Abordagem integrada orienta tratamento da obesidade
A obesidade é influenciada por fatores como genética, hormônios, comportamento e ambiente, além de envolver mecanismos complexos de regulação do balanço energético. Trata-se de uma doença crônica na qual vias metabólicas, entéricas e neuroendócrinas atuam de forma integrada na regulação da ingestão e do gasto energético, conforme revisão médica publicada no PubMed Central.
O tratamento da obesidade pode incluir intervenções no estilo de vida, farmacoterapia e cirurgia bariátrica, com destaque crescente para o avanço de terapias medicamentosas que atuam em múltiplas vias hormonais.
Um estudo aponta que os novos medicamentos vêm ampliando a eficácia da perda de peso e a melhora de parâmetros metabólicos, ao mesmo tempo em que a cirurgia bariátrica mantém resultados superiores em casos selecionados.
A Dra. Karina Tabet, médica com atuação em emagrecimento e saúde metabólica, pontua que o ganho de peso raramente está relacionado apenas ao excesso calórico. "Entre os principais fatores envolvidos estão alterações da tireoide, desequilíbrios hormonais, aumento do cortisol relacionado ao estresse crônico, distúrbios do sono, inflamação de baixo grau, alterações intestinais e deficiência de micronutrientes. Muitas vezes, o ganho de peso é apenas o reflexo de um organismo em desequilíbrio", alerta.
Para a médica, a saúde mental também exerce um papel central, no qual ansiedade, compulsão alimentar, sobrecarga emocional e estresse impactam diretamente a regulação da fome, da saciedade e das escolhas alimentares: "Na prática clínica, isso significa que o corpo responde não apenas ao que se come, mas também ao estado emocional e à forma como o metabolismo está estruturado."
Um artigo publicado na SciELO Brasil aponta que hábitos como alimentação inadequada e sedentarismo levam a alterações no funcionamento do organismo, especialmente na forma como o corpo processa a glicose e os lipídios, com destaque para a resistência à insulina. Esse conjunto de mudanças interfere no equilíbrio hormonal e metabólico, favorecendo o acúmulo de gordura corporal e o surgimento de doenças associadas.
"Quando o paciente entende que se trata da construção de hábitos consistentes, ele passa a agir com mais estratégia e menos impulsividade, e isso impacta diretamente a biologia. Sono, alimentação, treino e gestão do estresse passam a ser prioridades, o que regula fome, saciedade, inflamação e resposta do organismo ao tratamento. Essa mudança de mentalidade transforma o resultado em algo sustentável", declara a médica.
Segundo uma revisão publicada na Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences (BJIHS), estratégias que associam reeducação alimentar, atividade física, acompanhamento comportamental e farmacoterapia apresentam melhores resultados na perda de peso e na melhora de parâmetros metabólicos. O estudo reforça que a manutenção dos resultados depende de acompanhamento prolongado e adesão às recomendações ao longo do tempo.
Para a Dra. Karina Tabet, um dos principais erros cometidos por quem tenta emagrecer sem acompanhamento médico é buscar soluções rápidas — como uso indiscriminado de medicações, dietas extremamente restritivas, baixa ingestão proteica e ausência de treino de força — sem compreender os fatores individuais envolvidos no próprio organismo. "Além disso, alterações hormonais, intolerâncias ou sensibilidades alimentares e processos inflamatórios podem estar presentes, atrapalhando a perda de peso", conta.
A médica explica que, quando o paciente força o emagrecimento com estratégias superficiais, o problema-base permanece e gera resultados inconsistentes, dificuldade de evolução e, muitas vezes, o "efeito sanfona".
"Essas práticas também podem levar à perda de massa muscular, deficiências nutricionais, piora da compulsão alimentar e alterações metabólicas importantes. O emagrecimento bem conduzido trata a causa, preserva a saúde e melhora a qualidade corporal de forma estratégica", salienta a Dra. Karina Tabet.
Plano estruturado de tratamento
Segundo a médica, é fundamental investigar a causa do desequilíbrio antes de iniciar qualquer tratamento para emagrecimento, por meio de uma análise detalhada e um acompanhamento próximo, que permita ajustes contínuos ao longo de todas as etapas e resulte em um plano personalizado.
De acordo com a Dra. Karina Tabet, um olhar ampliado sobre o paciente, com avaliação de história clínica, rotina, padrão alimentar, sono, nível de estresse, sintomas, uso prévio de medicações, exames laboratoriais e composição corporal, revela informações que um acompanhamento convencional não conseguiria identificar.
Conforme acrescenta a profissional, a bioimpedância detalha a qualidade do peso do paciente, enquanto exames laboratoriais ajudam a identificar alterações hormonais, inflamação, deficiências nutricionais e outros fatores que impactam o metabolismo. "Em alguns casos, são utilizados testes genéticos como ferramenta complementar, que podem trazer informações sobre predisposição metabólica, resposta a nutrientes, inflamação e comportamento alimentar".
A Dra. Karina Tabet reitera que os tratamentos clínicos mais modernos representam um avanço importante no manejo da obesidade, especialmente pelas medicações que atuam diretamente nos mecanismos de fome, saciedade e controle metabólico. No entanto, enfatiza que a medicação é uma ferramenta e deve ser utilizada com critério.
A Diretriz Brasileira de Tratamento Farmacológico da Obesidade estabelece que o tratamento da doença deve ser contínuo e individualizado, combinando intervenções no estilo de vida com farmacoterapia e, quando indicado, cirurgia. O documento reforça que a escolha terapêutica deve considerar comorbidades, segurança, tolerabilidade e resposta clínica, e a importância de reavaliações periódicas e manutenção do tratamento em longo prazo.
"Mais do que promover perda de peso, o objetivo é restaurar equilíbrio hormonal e fisiológico, preservar massa muscular e construir resultados sustentáveis com segurança, estratégia e individualização", finaliza.
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