será utilizado.

Tabela completa do PPA de Santo Inácio para 2026

ProgramaValor previsto para 2026
Gestão LegislativaR$ 3.140.000,00
Gestão Administrativa e GovernamentalR$ 9.370.000,00
Gestão da Política AgrícolaR$ 220.000,00
Controladoria GeralR$ 940.000,00
Encargos EspeciaisR$ 1.570.000,00
Gestão das Políticas AssistenciaisR$ 2.520.000,00
Educação, Formação e CidadaniaR$ 23.675.000,00
Difusão Cultural, Turismo e HistóriaR$ 3.530.000,00
Esporte e LazerR$ 1.020.000,00
Incentivo ao Desenvolvimento EconômicoR$ 790.000,00
Atenção às Obras, Viação e Serviços PúblicosR$ 27.215.000,00
Programa Pró-MoradiaR$ 10.000,00
Gestão AmbientalR$ 390.000,00
Atenção Básica em SaúdeR$ 13.120.000,00
Atenção de MAC Ambulatorial e HospitalarR$ 4.730.000,00
Vigilância em SaúdeR$ 270.000,00
Assistência FarmacêuticaR$ 970.000,00
Gestão do SUSR$ 500.000,00
Proteção à Criança e ao AdolescenteR$ 360.000,00
Programa Saúde Bucal – PSBR$ 350.000,00
TotalR$ 94.750.000,00

Comparação mostra diferença pesada

A previsão para cultura em 2026 fica muito acima de várias áreas básicas da administração pública. Veja alguns exemplos:

Área comparadaValor em 2026Cultura é quantas vezes maior
Programa Pró-MoradiaR$ 10.000,00353 vezes maior
Gestão da Política AgrícolaR$ 220.000,0016 vezes maior
Vigilância em SaúdeR$ 270.000,0013 vezes maior
Programa Saúde Bucal – PSBR$ 350.000,0010 vezes maior
Proteção à Criança e ao AdolescenteR$ 360.000,00quase 10 vezes maior
Gestão AmbientalR$ 390.000,009 vezes maior
Gestão do SUSR$ 500.000,007 vezes maior
Assistência FarmacêuticaR$ 970.000,00mais de 3 vezes maior
Esporte e LazerR$ 1.020.000,00mais de 3 vezes maior

Primeiro aprovam, depois dizem que não pode mudar

O ponto central da discussão é simples. Quando a prefeitura coloca milhões na cultura dentro do orçamento, cria a base legal para gastos futuros com eventos. Depois disso, quando surgem shows caros, rodeios ou estruturas milionárias, a resposta normalmente aparece pronta: “o dinheiro já estava previsto para cultura”.

Entretanto, a população precisa perguntar quem definiu essa prioridade. Afinal, quem votou o orçamento? Quem aprovou os valores? Quem realizou a fiscalização? Essas perguntas precisam surgir antes da montagem do palco e não apenas depois da assinatura dos contratos.

Além disso, o gasto nasce no PPA, passa pela Lei Orçamentária e, posteriormente, chega aos contratos de shows, eventos, cavalgadas e rodeios. Portanto, não adianta alegar depois que os recursos não podem ser direcionados para remédios, moradia ou saúde. Se a Câmara aprovou antes, ela também possui responsabilidade política pelas prioridades do município.

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Câmara precisa explicar o silêncio

A Câmara de Vereadores possui obrigação constitucional de fiscalizar o orçamento público. Por isso, precisa questionar a prefeita Geny Violato sobre a diferença entre os recursos destinados à cultura e os valores previstos para áreas essenciais.

Além disso, outro ponto político gera questionamentos nos bastidores. Existem relatos sobre supostos cargos de confiança envolvendo familiares ligados ao grupo político local. Caso essas informações sejam confirmadas oficialmente, a população também possui o direito de perguntar se esse ambiente político contribui para a falta de questionamentos mais firmes dentro do Legislativo.

Diante disso, a população precisa saber se a Câmara realmente fiscaliza os gastos públicos ou apenas aprova automaticamente o que chega do Executivo.

Cultura não pode virar cheque em branco

Ninguém precisa ser contra cultura para cobrar transparência. Pelo contrário, cultura séria envolve artistas locais, oficinas, turismo responsável, preservação histórica e formação social. Contudo, quando o orçamento ultrapassa R$ 3,5 milhões, o município precisa detalhar cada destino do dinheiro público.

A população tem o direito de saber quanto irá para artistas locais, quanto será usado em shows, quanto custará palco, som, iluminação, estruturas e demais eventos.

Enquanto isso, o Programa Pró-Moradia recebe apenas R$ 10 mil. A Vigilância em Saúde fica com R$ 270 mil. A Saúde Bucal recebe R$ 350 mil. Já a Proteção à Criança e ao Adolescente possui previsão de R$ 360 mil. Além disso, a Assistência Farmacêutica, ligada diretamente aos remédios, recebe R$ 970 mil.

Diante desse cenário, surge uma pergunta inevitável: Santo Inácio quer priorizar serviços essenciais ou transformar eventos em prioridade máxima do orçamento público?

Questionamento político precisa ser esclarecido

A prefeita Geny Violato precisa informar de forma transparente como pretende utilizar os R$ 3,53 milhões previstos para cultura. Da mesma maneira, os vereadores precisam explicar se analisaram profundamente esses números antes da aprovação do planejamento.

Além disso, outra pergunta começa a circular nos bastidores políticos do município. Será que os valores elevados destinados à cultura e que posteriormente podem financiar shows e eventos possuem relação com o fato de que, segundo comentários políticos locais, quem supostamente intermediaria contratações teria ligação familiar com integrantes da administração municipal e do Legislativo?

Esse questionamento ganha ainda mais repercussão porque há relatos de que a pessoa apontada como suposto intermediador seria sogro do secretário de Planejamento e Finanças, ocupante de cargo de confiança e sobrinho do secretário da Câmara, Laercio Turcato.

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Redação O Diário de Maringá

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