Nishimori perdeu a eleição por 133 votos, mas só em Santo Inácio perdeu 395. Quem pagou a conta pelo desgaste político de Tereza?
Editorial | Por Gilmar Ferreira
Na política, uma escolha errada de apoio pode custar caro. E o deputado federal Luiz Nishimori sentiu isso nas urnas de Santo Inácio, onde viu sua votação despencar justamente em uma eleição na qual cada voto fazia diferença.
Em 2022, Nishimori conquistou 588 votos no município e ficou em primeiro lugar entre os candidatos a deputado federal. Na eleição de 2026, recebeu apenas 193 votos e caiu para a quinta colocação. Foram 395 votos a menos, uma redução de 67,18%.
O detalhe que torna essa história ainda mais interessante é que Nishimori ficou a apenas 133 votos de conquistar uma cadeira na Câmara Federal. Ou seja, somente em Santo Inácio, perdeu quase três vezes a quantidade de votos que lhe faltou para continuar em Brasília.
E quem estava ao seu lado na cidade?
A vereadora Tereza Mota, que assumiu o apoio à candidatura de Nishimori.
O problema é que Tereza chegou ao período eleitoral carregando o desgaste de denúncias envolvendo o suposto uso irregular de carro oficial e a utilização indevida de caminhões da Prefeitura para transportar cascalho até uma fazenda de familiares.
São episódios que provocaram questionamentos sobre o uso de bens públicos e que, naturalmente, também colocaram a atuação política da vereadora sob discussão.
Diante desse cenário, fica uma pergunta: será que Nishimori avaliou corretamente a força eleitoral de quem escolheu para representá-lo em Santo Inácio?
O apoio que deveria trazer votos pode ter custado a eleição
Em 2022, Nishimori era o candidato a deputado federal mais votado de Santo Inácio. Quatro anos depois, terminou apenas em quinto lugar. Uma queda desse tamanho não pode passar despercebida, principalmente quando o candidato acaba ficando fora da Câmara por uma diferença tão pequena.
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È perfeitamente legítimo, em uma análise política, questionar se o desgaste enfrentado por ela também atingiu o candidato que decidiu apoiar.
Afinal, quem pede votos empresta ao candidato não apenas sua estrutura política, mas também sua imagem perante a população.
Quando essa imagem enfrenta questionamentos, o apoio pode deixar de ser uma vantagem e se transformar em um problema.
O fato é que, enquanto seus apoiadores permanecem nos respectivos cargos, Nishimori perdeu o mandato.
Quem assumiu o compromisso de apoiar também precisa explicar o resultado
É muito fácil aparecer ao lado de um candidato, pedir votos, tirar fotografias e demonstrar prestígio durante a campanha. Difícil é explicar o resultado quando as urnas mostram que aquele apoio não produziu o desempenho esperado.
Tereza continua vereadora. Mas Nishimori, que precisava de cada voto, não conseguiu retornar à Câmara Federal.
Talvez tenha confiado demais em suas lideranças locais. Talvez não tenha percebido que a força eleitoral de seus apoiadores já não era a mesma. E talvez tenha faltado justamente aquilo que mais importa em uma campanha: ouvir o eleitor e perceber quando uma aliança política começa a representar mais desgaste do que benefício.
O resultado de Santo Inácio deixa uma lição que vale para qualquer candidato. Nem sempre quem tem mandato tem votos para transferir. Nem sempre quem promete apoio consegue transformar essa promessa em resultado.
Luiz Nishimori perdeu 395 votos em Santo Inácio e ficou a 133 votos da eleição. A vereadora Tereza conntinua em seu cargo. Quem pagou a conta política dessa história foi Nishimori.



