Padre diz “chega de PT”; Arquidiocese de Maringá afirma que fala não representa a instituição
Em resposta ao O Diário de Maringá, Arquidiocese esclarece que manifestação de Luiz Antônio Bento é pessoal e reafirma que a Igreja Católica não indica candidatos ou partidos.
Por Gilmar Ferreira
A Arquidiocese de Maringá afirmou, em esclarecimento ao O Diário de Maringá, que a manifestação política do padre Luiz Antônio Bento, com críticas ao Partido dos Trabalhadores (PT) e ao Supremo Tribunal Federal (STF), tem caráter pessoal. Segundo a instituição, as declarações do sacerdote não representam seu posicionamento.
A redação procurou a Arquidiocese após tomar conhecimento do vídeo em que o padre comenta as eleições de 2026. Na gravação, ele diz “chega de PT”, questiona a atuação de ministros do Supremo e pede uma mudança de rumo para o Brasil.
“A Arquidiocese de Maringá esclarece que a manifestação política realizada pelo referido sacerdote é de caráter pessoal e não representa o posicionamento institucional da Arquidiocese”, informou a instituição.
Além disso, a Arquidiocese ressaltou que a Igreja Católica não indica candidatos ou partidos políticos. A orientação, segundo o esclarecimento, é que os fiéis exerçam a cidadania de maneira consciente, responsável e livre.
Padre critica o PT e ministros do STF
No início da gravação, Luiz Antônio Bento apresenta sua fala como improvisada e pede desculpas a quem possa discordar. Em seguida, afirma que acompanha o debate eleitoral e descreve o momento como um período de medo e insegurança.
“Nós não temos mais uma segurança jurídica”, declara. Ao comentar o Supremo, sustenta que o tribunal “perdeu a sua postura”. Essas afirmações expressam a avaliação do sacerdote.
Ao mencionar a votação de domingo, 4 de outubro, o padre pede que os eleitores votem conforme a consciência. Logo depois, declara: “Chega de PT”. Na sequência, associa o partido a “20 anos de escravidão” e afirma que promessas se repetem sem chegar à população.
Embora defenda equilíbrio nas ações, o sacerdote também questiona as críticas que classificam Jair Messias Bolsonaro (PL), ex-presidente da República, como extremista. Ele compara essas críticas ao comportamento que atribui ao PT e a seus aliados.
O padre cita ainda os ministros Gilmar Ferreira Mendes, Flávio Dino de Castro e Costa e Alexandre de Moraes, do STF. Ao longo da fala, acusa integrantes da Corte de defender um partido e fazer campanha partidária. No trecho transcrito, porém, não apresenta documentos ou episódios específicos que sustentem essa acusação.
“Se você quer ser político, tira sua toga e vai ser político”, afirma.
Aborto e outras alegações aparecem na gravação
Luiz Antônio Bento também relata que visitou gabinetes de ministros durante as discussões da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 54, sobre a interrupção da gravidez de fetos anencéfalos. Ele manifesta discordância da decisão.
Em 12 de abril de 2012, o STF decidiu, por maioria, que a interrupção da gravidez nesses casos não configura crime. O julgamento tratou especificamente de fetos com anencefalia, e não de uma autorização geral para o aborto.
Na gravação, o sacerdote se declara contrário ao aborto e à esterilização de meninas. Também faz uma referência a uma suposta declaração do atual presidente sobre atendimento de crianças e questiona seu significado. Entretanto, não informa a data, a fonte ou a íntegra da declaração mencionada, o que impede verificar seu contexto a partir do vídeo.
Ao encerrar, o padre pede bênçãos para o Brasil e reconhece que poderá receber críticas por sua manifestação.
Arquidiocese defende liberdade de consciência e respeito
Na resposta encaminhada à reportagem, a Arquidiocese de Maringá enfatizou a necessidade de preservar a serenidade durante o processo eleitoral. Também afirmou que diferentes posições políticas não devem comprometer a comunhão da comunidade eclesial.
A instituição não anunciou, no esclarecimento, qualquer medida disciplinar contra o sacerdote. Sua manifestação delimita o caráter pessoal da fala e reafirma os princípios que orientam sua atuação institucional.
Confira a íntegra do esclarecimento:
A Arquidiocese de Maringá esclarece que a manifestação política realizada pelo referido sacerdote é de caráter pessoal e não representa o posicionamento institucional da Arquidiocese.
A Igreja Católica não indica candidatos ou partidos políticos, mas orienta os fiéis a exercerem sua cidadania de maneira consciente, responsável e livre, à luz dos valores do Evangelho e da busca do bem comum.
Neste momento, a Arquidiocese considera importante preservar o ambiente de serenidade e respeito próprio do processo eleitoral, reafirmando que diferentes posições políticas não devem comprometer a comunhão da comunidade eclesial.
A Arquidiocese de Maringá permanece comprometida com a paz, o diálogo, a fraternidade e o respeito à liberdade e à consciência de cada cidadão.
Arquidiocese de Maringá



