Maringá perde uma voz em Brasília; agora, Ricardo Barros terá trabalho dobrado

Maringá perde uma voz em Brasília; agora, Ricardo Barros terá trabalho dobrado


Opinião | Por Gilmar Ferreira

Maringá perdeu representatividade na Câmara dos Deputados. E não foi por uma diferença gigantesca. Luiz Nishimori (PSD) recebeu 63.347 votos e ficou na primeira suplência de seu partido. Luizão Goulart (PSD), que conquistou a última vaga da legenda, recebeu 63.480. Foram apenas 133 votos de diferença. Nishimori precisava de mais 134 votos para ultrapassá-lo.

É uma diferença pequena demais para uma cidade do tamanho e da importância econômica de Maringá ignorar.

Na própria cidade, Nishimori recebeu 7.001 votos. Maringá foi, inclusive, o município que mais contribuiu para sua votação. Ainda assim, não foi suficiente para garantir sua permanência em Brasília.



A partir de 2027, Maringá terá dois representantes diretamente ligados ao município na Câmara: Sargento Fahur (PL), reeleito com 242.643 votos, e Ricardo Barros (PP), com 94.050. Segundo levantamento publicado após a eleição, será a menor bancada federal ligada ao município desde a eleição de 2010.

Não estamos falando de um deputado sem atuação

É justamente aqui que faço minha reflexão.

Luiz Nishimori não passou esses anos em Brasília apenas ocupando uma cadeira. A própria Câmara dos Deputados registra sua atuação como titular da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural. Além disso, Nishimori coordenou a Frente Parlamentar Mista da Aquicultura e Pesca.

Portanto, quando falo de seu trabalho pelo agronegócio, pela pesca e pela aquicultura, não estou tratando de uma construção eleitoral. Há atuação parlamentar documentada nessas áreas.

E é justamente por isso que o resultado merece uma reflexão dos eleitores de Maringá e da região.

Outros candidatos buscaram votos aqui e receberam o apoio legítimo do eleitor maringaense. Faz parte da democracia. Cada cidadão tem o direito de votar em quem quiser, independentemente da cidade onde o candidato nasceu ou mantém sua principal base eleitoral.

Mas existe uma consequência prática dessa escolha: quando uma região deixa de eleger um representante que mantém atuação diretamente ligada a ela, perde uma voz na Câmara.

O voto dado a um candidato de outra região continua sendo um voto legítimo. Entretanto, depois da eleição, aquele parlamentar também terá compromissos políticos, eleitorais e regionais com sua própria base.

Será que estamos valorizando quem trabalha?

Talvez seja essa a discussão que Maringá precise fazer.

Vivemos uma época em que uma postagem agressiva, uma frase de efeito ou uma crítica nas redes sociais pode alcançar milhares de pessoas em poucas horas. Trabalho parlamentar, por outro lado, nem sempre produz o mesmo barulho.

Às vezes, parece que criticar na internet rende mais reconhecimento eleitoral do que acompanhar projetos, participar de comissões, defender setores econômicos e trabalhar durante anos por determinadas atividades.

Não estou dizendo que o eleitor deveria votar obrigatoriamente em Luiz Nishimori. O voto é individual e deve continuar sendo assim.

Estou dizendo outra coisa: 134 votos mudariam esse resultado.

Para uma cidade com o tamanho de Maringá, é um número que chama atenção.

Nishimori encerra esta eleição com 63.347 votos e como primeiro suplente do PSD. Depois de uma trajetória iniciada na Câmara em 2011, sua ausência na próxima legislatura reduz numericamente a representação diretamente ligada a Maringá.

A responsabilidade de Ricardo Barros aumenta

Nesse cenário, aumenta também a responsabilidade política dos deputados que permanecerão em Brasília.

Ricardo Barros foi reeleito com 94.050 votos, dos quais 28.146 vieram de Maringá. Ou seja, praticamente 30% de toda a votação do deputado veio de sua cidade.

Ricardo tem uma longa trajetória política e experiência em diferentes espaços do poder público. Independentemente das divergências que qualquer eleitor possa ter com ele, sua permanência na Câmara passa a ter ainda mais peso para os interesses de Maringá.

Com Nishimori fora da composição titular, haverá um parlamentar a menos da região para dividir demandas, abrir portas, buscar recursos e acompanhar projetos de interesse local.

Ricardo Barros, portanto, terá mais trabalho.

E Maringá também precisa aprender uma lição com esses 133 votos de diferença.

Eleição não serve apenas para escolher quem aparece mais, quem produz o vídeo mais compartilhado ou quem consegue dominar uma discussão nas redes sociais. Também deveria servir para avaliar trabalho, presença, resultados e capacidade de representação.

No final, 133 votos separaram Luiz Nishimori da última vaga conquistada pelo PSD.

Faltaram apenas 134 votos para ultrapassar seu colega de partido. Para Nishimori, significaram a perda de um mandato. Para Maringá, significaram uma cadeira a menos entre seus representantes mais diretamente ligados à cidade em Brasília.

E essa cadeira fará falta.

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Redação O Diário de Maringá

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