Censura ou direito de resposta? Coligação de Sandro Alex quer retificação, mas matéria continuará no ar

Censura ou direito de resposta? Coligação de Sandro Alex quer retificação, mas matéria continuará no ar


Coligação de Sandro Alex e Cinthia Genguini enviam notificação extrajudicial após reportagem sobre comunicação de campanha. O Diário corrige informação funcional apresentada em registros consultados durante a apuração, mantém a matéria no ar e cobra respostas para perguntas que continuam abertas.

A reportagem “A mesma comunicação? O limite entre a máquina de mídia do governo Ratinho e a campanha de Sandro Alex”, publicada pelo O Diário de Maringá em 12 de agosto de 2026, continuará no ar.

O motivo é simples.

A matéria não acusou a campanha de Sandro Alex de usar servidores públicos, dinheiro público ou estrutura governamental. O texto mostrou uma publicação feita nas redes sociais, registrou o que aparecia na imagem e apresentou uma série de questionamentos.



Mais do que isso, a própria reportagem deixou claro que a fotografia, isoladamente, não permitia concluir que havia qualquer irregularidade.

Agora, a coligação A Mudança Continua e Cinthia Amador Genguini enviaram uma notificação extrajudicial ao O Diário. O documento pede a retirada ou a retificação da reportagem e estabelece prazo de seis horas, sob possibilidade de medidas judiciais.

A notificação esclareceu um ponto factual. O Diário fará a correção.

No entanto, ela também atribui ao jornal uma afirmação que não aparece na reportagem original.

O que efetivamente publicamos

A reportagem nasceu de uma fotografia publicada nas redes sociais.

A imagem mostrava 25 pessoas reunidas em uma sala, com a identificação “Equipe de redes”, a frase “Prontos para o primeiro debate” e a hashtag #unidoseempaz.

A partir desse registro, O Diário perguntou qual seria o tamanho da estrutura de comunicação da campanha de Sandro Alex.

Também perguntou quantas pessoas trabalhavam naquela operação, quem pagava pelos serviços, quais empresas haviam recebido contratos e como essas despesas apareceriam na prestação de contas eleitoral.

Além disso, a matéria questionou qual era a participação de Cinthia Genguini naquela estrutura.

Nenhuma dessas perguntas apareceu como conclusão.

A reportagem registrou claramente:

“A imagem, por si só, não revela quem são todas as pessoas, quais possuem vínculo profissional com a campanha, quantas recebem remuneração ou quem arca com os custos dessa estrutura.”

Depois, fez uma ressalva ainda mais objetiva:

“O fato de ela ter publicado a fotografia não permite afirmar, sozinho, que houve uso da estrutura pública ou irregularidade eleitoral. Também não permite concluir que as pessoas que aparecem na sala sejam servidores estaduais.”

Portanto, O Diário não afirmou que aquelas pessoas eram servidores públicos.

Também não afirmou que o Governo do Paraná financiava a estrutura eleitoral.

Da mesma forma, não afirmou que houve qualquer irregularidade.

O Diário perguntou.

O que a notificação quer que O Diário publique

Esse é um dos pontos mais importantes do documento.

A proposta de nota de retificação apresentada pelos notificantes afirma que O Diário teria noticiado que “a campanha do pré-candidato Sandro Alex seria composta por servidores públicos responsáveis pela comunicação institucional do governo do estado do Paraná”.

Mas onde a reportagem afirmou isso?

Não afirmou.

Ao contrário, o texto disse expressamente que a fotografia não permitia concluir que aquelas pessoas fossem servidores estaduais.

Existe uma diferença evidente entre dizer:

“Servidores públicos integram a campanha.”

E perguntar:

“Quantos integrantes que atuaram na comunicação do Palácio Iguaçu passaram a colaborar com a campanha?”

A reportagem fez a segunda coisa.

Portanto, O Diário não pode assumir como sua uma afirmação que não publicou.

A situação de Cinthia será corrigida

A notificação apresentou documentos sobre a situação funcional de Cinthia Amador Genguini.

Na matéria original, O Diário informou que ela ocupava o cargo de diretora de Comunicação Digital da Secretaria de Estado da Comunicação do Paraná.

