Fibromialgia ainda enfrenta desinformação e diagnóstico tardio

Fibromialgia ainda enfrenta desinformação e diagnóstico tardio


Fibromialgia ainda enfrenta desinformação e diagnóstico tardio, alerta especialista no Dia Nacional de Conscientização

Celebrado em 12 de maio, o Dia Nacional de Conscientização e Enfrentamento da Fibromialgia reforça a importância do diagnóstico clínico correto e do tratamento multidisciplinar

Dor no corpo inteiro, cansaço constante, sono ruim, ansiedade e dificuldade para manter a rotina. Apesar de afetar milhões de brasileiros, a fibromialgia ainda é cercada de desinformação, dúvidas e preconceitos. No Dia Nacional de Conscientização e Enfrentamento da Fibromialgia, celebrado em 12 de maio, especialistas alertam para a importância de ampliar o conhecimento sobre a doença e combater o diagnóstico tardio.

De acordo com o reumatologista Eduardo Paiva, muitos pacientes ainda passam anos procurando respostas até chegar ao diagnóstico correto. “A fibromialgia é uma síndrome dolorosa crônica do corpo inteiro, causada por um aumento da sensibilidade à dor no sistema nervoso central. A pessoa sente mais dor porque o sistema nervoso está regulado para sentir mais dor, principalmente dor muscular”, explica.

Segundo o médico, além da dor generalizada, a doença costuma provocar diversos sintomas que impactam diretamente a qualidade de vida. Entre eles estão sono não reparador, fadiga intensa, ansiedade, depressão e alterações funcionais, como maior sensibilidade intestinal e urinária.

A Sociedade Paranaense de Reumatologia reforça que um dos principais desafios ainda é a falta de informação sobre a doença, inclusive entre parte da população e profissionais da saúde. Estima-se que a fibromialgia atinja cerca de 3% da população brasileira, com predominância em mulheres.

O diagnóstico da fibromialgia é essencialmente clínico e depende de uma avaliação detalhada do paciente. “O diagnóstico acontece por meio de uma boa conversa, histórico clínico e exame físico. Os exames laboratoriais e de imagem não confirmam fibromialgia. Eles servem principalmente para afastar outras doenças e precisam ser interpretados com cautela”, ressalta Dr. Eduardo Paiva.

Outro ponto frequentemente destacado pelos especialistas é que o tratamento vai muito além dos medicamentos. A abordagem considerada mais eficaz envolve estratégias não farmacológicas e mudanças no estilo de vida.

“O principal tratamento da fibromialgia é não medicamentoso. Envolve educação sobre a doença, atividade física aeróbica, alongamentos e terapia cognitivo-comportamental, que ajuda bastante no manejo da dor crônica”, explica o reumatologista.

As medicações, segundo ele, têm papel complementar. “Os medicamentos ajudam a melhorar o sono, diminuir sintomas como ansiedade e depressão e reduzir parcialmente a dor, mas eles não podem ser o único tratamento. O objetivo é permitir que a pessoa consiga retomar as atividades do dia a dia e praticar exercícios físicos”, completa.

A conscientização sobre a fibromialgia também busca reduzir o preconceito enfrentado por pacientes que convivem diariamente com dores persistentes e sintomas invisíveis. O alerta dos especialistas é para que sinais frequentes e prolongados não sejam ignorados e que o acompanhamento médico especializado seja procurado o quanto antes.

TV Diário
Mirella Pasqual

Mirella Pasqual

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