Inadimplência cresce 8,6% no Paraná e dívida média supera R$ 6,1 mil, aponta SPC Brasil

Inadimplência cresce 8,6% no Paraná e dívida média supera R$ 6,1 mil, aponta SPC Brasil


O número de consumidores inadimplentes no Paraná voltou a crescer em abril de 2026 e acendeu um alerta para o aumento do endividamento das famílias. Dados divulgados pelo SPC Brasil, sistema utilizado pela Associação Comercial e Empresarial de Maringá (Acim), mostram que a inadimplência avançou 8,6% em relação ao mesmo período do ano passado.

Apesar do crescimento, o índice paranaense ficou abaixo da média da Região Sul, que atingiu 9,9%, e também abaixo da média nacional, de 9,2%. Ainda assim, os números revelam um cenário de pressão financeira persistente sobre os consumidores.

Além disso, na comparação entre março e abril deste ano, o total de inadimplentes no Estado aumentou 1,2%, demonstrando que o problema continua em expansão.

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Dívida média ultrapassa R$ 6 mil no Paraná

Em abril, cada consumidor negativado no Paraná acumulava, em média, R$ 6.158,82 em dívidas. O levantamento mostra que 24% dos inadimplentes possuíam débitos de até R$ 500. Quando consideradas dívidas de até R$ 1 mil, o percentual sobe para 35,8%.

Outro dado que chama atenção envolve o tempo médio de atraso. Atualmente, os consumidores negativados permanecem, em média, 29,4 meses com dívidas em aberto.

A maior concentração de inadimplentes está entre pessoas que possuem débitos atrasados entre um e três anos, grupo que representa 34,3% do total.

Além disso, a faixa etária de 30 a 39 anos lidera o ranking de inadimplência, com participação de 26%. Já na divisão por sexo, os índices ficaram praticamente equilibrados: 50,5% mulheres e 49,5% homens.

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Bancos concentram maior volume de dívidas

O número de dívidas em atraso também cresceu no Paraná. Em abril, a alta foi de 16,3% na comparação anual. Embora o percentual tenha ficado abaixo da média da Região Sul, de 18%, e da nacional, de 16,9%, o avanço reforça a deterioração do crédito no Estado.

Na comparação mensal, o aumento chegou a 2,3%.

Os bancos concentram a maior parte das dívidas em atraso no Paraná, respondendo por 61,9% do total. Em seguida aparecem:

  • Outros setores: 12,5%
  • Comércio: 11,2%
  • Comunicação: 7,9%
  • Água e luz: 6,3%

Segundo o SPC Brasil, cada consumidor inadimplente possuía, em média, 2,5 dívidas em aberto em abril.

Reincidência preocupa e atinge quase 87%

O relatório aponta ainda um dado considerado preocupante pelos especialistas em crédito: 86,9% das negativações registradas em abril foram de consumidores reincidentes.

Isso significa que a maioria das pessoas negativadas já havia aparecido nos cadastros de inadimplência nos últimos 12 meses.

Do total registrado:

  • 68,7% ainda não haviam quitado dívidas antigas;
  • 18,1% chegaram a limpar o nome, mas voltaram a ficar inadimplentes.

Entre os reincidentes, o intervalo médio entre uma dívida vencida e outra foi de 69,9 dias.

Nos últimos 12 meses encerrados em abril de 2026, o número de devedores reincidentes cresceu 15,6% no Paraná. Mais uma vez, a faixa etária de 30 a 39 anos liderou os registros, com participação de 28,8%.

Recuperação de crédito registra queda

Enquanto a inadimplência sobe, a recuperação de crédito apresentou retração no Estado.

O número de consumidores que conseguiram quitar dívidas caiu 3% em abril na comparação com o mesmo mês de 2025.

O resultado ficou melhor que a média da Região Sul, que teve queda de 7,7%, mas ligeiramente abaixo da média nacional, que registrou retração de 2,9%.

Entre os consumidores que regularizaram os débitos, o tempo médio para pagamento foi de 10,7 meses. Além disso, metade dos acordos, equivalente a 50,1%, ocorreu em até 90 dias.

Em média, cada consumidor recuperado pagou R$ 3.447,18 para limpar o nome.

A faixa etária com maior participação entre os consumidores que conseguiram recuperar crédito foi a de 50 a 64 anos, representando 26,3% do total.

Especialistas alertam para uso consciente do crédito

O avanço contínuo da inadimplência reforça o impacto dos juros elevados, do custo de vida e da redução da capacidade de pagamento das famílias.

Além disso, o crescimento da reincidência mostra que muitos consumidores conseguem renegociar dívidas momentaneamente, porém voltam a enfrentar dificuldades financeiras pouco tempo depois.

Diante desse cenário, entidades do setor orientam que o consumidor priorize organização financeira, renegociação de débitos e cautela no uso do crédito, principalmente em empréstimos bancários e cartões.

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Redação O Diário de Maringá

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