IA em propaganda oficial do Governo Ratinho Junior pode enganar eleitor em ano decisivo
A publicidade oficial com inteligência artificial deveria ser proibida quando cria a impressão de que obras públicas já estão prontas, funcionando ou entregues. No Paraná, esse debate ganha força diante de peças do governo Ratinho Junior que mostram imagens perfeitas, locuções otimistas e cenários que, para quem não mora na localidade, podem parecer realidade concluída.
O caso do Hospital Municipal de Paiçandu ilustra bem esse problema. O próprio Governo do Paraná informou, em abril de 2026, que Ratinho Junior autorizou a construção da unidade, com investimento previsto de R$ 40 milhões. Portanto, trata-se de uma obra anunciada, não de um hospital já em funcionamento.
Ainda assim, quando a propaganda utiliza imagens artificiais muito bem produzidas, áudio institucional e linguagem de realização, o cidadão pode entender outra coisa. Além disso, em ano eleitoral, esse tipo de comunicação potencializa o grupo político do governador. Afinal, transforma promessa, projeto ou obra em andamento em ativo político imediato.
Veja o caso de obras como o novo hospital de Paiçandu: mesmo sem existir nada no local, a publicidade faz parecer que a estrutura já está pronta.
Obra anunciada não é obra entregue
O poder público tem o direito de informar. No entanto, informar não é o mesmo que induzir percepção. Por isso, toda peça oficial deveria trazer avisos claros, visíveis e repetidos: “imagem gerada por inteligência artificial”, “obra ainda não entregue”, “projeto em fase inicial” ou “previsão sujeita a alterações”.
A PR-317 também mostra o risco desse modelo. O Governo do Paraná divulgou que a duplicação entre Maringá e Iguaraçu chegou a 82% em março de 2026. Porém, em maio, o Tribunal de Contas do Estado apontou falhas nas obras e emitiu determinações ao DER-PR. A decisão ainda admite recurso, mas revela que propaganda não substitui fiscalização.
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Publicidade oficial não pode virar vantagem eleitoral
Em uma democracia, a comunicação pública deve prestar contas. Portanto, ela não pode funcionar como vitrine eleitoral disfarçada. Quando o governo usa dinheiro público para mostrar obras com aparência de entrega definitiva, cria uma vantagem indevida para seus candidatos e aliados.
O problema fica ainda mais grave quando a obra não saiu do papel, está atrasada, enfrenta questionamentos técnicos ou depende de licitação, execução e entrega. Nesse caso, a inteligência artificial não informa. Ela embeleza. E, ao embelezar demais, pode enganar.
O mínimo seria transparência obrigatória
O Paraná precisa discutir uma regra objetiva. Em publicidade oficial, imagens feitas por IA deveriam ter identificação obrigatória. Além disso, obras não entregues deveriam aparecer com seu estágio real: projeto, licitação, ordem de serviço, execução, paralisação ou entrega.
Sem isso, o governo vende um Paraná de tela, enquanto o cidadão vive o Paraná da estrada inacabada, do hospital prometido e da fiscalização posterior.
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