Amigo de Ratinho pai, cargo de confiança no Porto de Antonina e salário próximo de governador: o que explica tanta irritação?

Amigo de Ratinho pai, cargo de confiança no Porto de Antonina e salário próximo de governador: o que explica tanta irritação?


José Carlos Romagnolo Coltro não era pauta do O Diário de Maringá.

Até então, o jornal não investigava sua atuação, não havia publicado reportagem sobre ele e sequer tinha citado seu nome.

A matéria também não mencionava o Porto de Antonina.

Mesmo assim, bastou uma reportagem questionando o governador Ratinho Junior para que Coltro entrasse nas redes sociais do O Diário de Maringá com palavras agressivas contra o veículo e contra o jornalista responsável pela publicação.

Por isso, a reação chamou atenção.

Afinal, por que alguém que não foi citado em uma reportagem ficou tão incomodado com perguntas feitas ao governo do Estado?

A reportagem não falava dele

O tema da matéria era outro.

O Diário de Maringá questionava relatos e denúncias políticas sobre uma suposta pressão para que prefeitos e deputados apoiassem o nome de Sandro Alex na disputa pelo Governo do Paraná.

Portanto, o assunto era de interesse público.

Quando existe suspeita de pressão política, a imprensa tem obrigação de perguntar. Além disso, questionar não é atacar, fiscalizar não é perseguir e cobrar explicações faz parte do trabalho jornalístico.

Mesmo assim, segundo prints preservados pelo jornal, José Coltro utilizou palavras chulas e comentários agressivos nas redes sociais do O Diário.

teu cu
teu cu

A partir desse momento, surgiu uma nova pauta.

Quem é José Carlos Romagnolo Coltro?

Depois dos ataques, o jornal decidiu verificar quem era a pessoa que demonstrava tanta irritação com uma reportagem que sequer mencionava seu nome.

Os dados encontrados estão no Portal da Transparência.

Segundo os registros oficiais, José Carlos Romagnolo Coltro ocupa um cargo de confiança na Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA), atuando na Assessoria Especial do Porto de Antonina.

O vínculo aparece como ativo, o regime jurídico é CLT e a função está identificada como cargo de confiança.

Além disso, os valores recebidos chamam atenção.

O Portal da Transparência registra remuneração bruta de R$ 34.501,56 em abril de 2026. Já em março de 2026, o valor bruto chegou a R$ 40.269,60, considerando verbas como férias e outros pagamentos previstos em lei.

Salário próximo ao do governador

Os números ganham ainda mais relevância quando comparados ao salário do governador do Paraná.

Atualmente, o subsídio de Ratinho Junior é de R$ 33.763,00.

Assim, em determinados meses, o ocupante de um cargo de confiança no Porto de Antonina recebeu remuneração bruta superior ao salário do próprio governador.

Isso não significa, por si só, ilegalidade. No entanto, é um dado público que aumenta o interesse da sociedade em saber quem ocupa esses cargos e quais critérios foram utilizados para a nomeação.

Afinal, quem recebe recursos públicos nessa faixa salarial deve estar preparado para prestar contas à população.

Educação também faz parte do cargo

Ninguém é obrigado a concordar com uma reportagem nem a gostar da linha editorial de um jornal.

Entretanto, existe uma diferença clara entre discordar e atacar.

Quem ocupa cargo de confiança representa uma instituição pública. Por essa razão, espera-se equilíbrio, respeito e postura compatível com a responsabilidade da função.

O contribuinte que paga salários dessa magnitude tem o direito de esperar comportamento institucional.

Por isso, causa estranheza que alguém em uma função tão relevante tenha escolhido responder a questionamentos jornalísticos com agressividade.

A crítica é legítima. A ofensa, porém, não é.

A proximidade com Ratinho pai gera perguntas

Outro fato também desperta interesse público.

José Coltro é frequentemente visto em pescarias, rodas de viola e encontros com Ratinho, pai do governador Ratinho Junior.

As imagens e registros são conhecidos por diversas pessoas do meio político.

Essa proximidade não prova irregularidade nem significa, automaticamente, favorecimento.

Ainda assim, ela gera perguntas que merecem resposta.

Qual foi o critério utilizado para a escolha de José Coltro para o cargo de confiança que ocupa atualmente?

A indicação foi exclusivamente técnica?

Houve participação de lideranças políticas?

Ratinho pai teve alguma influência na nomeação?

Até o momento, este jornal não possui documentos que comprovem interferência direta.

Por essa razão, não afirma.

Hélio fala em perseguição, mas onde estão os documentos que poderiam encerrar a polêmica?

Mesmo assim, também não ignora que existe uma relação de proximidade conhecida e um cargo público com remuneração elevada.

O que realmente incomodou?

A pergunta continua sem resposta.

José Coltro não reagiu a uma matéria sobre sua atuação no Porto de Antonina. Na verdade, ele reagiu a uma reportagem que questionava Ratinho Junior.

Ele também não entrou nas redes sociais para explicar sua função pública. Preferiu atacar uma publicação que cobrava explicações do governo sobre pauta que não o mencionava.

Diante disso, surge uma dúvida simples.

O que incomodou tanto?

A pergunta feita ao governador?

A discussão envolvendo Sandro Alex?

Ou o fato de que alguém resolveu fiscalizar o poder?

O Diário continuará fazendo perguntas

O Diário de Maringá não existe para agradar governos, políticos ou grupos de poder.

Sua função é informar a população, fiscalizar o uso do dinheiro público e fazer perguntas que muitos preferem evitar.

Portanto, o jornal continuará questionando governadores, prefeitos, deputados, secretários e ocupantes de cargos de confiança.

Também continuará analisando nomeações, acompanhando gastos públicos e investigando situações que envolvam interesse coletivo.

Porque a democracia não depende de silêncio.

Depende de transparência.

E quando uma simples pergunta gera tanto incômodo, talvez ela seja mais necessária do que nunca.

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Redação O Diário de Maringá

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