Os documentos entregues posteriormente indicam que essa informação já não correspondia à situação funcional de Cinthia na data da reportagem.

Segundo a própria notificação, ela deixou de exercer a função em 6 de julho e teve sua exoneração formalizada em 17 de julho de 2026.
Por isso, O Diário fará a atualização.

O correto passa a ser:

Cinthia Amador Genguini foi diretora de Comunicação Digital da SECOM e deixou o cargo antes da publicação da reportagem. Segundo a documentação apresentada posteriormente, a exoneração ocorreu em 17 de julho de 2026.

Essa correção, entretanto, não invalida todo o restante da matéria.

O Diário publicou o que encontrou nos registros consultados

Também existe outro aspecto que precisa ficar registrado.

Quando produziu a reportagem, O Diário consultou informações e documentos disponíveis naquele momento. Conforme mostra o print preservado da matéria original e das informações usadas durante a apuração, Cinthia ainda aparecia vinculada à função consultada pelo jornal.

Se uma informação oficial permaneceu desatualizada depois de uma exoneração, o jornalista que consulta aquele registro não tem como adivinhar que o próprio órgão público ainda não atualizou corretamente o dado.

A imprensa trabalha com documentos, registros públicos e informações disponíveis.

Quando surge documentação posterior que demonstra uma mudança, o procedimento correto é atualizar.

É exatamente isso que O Diário está fazendo.

Ainda assim, cabe outra pergunta:

por que a informação institucional consultada pela reportagem ainda apresentava Cinthia naquela condição?

Quem tinha a responsabilidade de atualizar o registro?

Quando essa atualização ocorreu?

Essas perguntas também são legítimas.

Corrigir um dado não significa retirar a reportagem

A situação funcional de Cinthia constitui apenas uma parte da matéria.

A fotografia continua existindo.

As 25 pessoas continuam aparecendo reunidas em uma sala identificada como “Equipe de redes”.

A publicação continua relacionada ao primeiro debate.

E as perguntas sobre a estrutura de comunicação continuam sem respostas completas.

Por isso, a matéria continuará no ar.

O Diário fará uma atualização transparente sobre a exoneração de Cinthia, mas não apagará uma reportagem inteira porque um dos registros consultados estava desatualizado.

A notificação respondeu apenas uma pergunta

Os documentos esclareceram que Cinthia já não fazia parte do quadro do Governo do Paraná na data da publicação.

Ótimo.

Essa pergunta agora tem resposta.

Mas as demais continuam abertas.

Qual é atualmente a participação de Cinthia na campanha de Sandro Alex?

Ela integra oficialmente a equipe?

Recebe remuneração?

Atua de forma voluntária?

Qual era sua função na reunião registrada na fotografia?

Quem são as outras pessoas presentes?

Quantas trabalham oficialmente na comunicação da campanha?

Quanto custa essa estrutura?

Quais empresas prestam serviços?

Quem contratou essas empresas?

Como esses gastos aparecem na prestação de contas eleitoral?

A notificação não responde a essas questões.

Questionar o Governo Ratinho não pode?

Esse continua sendo o ponto central.

A reportagem perguntou:

onde termina a comunicação institucional do Governo Ratinho Junior e onde começa a comunicação eleitoral da campanha de Sandro Alex?

Essa pergunta não acusa ninguém de cometer crime.

Também não presume irregularidade.

Ela busca esclarecer uma fronteira que precisa existir entre governo e campanha.

Se profissionais que ocuparam cargos estratégicos na comunicação estadual deixaram o governo e passaram posteriormente a trabalhar numa campanha eleitoral, isso pode ocorrer dentro da legalidade.

Mas a imprensa pode perguntar quando saíram.

Pode perguntar quem os contratou.

Pode perguntar quem paga.

Pode perguntar quantos profissionais fizeram esse movimento.

E pode perguntar se existe alguma ligação entre as duas estruturas.

Se tudo ocorreu regularmente, documentos e respostas objetivas encerram qualquer dúvida.

Por que, então, tratar perguntas jornalísticas como se fossem acusações?

A assessoria jurídica sabe a diferença entre afirmar e questionar?

A notificação é um instrumento legítimo. Qualquer pessoa ou organização pode contestar uma publicação e apresentar documentos.

