Sistema gratuito existia, mas gestão Suzie usou Educonet; agora professores relatam perda de registros
Relato encaminhado ao O Diário de Maringá afirma que professores perderam acesso aos registros do primeiro semestre de 2026 e continuam sem sistema para lançar dados do segundo semestre. Governo do Paraná mantém sistema gratuito de registro de classe para escolas municipais. Gestão de Astorga não respondeu até a publicação.
Uma denúncia recebida pelo O Diário de Maringá afirma que professores da rede municipal de ensino de Astorga perderam acesso aos registros de classe realizados durante o primeiro semestre de 2026 no sistema Educonet.
Segundo a fonte, os profissionais fizeram os registros de forma online. Depois, porém, as informações teriam desaparecido. O relato acrescenta que não existem registros anteriores em papel.
A fonte pediu anonimato. Por isso, o jornal preserva sua identidade e também omite informações que possam permitir sua identificação.
Inicialmente, o relato mencionou a educação infantil. Posteriormente, a fonte afirmou que o problema alcança toda a rede municipal.
Além disso, em mensagem enviada ao jornal em 20 de agosto de 2026, a fonte disse que os professores continuavam sem acesso a um sistema para registrar as informações do segundo semestre.
A situação também levanta um questionamento sobre a escolha do sistema utilizado pela gestão municipal. Isso porque o Governo do Paraná disponibiliza gratuitamente um sistema de registro de classe que atende escolas municipais. A informação consta nos canais oficiais da Secretaria de Estado da Educação.
O O Diário de Maringá procurou a prefeita de Astorga para obter esclarecimentos sobre os relatos. Até a publicação desta matéria, não recebemos resposta por parte da prefeita.
Professores dizem que perderam registros do primeiro semestre
Segundo a denúncia, os profissionais realizaram normalmente os registros durante o primeiro semestre.
“Registros foram feitos online, não há registros anteriores no papel”, afirmou a fonte.
Portanto, conforme o relato, os professores não conseguem simplesmente consultar documentos físicos para reconstruir as informações lançadas anteriormente.
A fonte afirma que agora existe a possibilidade de os profissionais terem de refazer esses registros.
Nesse ponto surge uma das principais preocupações relatadas: como informar presença ou ausência de uma criança em determinada data sem acesso ao registro feito originalmente?
Fonte afirma que problema atinge toda a rede municipal
A denúncia mencionou inicialmente a educação infantil. Depois, a fonte esclareceu que a situação seria mais ampla.
“Mas toda a rede municipal está com o mesmo problema”, afirmou.
O O Diário de Maringá não recebeu documentos da administração municipal confirmando ou contestando essa informação.
Até a publicação, a gestão também não respondeu aos questionamentos encaminhados pelo jornal.
Governo do Paraná oferece gratuitamente sistema de registro para escolas municipais
Um ponto importante da denúncia envolve a escolha do sistema utilizado em Astorga.
A fonte afirma que os professores utilizavam o Educonet.
Porém, existe uma alternativa pública oferecida pelo Governo do Paraná.
Segundo informações oficiais da Secretaria de Estado da Educação, o Registro de Classe On-line (RCO) permite aos professores fazer, entre outras atividades, o registro online de frequência. A página oficial informa expressamente que professores de escolas municipais estão entre aqueles que podem acessar o serviço.
O Governo do Paraná também informa que o serviço é gratuito.
Além disso, o Manual da Secretaria Escolar da Seed apresenta especificamente o Livro Registro de Classe Online Municípios (LRCOM).
Segundo o documento oficial, o sistema registra diariamente informações da vida acadêmica dos estudantes, incluindo frequência, avaliações e conteúdos estudados.
O mesmo manual informa que o Estado disponibilizou o LRCOM às instituições municipais a partir de 2020.
Saiu de Maringá carregando fuzis
GESTÃO DE ASTORGA USOU EDUCONET MESMO COM SISTEMA GRATUITO DO ESTADO DISPONÍVEL PARA ESCOLAS MUNICIPAIS
Esse fato cria uma pergunta objetiva para a administração de Astorga: por que a gestão optou pelo Educonet se o Governo do Paraná disponibiliza gratuitamente um sistema de registro de classe para escolas municipais?
A reportagem não afirma que Educonet e LRCOM possuem exatamente as mesmas funcionalidades. Também não recebeu o contrato do Educonet para comparar tecnicamente os dois sistemas.
Portanto, não é possível concluir apenas com as informações disponíveis se o sistema estadual atenderia todas as necessidades que levaram Astorga a utilizar o Educonet.
O fato confirmado pela documentação oficial é que o Estado disponibiliza gratuitamente às escolas municipais uma ferramenta destinada ao registro da vida acadêmica dos estudantes.
Fonte fala em sistema pago e cita valor próximo de R$ 1 milhão
A denúncia afirma que o Educonet seria um sistema pago.
A fonte também declarou que o custo teria ficado “em torno de R$ 1 milhão”.
Entretanto, O Diário de Maringá não recebeu contrato, empenho, nota fiscal, comprovante de pagamento ou outro documento que confirme esse valor.
