Do pouso forçado ao TCE: nova turbulência atinge a campanha de Sandro Alex
O Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) recebeu denúncia sobre o helicóptero utilizado pelo candidato ao Governo do Paraná Sandro Alex Cruz de Oliveira (PSD) durante compromissos político-eleitorais em Rio Negro e Quitandinha, no dia 2 de agosto de 2026.
O processo tramita sob o número 476070/26. O advogado Jorge Augusto Derviche Casagrande apresentou a denúncia contra o Estado do Paraná e pediu que o Tribunal descubra qual aeronave transportou Sandro Alex, quem a operava e quem pagou pelo voo.
A apuração representa mais uma turbulência na campanha do candidato. No entanto, o TCE-PR ainda não apontou irregularidade nem responsabilizou Sandro Alex. O conselheiro Maurício Requião de Mello e Silva deixou claro que o Tribunal somente poderá chegar a uma conclusão depois da fase de instrução.
TCE inclui Sandro Alex no processo
Maurício Requião recebeu formalmente a denúncia e determinou a inclusão de Sandro Alex Cruz de Oliveira no polo passivo.
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Além disso, o relator mandou citar o candidato e o Estado do Paraná. Os dois terão prazo de 15 dias para apresentar defesa sobre os fatos relatados.
O Tribunal também quer documentos que permitam reconstruir o voo.
Entre as informações exigidas estão a identificação do helicóptero, o plano de voo, o registro da aeronave na Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e os comprovantes de pagamento dos custos referentes ao deslocamento.
Depois das manifestações, a 4ª Inspetoria de Controle Externo e o Ministério Público de Contas deverão analisar o caso. Em seguida, o processo retornará ao relator.
Quem pagou pelo voo?
Esse é um dos principais pontos da denúncia.
Segundo os documentos, Sandro Alex se deslocava entre compromissos políticos quando o helicóptero apresentou falha técnica e realizou um pouso forçado.
As notícias usadas como base para a representação não informaram a matrícula, o proprietário, o operador nem a origem do dinheiro utilizado para pagar a aeronave.
Por isso, a denúncia pede que o Tribunal identifique quem disponibilizou o helicóptero e quem arcou com os custos.
Imagens apontam semelhança com aeronave operada pela Casa Militar
A petição aponta semelhança visual entre o helicóptero utilizado no episódio e o Airbus H130 de matrícula PS-HTT, operado pelo Governo do Paraná por meio da Casa Militar.
As imagens mostram, segundo o denunciante, características semelhantes de modelo, estrutura e pintura.
Ainda assim, a própria denúncia reconhece um ponto fundamental: a comparação visual não permite afirmar que o helicóptero utilizado por Sandro Alex era o PS-HTT.
O documento trata a semelhança apenas como elemento para justificar a apuração oficial.
Dessa forma, caberá aos documentos pedidos pelo TCE esclarecer qual aeronave realizou o voo.
Denúncia quer saber se houve dinheiro público
A representação pede que o Governo do Paraná e a Casa Militar informem se o helicóptero utilizado por Sandro Alex pertence ao Estado, se o governo opera a aeronave, se houve contratação ou se recursos públicos custearam o deslocamento.
Caso exista vínculo com o poder público, o denunciante também quer acesso às autorizações, à finalidade declarada do voo, à relação de passageiros, aos registros operacionais e aos custos.
O ponto central, portanto, não se limita à propriedade do helicóptero.
A apuração também busca descobrir se o Estado pagou combustível, operação, contratação ou qualquer outra despesa ligada ao deslocamento.
Vídeos reforçam existência do voo e das agendas políticas
Depois da denúncia inicial, o advogado apresentou novos documentos ao TCE.
Um dos aditamentos trouxe vídeos publicados nos perfis de Sandro Alex e do deputado estadual Devanil Reginaldo da Silva, o Cobra Repórter, no Instagram.
Segundo a petição, os registros mostram Sandro Alex na aeronave e confirmam sua presença, na mesma data, em Rio Negro e Quitandinha. O denunciante sustenta que os vídeos reforçam a existência do voo, o itinerário e a natureza política dos compromissos.
Porém, os próprios documentos admitem que esses vídeos não identificam a matrícula nem comprovam quem era o proprietário do helicóptero.
Assim, a principal dúvida permanece: de quem era a aeronave e quem pagou a conta?
Outro registro mostra Ratinho Junior e Sandro Alex em helicóptero
A denúncia recebeu ainda outro aditamento.
O documento apresenta capturas de tela e vídeo publicado no perfil @paulinhosalto. Segundo a petição, as imagens registram a chegada e o desembarque do governador Carlos Massa Ratinho Junior (PSD) e de Sandro Alex em um helicóptero com características semelhantes às mencionadas na denúncia.
A publicação também fazia referência a nomes ligados à composição eleitoral, segundo o documento. Para o denunciante, esse material aumenta a necessidade de identificar matrícula, operador, finalidade e custeio da aeronave.
Mais uma vez, porém, o registro não comprova sozinho que se trata do mesmo helicóptero envolvido no pouso forçado de 2 de agosto.
TCE ainda não concluiu que houve irregularidade
Apesar da repercussão do caso, o processo está em fase de apuração.
O recebimento da denúncia não significa condenação, nem comprova que Sandro Alex tenha usado irregularmente uma aeronave pública.
O próprio conselheiro Maurício Requião afirmou que o Tribunal somente poderá definir a existência de eventual irregularidade após analisar as defesas e os documentos.
Agora, o processo deverá responder três perguntas objetivas: qual helicóptero transportou Sandro Alex, quem disponibilizou a aeronave e quem pagou pelo voo.
As respostas dependerão, principalmente, dos documentos exigidos pelo TCE ao candidato e ao Estado do Paraná.
O Diário de Maringá mantém espaço aberto para manifestação de Sandro Alex, do Governo do Paraná e da Casa Militar.
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