O Diário também tem obrigação de corrigir erros quando surgem provas.

No entanto, a situação fica diferente quando a própria notificação atribui ao jornal uma frase que o jornal não publicou.

Por isso, cabe perguntar:

a assessoria jurídica da campanha de Sandro Alex está confundindo uma afirmação com um questionamento jornalístico?

A reportagem não escreveu que servidores públicos integravam a campanha.

Escreveu justamente que não havia elementos para afirmar isso.

Ainda assim, a nota de retificação proposta pelos notificantes diz que O Diário teria feito essa afirmação.

O texto original está disponível.

O leitor pode comparar.

Querem corrigir uma informação ou impedir as perguntas?

Outra pergunta precisa ser feita.

O objetivo da notificação limita-se a corrigir a situação funcional de Cinthia ou pretende também impedir que O Diário continue questionando a estrutura de comunicação da campanha?

Se o problema era exclusivamente o cargo de Cinthia, a documentação apresentada resolveu esse ponto.

O Diário corrige.

Mas por que as demais perguntas deveriam desaparecer?

Por que retirar uma matéria que expressamente registrou que não havia elementos para afirmar irregularidade?

Por que exigir uma retificação dizendo que o jornal acusou a campanha de algo que o texto original não acusa?

Questionar incomoda, mas faz parte do trabalho da imprensa.

Pagamento retroativo e homenagem a “padrinho” expulso por ligação ao tráfico colocam Tenente Hélio sob novos questionamento

A matéria continuará no ar

O Diário de Maringá deixa isso claro.

A reportagem não será retirada do ar.

O jornal atualizará a situação funcional de Cinthia Amador Genguini porque os documentos apresentados posteriormente demonstram que ela já não ocupava o cargo na SECOM quando a matéria foi publicada.

Ao mesmo tempo, O Diário manterá o texto, as ressalvas e os questionamentos que continuam sem resposta.

A correção de um dado não significa reconhecer uma acusação inexistente.

Também não significa apagar perguntas legítimas.

A fotografia continua existindo.

A estrutura de comunicação continua existindo.

E várias perguntas continuam sem resposta.

Portanto, O Diário continuará fazendo aquilo que cabe à imprensa:

perguntar, verificar documentos, publicar as respostas e corrigir informações quando os fatos exigirem.

CP aprova pedido de cassação de vereador

Veja a notificação

Publicamos abaixo a notificação extrajudicial recebida pelo O Diário de Maringá.

E deixamos novamente registrado: a matéria continuará no ar.

Sobre Cinthia Amador Genguini, O Diário publicou a informação encontrada nos documentos e registros consultados durante a apuração, conforme mostra o print preservado da matéria original.

Agora, diante da nova documentação apresentada, o jornal atualizará esse ponto.

As demais perguntas, entretanto, continuam aguardando respostas.

TV Diário
Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira

Perfil Profissional: Gilmar Ferreira (MTB 0011341/PR) Gilmar Ferreira consolida uma carreira multifacetada como jornalista, apresentador de programas de TV e mestre de cerimônias, unindo o rigor da investigação à fluidez da comunicação ao vivo. Com atuação destacada no Paraná e Santa Catarina, ele imprime autoridade técnica e sensibilidade humana em cada projeto que lidera. Atuação Estratégica Atual Diretor de Redação: O Diário de Maringá. Comentarista: Programa Paraná Cidadesno Canal 10.1 e RDR FM 93,3. Mestre de Cerimônias: Atuação oficial em eventos de destaque no Estado do Paraná. Experiência em Televisão Reconhecido pela presença de vídeo e condução de pautas complexas, Gilmar atuou como apresentador de programas e âncora nas seguintes emissoras: TV Maringá (Band) RIC TV Maringá (Record) Record News (Rede Mercosul) RTV 10 Maringá Trajetória no Rádio Com passagens por emissoras líderes de audiência, sua voz é referência em informação e entretenimento: Paraná: Jovem Pan FM, Metropolitana FM, Rede de Rádios, Globo FM, Rádio Colorado AM e Eden FM. Santa Catarina: Rádio Menina FM e Rádio Globo AM (Blumenau)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *