Tutora de Neguinha fala ao O Diário e revela detalhes do caso que chocou Santo Inácio
Josilene Alves dos Reis, moradora da Rua Zulmira Santos Godoy, em Santo Inácio, e responsável pela cadela Neguinha, afirmou ao O Diário de Maringá que o animal havia sido adotado após viver nas ruas e estava com a família havia cerca de seis anos. Segundo ela, a agressão teria começado depois que a cadela entrou em um quintal e matou um pintinho. Parte das informações relatadas por Josilene foi repassada a ela por vizinhos que acompanharam o episódio.
Ouça:
A tutora da cadela Neguinha, vítima de um caso de maus-tratos registrado em Santo Inácio, falou com exclusividade à redação de O Diário de Maringá sobre o que aconteceu no dia da ocorrência.
Josilene contou que havia acabado de chegar do trabalho quando ouviu movimentação na rua. Ela estava no banho quando a mãe entrou no banheiro e avisou que Neguinha estava sendo agredida.
“Minha mãe estava fazendo a janta. Quando eu pensei que não, escutamos uns barulhos lá fora. Até então, a gente achou que eram as crianças. Aí ela entrou no banheiro gritando para mim, falando que a Neguinha tinha sido morta a chutes”, relatou.
Josilene afirmou que se vestiu rapidamente e saiu de casa. Quando chegou à rua, segundo ela, a agressão já havia ocorrido e o animal tinha sido levado para o quintal de um homem que mora nas proximidades.
Neguinha havia sido adotada há seis anos
Segundo Josilene, Neguinha vivia com a família havia aproximadamente seis anos.
A cadela, conforme o relato, havia vivido nas ruas de Lupionópolis antes de ser adotada.
“Ela estava seis anos comigo e ela era de rua, de Lupionópolis. Eu peguei e adotei”, contou.
Josilene disse que Neguinha costumava sair para fazer as necessidades, mas permanecia normalmente perto da residência.
“Ela nunca mordeu ninguém, nunca foi para cima de ninguém. Ficava ali nessa rua”, afirmou.
Pintinho teria motivado reação
De acordo com Josilene, moradores relataram que Neguinha teria entrado no quintal de uma residência próxima e matado um pintinho.
Ela afirmou que não sabia que isso havia ocorrido e que poderia ter ressarcido o proprietário do animal.
“Se fosse lá na minha casa e cobrasse o pintinho, era melhor. Eu não sabia que ela estava matando o pintinho”, disse.
Segundo a tutora, o episódio envolvendo o pintinho teria motivado a reação do homem posteriormente detido.
Essa versão sobre a motivação foi relatada por Josilene à reportagem e ainda depende das conclusões da investigação policial.
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Vizinha gravou episódio para apresentar à polícia
Josilene afirmou que não conseguiu assistir integralmente ao vídeo registrado por uma moradora.
Segundo ela, a vizinha decidiu gravar a ocorrência para produzir uma prova do que estava acontecendo e apresentar as imagens à polícia.
“Eu pedi para ver o vídeo. Na hora que eu vi uma parte, não consegui ver mais”, afirmou.
Por isso, Josilene ressaltou que vários detalhes sobre a agressão foram contados a ela pelas pessoas que presenciaram a ocorrência.
“Eu não sei te contar os detalhes. Estou te contando o que os outros que conseguiram ver e a menina que filmou viram”, declarou.
Animal ainda apresentava sinais de vida
Quando conseguiu se aproximar de Neguinha, Josilene disse ter encontrado a cadela gravemente ferida, mas ainda com sinais de vida.
Uma médica-veterinária foi chamada e retirou o animal do local para atendimento em uma clínica.
“A veterinária foi, buscou e levou para a clínica”, relatou.
Josilene disse que ficou abalada ao encontrar a cadela após a agressão.
Polícia foi chamada
A Polícia Militar foi acionada durante a ocorrência.
De acordo com Josilene, o homem apontado como responsável pela agressão, Sergio Furlan, também teria apresentado comportamento agressivo durante a abordagem policial.
Ela afirmou ainda que acreditava que ele estivesse alcoolizado. Essa informação corresponde ao relato da tutora e não representa, por si só, confirmação por exame ou laudo oficial.
“Eu não sei quem é esse homem. O irmão dele eu sei quem é, mas ele eu não conheço”, disse.
Josilene afirmou conhecer apenas alguns familiares do suspeito.
O caso passou a ser investigado pelas autoridades competentes.
A vizinha que registrou parte do episódio envolvendo Neguinha estaria com medo de sofrer retaliações por ter filmado a agressão sem intervir diretamente.
Segundo relato da tutora de Neguinha ao O Diário de Maringá, a mulher estava acompanhada do filho de 5 anos, que chorava diante da situação. Ela permaneceu junto à criança enquanto fazia a gravação.
As imagens, no entanto, tiveram importância para documentar o que aconteceu e poderão contribuir para a apuração das autoridades.
O caso não pode provocar uma nova onda de violência. Eventuais responsabilidades pelo que aconteceu com Neguinha devem ser apuradas pela polícia e pelo Poder Judiciário. Da mesma forma, ameaçar, agredir ou tentar promover qualquer tipo de retaliação contra a mulher que fez a gravação pode gerar responsabilização criminal.
Isso também vale para o homem apontado como responsável pela agressão ao animal. A indignação da população não autoriza ameaças, agressões ou linchamento.
Não se faz justiça com as próprias mãos. Quem pratica uma nova violência pode deixar a posição de manifestante indignado e passar à condição de investigado pela prática de outro crime.
A entrevista concedida por Josilene acrescenta novos detalhes sobre a história de Neguinha e sobre os momentos anteriores e posteriores ao episódio registrado em Santo Inácio.



