Sandro Alex promete dar continuidade ao governo Ratinho Junior, mas obras paralisadas e suspeitas de superfaturamento levantam questionamentos

Sandro Alex promete dar continuidade ao governo Ratinho Junior, mas obras paralisadas e suspeitas de superfaturamento levantam questionamentos


Auditorias e decisões do TCE-PR questionam gastos estaduais; planilha de maio de 2026 registra paralisações, mas governo reconheceu desatualização dos dados

Por Gilmar Ferreira

O Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) registrou suspeitas de superfaturamento, sobrepreço e pagamentos indevidos em obras e contratações estaduais durante a gestão do governador Carlos Massa Ratinho Junior (PSD). Os documentos expõem problemas que precisam integrar o debate sobre a continuidade defendida por Sandro Alex Cruz de Oliveira (PSD), deputado federal, ex-secretário de Infraestrutura e Logística e candidato ao Governo do Paraná.

Em publicação de 18 de setembro de 2026, o próprio site da campanha reproduziu a declaração de Sandro Alex: “Eu defendo a garantia da continuidade de Ratinho Junior”. O candidato apresentou a Ponte de Guaratuba como símbolo das entregas do grupo político.



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A promessa exige uma discussão que vá além de inaugurações. Se Sandro Alex reivindica o legado administrativo, também precisa explicar como pretende enfrentar os contratos questionados, corrigir falhas e concluir intervenções que aparecem nos registros de paralisação.

Esta apuração consultou documentos e publicações disponíveis até 3 de outubro de 2026. Cada caso, porém, tem uma data própria. Não existe, nas fontes reunidas, um total consolidado de obras superfaturadas durante toda a gestão.

Ponte de Guaratuba: auditoria questiona R$ 14,84 milhões

Uma auditoria da 5ª Inspetoria de Controle Externo do TCE-PR identificou sete achados na execução do contrato da Ponte de Guaratuba e seus acessos. Os valores classificados pela equipe técnica como superfaturamento somam aproximadamente R$ 14,84 milhões.

Os apontamentos envolvem apoio náutico, alteamento de linha de transmissão, aterro estaqueado, alargamento da ponte, contenções, demolições e descontos não aplicados aos serviços adicionados ao contrato.

O registro consta no processo 41084/26, relativo ao contrato 162/2022-DT, e no despacho 420/26, de 17 de março de 2026. O documento integra o Diário Eletrônico do Tribunal nº 3.637.

Em manifestações registradas nos autos, o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR) e o Consórcio Nova Ponte contestaram os achados. Defenderam a regularidade dos aditivos e sua compatibilidade com os riscos contratuais. O consórcio negou sobrepreço e superfaturamento.

O despacho solicitou informações antes da análise da medida cautelar. A documentação consultada não permite apresentar os apontamentos como condenação definitiva.

Ceasa, rodovia e escola também tiveram gastos questionados

Na Ceasa de Foz do Iguaçu, a fiscalização identificou R$ 37.326,33 de superfaturamento na contratação dos reparos estruturais do Pavilhão C. Segundo o registro inicial, a duplicidade na aplicação dos custos indiretos elevou os preços do contrato 046/2019. O apontamento consta no despacho 48/21, do processo 747403/20.

Em setembro de 2022, o TCE reconheceu sobrepreço e subcontratação ilegal no caso. O acórdão 1777/2022 determinou restituição de R$ 46.296,33, valor que reúne os dois problemas. A publicação oficial informou que cabia recurso. A apuração não confirmou o desfecho recursal.

Na PRC-466, entre Guarapuava e Palmeirinha, o Tribunal identificou sobrepreço na escavação e pagamentos por serviços não executados. Conforme publicação de 5 de fevereiro de 2026, o DER corrigiu os problemas durante a execução do contrato 87/2024. As medidas produziram economia de R$ 580.074,04.

Na contratação da unidade escolar Jardim dos Pássaros, em Araucária, o acórdão 1657/2026, publicado em 15 de julho, reconheceu sobrepreço relacionado à climatização e aos custos indiretos. O Tribunal julgou o processo parcialmente procedente, sem impor sanção, e expediu recomendações. A obra corresponde à concorrência 254/2024 do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar).

