Justiça Eleitoral atende pedido do Ministério Público em notícia-crime contra a vereadora Giselli Bianchini (PL)

Justiça Eleitoral atende pedido do Ministério Público em notícia-crime contra a vereadora Giselli Bianchini (PL)


Decisão atende pedido do Ministério Público Eleitoral em procedimento que apura suspeitas de calúnia e difamação eleitoral contra o vereador Luiz Neto. Justiça determinou a preservação de publicações no Instagram e requisitou imagens de sessão da Câmara de Maringá.

A Justiça Eleitoral de Maringá deferiu uma tutela de urgência em representação criminal envolvendo a vereadora Giselli Patrícia Caetano de Lima Bianchini (PL), candidata a deputada estadual nas eleições de 2026. O procedimento apura suspeitas de calúnia e difamação eleitoral contra o vereador Luiz Fernando Martins Camargo (Agir), conhecido como Luiz Neto.

A decisão atende a um pedido do Ministério Público Eleitoral (MPE), que também informou que requisitará a instauração de inquérito policial para investigar os fatos. Além disso, a Justiça determinou que a Meta, responsável pelo Instagram, preserve e forneça registros de publicações relacionadas ao episódio.

A juíza Carmen Lúcia Rodrigues Ramajo, do 7º Juízo das Garantias da 137ª Zona Eleitoral, acolheu integralmente o pedido cautelar. A magistrada também determinou que a Câmara Municipal de Maringá entregue a gravação completa e a ata oficial da sessão que deu origem à controvérsia.



A decisão tem caráter cautelar e não representa condenação ou reconhecimento definitivo da prática de crime pela parlamentar.

Entenda o conflito entre Giselli Bianchini e Luiz Neto

Segundo o relatório do Ministério Público Eleitoral, o episódio começou durante a sessão ordinária da Câmara Municipal de Maringá realizada em 10 de setembro de 2026.

Na ocasião, Luiz Neto utilizou a tribuna para participar de um debate institucional relacionado à Comissão de Educação.

Entre os dias 10 e 15 de setembro, Giselli Bianchini publicou vídeos e artes em seu perfil oficial no Instagram, @dra.giselli.bianchini. Nas publicações, a vereadora afirmou ter sofrido violência política e ameaças dentro do plenário.

Uma das postagens, registrada em ata notarial, apresentava a frase “sofri violência política dentro da Câmara Municipal” sobreposta à imagem do vereador Luiz Neto.

O parlamentar contestou integralmente as acusações. Em seguida, procurou a Justiça Eleitoral, questionando a divulgação das mensagens durante o período de propaganda eleitoral.

O caso passou, então, à análise do Ministério Público Eleitoral, que examinou a necessidade de preservar as provas digitais relacionadas às publicações.

Ministério Público pede investigação e preservação dos dados

O promotor eleitoral Edson Aparecido Cemensati, da 5ª Promotoria de Justiça de Maringá, manifestou-se favoravelmente à concessão da tutela de urgência.

Segundo o Ministério Público, havia necessidade de atuação rápida para impedir que eventuais exclusões ou alterações nas publicações comprometessem a obtenção de provas.

Por isso, o órgão solicitou que a Meta Platforms preservasse e entregasse informações relacionadas aos vídeos e às postagens investigadas, incluindo registros de data e horário, histórico de edições, métricas de alcance e dados sobre eventual impulsionamento pago.

Essas informações poderão ajudar a esclarecer o conteúdo divulgado, a extensão da circulação das mensagens e a eventual utilização de publicidade paga.

O Ministério Público também registrou que promoverá a requisição direta de instauração de inquérito policial à autoridade competente.

Portanto, a manifestação ministerial aponta para o aprofundamento da apuração, sem antecipar uma conclusão sobre a responsabilidade criminal da vereadora.

Justiça determina entrega de imagens da Câmara de Maringá

Além das informações do Instagram, a Justiça Eleitoral determinou que a Câmara Municipal de Maringá apresente a gravação audiovisual integral da sessão legislativa e a respectiva ata escrita.

O prazo estabelecido para a entrega do material é de cinco dias.

Com essas imagens, os investigadores poderão confrontar o conteúdo das publicações com o que efetivamente ocorreu durante o debate em plenário.

A juíza também determinou o sigilo dos autos para preservar as diligências e a coleta das provas.

A medida busca assegurar que os registros necessários à investigação permaneçam disponíveis durante o procedimento.

O que prevê a legislação eleitoral para calúnia e difamação?

O Código Eleitoral estabelece punições distintas para calúnia e difamação praticadas nas circunstâncias previstas na legislação.

O artigo 324 prevê pena de detenção de seis meses a dois anos, além de pagamento de 10 a 40 dias-multa, para a prática de calúnia eleitoral.

Já o artigo 325 estabelece pena de detenção de três meses a um ano, além de pagamento de 5 a 30 dias-multa, para difamação eleitoral.

O artigo 327 também prevê hipóteses de aumento das penas, inclusive em situações que envolvem redes sociais ou determinadas condições relacionadas à vítima.

Entretanto, a aplicação dessas disposições depende da análise dos fatos, do enquadramento jurídico e da comprovação dos requisitos de cada infração.

No caso envolvendo Giselli Bianchini e Luiz Neto, a investigação deverá esclarecer se as publicações configuram algum ilícito eleitoral.

Decisão não representa condenação da vereadora

Embora a Justiça tenha acolhido integralmente a tutela de urgência, o procedimento permanece na fase de apuração.

A preservação dos registros digitais, a obtenção das imagens da Câmara e a eventual instauração de inquérito policial são medidas destinadas à investigação.

Assim, não é possível afirmar, neste momento, que a vereadora tenha cometido os crimes investigados.

TV Diário
Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira Jornalista, apresentador e mestre de cerimônias | MTB 0011341/PR Gilmar Ferreira construiu sua trajetória entre redações, estúdios de televisão, emissoras de rádio e eventos. Sua experiência reúne a apuração jornalística, a apresentação ao vivo e a condução de cerimônias, com atuação no Paraná e em Santa Catarina. Atualmente, é diretor de redação de O Diário de Maringá e atua como mestre de cerimônias em eventos no Paraná e SP. Na televisão, trabalhou como apresentador e âncora na TV Maringá (Band), RIC TV Maringá (Record), Record News (Rede Mercosul) e RTV 10 Maringá. Sua trajetória no rádio inclui passagens, no Paraná, pela Jovem Pan FM, Metropolitana FM, Rede de Rádios, Globo FM, Rádio Colorado AM e Eden FM. Em Santa Catarina, atuou na Rádio Menina FM e na Rádio Globo AM, em Blumenau. Em cada formato, Gilmar leva a experiência de quem conhece a notícia desde a apuração até o momento de comunicá-la ao público.

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