Por isso, a reportagem não apresenta R$ 1 milhão como valor efetivamente contratado ou pago pela Prefeitura de Astorga.
Sem os documentos, também não é possível informar quanto a gestão contratou, quanto pagou ou quais serviços estavam incluídos.
Esses dados precisam ser esclarecidos pela administração municipal.
Registro retroativo preocupa professores
Outro ponto central envolve a eventual reconstrução dos registros do primeiro semestre.
A fonte afirma que não considera possível registrar a presença de uma criança meses depois sem conseguir consultar a informação original.
Para demonstrar a preocupação, citou como exemplo o dia 10 de abril.
“Registro de classe é um documento do aluno, eu não posso colocar presença para uma criança lá no dia 10 de abril, por exemplo”, afirmou.
Na sequência, apresentou uma situação hipotética. Segundo ela, se uma criança tivesse sofrido algum abuso naquele dia, um registro incorreto poderia indicar que o estudante estava na escola.
Na avaliação da fonte, isso poderia gerar consequências para uma eventual apuração sobre onde a criança estava naquela data.
Trata-se apenas de um exemplo apresentado pela fonte. O Diário de Maringá não recebeu relato ou documento indicando que tenha ocorrido algum caso concreto de abuso relacionado à situação denunciada.
Segundo semestre também estaria sem registros
A fonte afirma que a dificuldade continuou no segundo semestre.
Em 20 de agosto de 2026, relatou:
“E no segundo semestre continuamos sem fazer o registro de classe, porque nenhum sistema foi aberto para a gente.”
Assim, segundo a denúncia, existem dois problemas.
O primeiro envolve os registros do primeiro semestre, aos quais os professores afirmam ter perdido acesso.
O segundo envolve o semestre atual. Segundo a fonte, os profissionais continuavam sem sistema para realizar os novos registros.
A gestão municipal não respondeu se confirma ou contesta essas informações.
Professores temem ser responsabilizados
A fonte também relatou preocupação com uma eventual responsabilização dos profissionais.
“Se não realizar o registro de classe do semestre anterior, os professores vão ser culpados por não ter feito”, afirmou.
Nem todos os professores mantêm esses registros anotados em cadernos. Alguns possuem anotações próprias, enquanto muitos lançaram as informações de classe diretamente no sistema.
O jornal, porém, não recebeu documento da Prefeitura de Astorga informando que os professores sofrerão punição ou responsabilização caso não refaçam os registros.
Portanto, essa informação representa exclusivamente o temor relatado pela fonte.
A administração municipal precisa esclarecer qual orientação deu aos professores e como os profissionais devem proceder caso não consigam recuperar os registros originais.
Denúncia cita possível desvio, mas não apresenta prova
Em outra mensagem encaminhada ao jornal, a fonte afirmou acreditar que teria ocorrido desvio de dinheiro.
O Diário de Maringá não recebeu qualquer prova que sustente essa acusação.
Por isso, a reportagem não afirma que houve desvio ou qualquer outra irregularidade financeira.
Para chegar a uma conclusão dessa natureza seria necessário analisar documentos da contratação, valores empenhados, liquidações, pagamentos, notas fiscais e comprovação dos serviços prestados.
Da mesma forma, a reportagem não confirma o valor próximo de R$ 1 milhão mencionado pela fonte.
O que existe, até o momento, é uma denúncia sobre a situação dos registros escolares e um questionamento sobre a escolha do Educonet diante da existência de um sistema gratuito disponibilizado pelo Estado.
Prefeita não respondeu até a publicação
O O Diário de Maringá procurou a prefeita de Astorga para obter esclarecimentos sobre a denúncia.
A gestão precisa explicar se os registros do primeiro semestre desapareceram, se existem backups e se os dados podem ser recuperados.
Também precisa esclarecer por que, segundo a denúncia, os professores continuavam sem sistema para fazer os registros do segundo semestre em 20 de agosto de 2026.
Outro ponto envolve o Educonet. A administração precisa informar o valor da contratação, os pagamentos realizados, os serviços contratados e as razões que levaram o Município a escolher essa ferramenta diante da existência do sistema gratuito oferecido pelo Governo do Paraná às escolas municipais.
Até a publicação desta matéria, não recebemos resposta por parte da prefeita.
O espaço permanece aberto para que a administração municipal apresente sua versão e os documentos relacionados ao caso.
O que está confirmado e o que ainda precisa de resposta
A documentação oficial do Governo do Paraná confirma que existe um sistema gratuito de registro de classe disponível também para escolas municipais. A Seed também documenta a existência do LRCOM e informa que a ferramenta registra frequência, avaliações e conteúdos estudados.
Por outro lado, as informações sobre o desaparecimento dos registros em Astorga, a ausência de sistema no segundo semestre e a utilização do Educonet partem da denúncia recebida pelo jornal e ainda dependem de resposta da administração municipal.
Da mesma forma, não existe, no material apresentado ao O Diário de Maringá, comprovação do valor próximo de R$ 1 milhão ou de desvio de recursos.
Até a publicação, a prefeita de Astorga não havia respondido aos questionamentos.