São situações distintas. Suspeita de superfaturamento, sobrepreço reconhecido e valores corrigidos durante a execução não representam automaticamente o mesmo tipo de dano.

Licitações rodoviárias tiveram possível sobrepreço de R$ 308,1 milhões

Em 2 de fevereiro de 2024, o TCE informou a suspensão dos editais 83/2023 e 84/2023 do DER, que abrangiam serviços de conservação rodoviária em 45 lotes.

A fiscalização apontou possível sobrepreço de R$ 308,1 milhões, relacionado aos preços de insumos asfálticos, além de outras irregularidades. Os registros constam nos processos 47775/24 e 55085/24.

Esse montante corresponde ao questionamento dos orçamentos licitatórios. Não comprova que o Estado pagou R$ 308,1 milhões indevidamente.

O alcance da fiscalização aparece também em um balanço publicado em 28 de abril de 2025. O TCE informou que examinou 29 contratações estaduais em 2024 e provocou redução de R$ 177,2 milhões nos valores máximos. O conjunto incluía indícios de sobrepreço e outras falhas. Não significa que as 29 contratações eram obras superfaturadas.

Planilha registra obras paralisadas, mas não comprova situação atual

A planilha da Secretaria das Cidades com referência em maio de 2026, vinculada ao Portal da Transparência, apresenta 13 contratos classificados como paralisados.

Entre eles estão:

  • Sede do Batalhão de Polícia de Fronteira, em Marechal Cândido Rondon;
  • Sede dos bombeiros, em Pato Branco;
  • Conselho Tutelar de Guarapuava;
  • Centro de Socioeducação, contrato CA 21/1288;
  • Centros Logísticos de Ajuda Humanitária;
  • Estacionamento e três intervenções na sede administrativa do DER;
  • Ciretran de Cambará;
  • Delegacia de Delitos de Trânsito de Curitiba.

A relação também inclui intervenções no Hospital Regional do Litoral e no Núcleo de Entomologia de Porto Rico. Esses registros retratam a classificação da planilha de maio, não uma confirmação de que todas as obras permaneciam paradas em outubro.

Em resposta publicada em 11 de junho de 2026, o governo reconheceu que a lista estava desatualizada e informou uma revisão técnica. Atribuiu grande parte das interrupções a descumprimentos das empresas contratadas.

Em manifestação separada, a Secretaria de Estado da Saúde afirmou que concluiu os reparos do Hospital Regional do Litoral, do Núcleo de Entomologia e do Hospital Adauto Botelho havia mais de três anos, após encerrar os contratos anteriores.

A desatualização impede uma contagem atual segura. Também dificulta que o cidadão saiba quais serviços terminaram, quais continuam pendentes e quanto tempo cada intervenção ficou interrompida.

Sandro Alex apresenta a continuidade como garantia de resultados. A avaliação desse projeto precisa incluir a qualidade do gasto, a fiscalização dos contratos e a transparência sobre as pendências. A Ponte de Guaratuba, citada pela campanha como símbolo de entrega, também aparece em uma auditoria que questiona R$ 14,84 milhões. As duas informações pertencem ao debate público.

TV Diário
Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira Jornalista, apresentador e mestre de cerimônias | MTB 0011341/PR Gilmar Ferreira construiu sua trajetória entre redações, estúdios de televisão, emissoras de rádio e eventos. Sua experiência reúne a apuração jornalística, a apresentação ao vivo e a condução de cerimônias, com atuação no Paraná e em Santa Catarina. Atualmente, é diretor de redação de O Diário de Maringá e atua como mestre de cerimônias em eventos no Paraná e SP. Na televisão, trabalhou como apresentador e âncora na TV Maringá (Band), RIC TV Maringá (Record), Record News (Rede Mercosul) e RTV 10 Maringá. Sua trajetória no rádio inclui passagens, no Paraná, pela Jovem Pan FM, Metropolitana FM, Rede de Rádios, Globo FM, Rádio Colorado AM e Eden FM. Em Santa Catarina, atuou na Rádio Menina FM e na Rádio Globo AM, em Blumenau. Em cada formato, Gilmar leva a experiência de quem conhece a notícia desde a apuração até o momento de comunicá-la ao público.

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