Gabinete de Sergio Moro deve explicar situação funcional do delegado Kiq

Gabinete de Sergio Moro deve explicar situação funcional do delegado Kiq


O caso do delegado Carlos Henrique Rossato Gomes, que aparece como assessor parlamentar do senador Sergio Moro, exige análise rigorosa, cautelosa e transparente. Segundo dados informados ao O Diário de Maringá, ele recebeu em abril de 2026 R$ 24.217,46 líquidos como delegado e mais R$ 7.775,33 líquidos como assessor parlamentar.

Com isso, a soma dos dois valores líquidos chegou a R$ 31.992,79 no mesmo mês.

Portanto, a pergunta não é apenas jurídica. Ela também é moral: é justo que a maior parte da remuneração venha do cargo de delegado, enquanto o servidor atua como assessor parlamentar em Brasília?

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Legalidade não encerra o debate

A Constituição Federal permite acúmulo de cargos públicos apenas em situações excepcionais. Em regra, esse acúmulo é proibido. Além disso, a administração pública deve obedecer aos princípios da legalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

Por essa razão, o caso exige respostas objetivas.

Carlos Henrique está licenciado da função de delegado?
Existe cessão formal ao Senado?
O servidor exerce atividade policial no Paraná?
Há compatibilidade real de horários?
Qual autoridade autorizou eventual acúmulo?
O Senado tinha ciência da remuneração estadual?
O Governo do Paraná sabia da remuneração no Senado?

Essas perguntas não antecipam culpa. Ao contrário, elas reforçam a fiscalização pública.

A função de delegado exige presença e dedicação

Delegado de polícia não ocupa cargo comum. Trata-se de função essencial à investigação criminal, à segurança pública e à proteção da sociedade.

Por isso, causa estranheza quando a maior parte dos vencimentos vem justamente do cargo policial. Ao mesmo tempo, o servidor também aparece como assessor parlamentar de um senador da República.

Se ele recebeu R$ 24.217,46 líquidos como delegado, a sociedade tem o direito de saber qual atividade policial desempenhou em abril de 2026.

Da mesma forma, ao receber R$ 7.775,33 líquidos como assessor de Sergio Moro, também precisa explicar qual jornada cumpriu no gabinete parlamentar.

O contribuinte paga a conta

O ponto central é simples: dinheiro público exige explicação pública.

O cidadão comum dificilmente consegue manter dois empregos públicos de alta responsabilidade sem prestar contas. Nesse contexto, por que um agente público poderia receber duas remunerações sem esclarecimento transparente?

Ainda que exista ato administrativo autorizando a situação, a moralidade pública continua em debate.

Afinal, o problema não está apenas em saber se “pode”. O problema está em saber se é correto.

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Sergio Moro também deve explicações

Como senador e ex-juiz federal, Sergio Moro construiu sua imagem pública em torno do discurso de combate a privilégios, defesa da moralidade e rigor com o dinheiro público.

Assim, seu gabinete precisa esclarecer se verificou a situação funcional do assessor antes da nomeação.

Também deve explicar se tinha conhecimento da remuneração recebida como delegado no Paraná.

Não se trata de ataque pessoal. Trata-se de coerência pública.

Transparência é obrigação, não favor

O Senado Federal, o Governo do Paraná e a Polícia Civil precisam esclarecer o caso.

Se tudo ocorreu dentro da lei, os órgãos responsáveis devem apresentar os atos formais.

Caso tenha havido licença, que publiquem a licença.

Na hipótese de cessão, que mostrem a cessão.

Se existiu compatibilidade de horário, que comprovem essa compatibilidade.

A sociedade não pode aceitar silêncio quando o assunto envolve quase R$ 32 mil líquidos pagos no mesmo mês com recursos públicos.

Conclusão

O Brasil não precisa apenas de legalidade aparente. Precisa, sobretudo, de moralidade concreta.

No caso do delegado Carlos Henrique Rossato Gomes, assessor parlamentar do senador Sergio Moro, a pergunta permanece:

é justo receber R$ 24.217,46 líquidos como delegado e mais R$ 7.775,33 líquidos como assessor parlamentar, enquanto a sociedade não sabe se a função policial foi efetivamente exercida?

Essa resposta não pode ficar escondida nos corredores da burocracia.

Ela pertence ao contribuinte.

TV Diário
Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira

Perfil Profissional: Gilmar Ferreira (MTB 0011341/PR) Gilmar Ferreira consolida uma carreira multifacetada como jornalista, apresentador de programas de TV e mestre de cerimônias, unindo o rigor da investigação à fluidez da comunicação ao vivo. Com atuação destacada no Paraná e Santa Catarina, ele imprime autoridade técnica e sensibilidade humana em cada projeto que lidera. Atuação Estratégica Atual Diretor de Redação: O Diário de Maringá. Comentarista: Programa Paraná Cidadesno Canal 10.1 e RDR FM 93,3. Mestre de Cerimônias: Atuação oficial em eventos de destaque no Estado do Paraná. Experiência em Televisão Reconhecido pela presença de vídeo e condução de pautas complexas, Gilmar atuou como apresentador de programas e âncora nas seguintes emissoras: TV Maringá (Band) RIC TV Maringá (Record) Record News (Rede Mercosul) RTV 10 Maringá Trajetória no Rádio Com passagens por emissoras líderes de audiência, sua voz é referência em informação e entretenimento: Paraná: Jovem Pan FM, Metropolitana FM, Rede de Rádios, Globo FM, Rádio Colorado AM e Eden FM. Santa Catarina: Rádio Menina FM e Rádio Globo AM (Blumenau)

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