Leitura em família transforma o futuro cognitivo das crianças
Leitura em família transforma o futuro cognitivo das crianças
Confira quatro sugestões da Lado A Gestão Editorial para o mês das crianças

Em um mundo cada vez mais dominado pelas telas digitais e pelo imediatismo, um hábito clássico e analógico tem se mostrado a ferramenta mais poderosa para o desenvolvimento infantil: a leitura em família.
Longe de ser apenas uma atividade escolar antecipada, o ato de abrir um livro ao lado dos filhos na educação infantil transforma o aprendizado em um profundo momento de conexão. Especialistas apontam que essa prática simples é capaz de moldar não apenas a capacidade cognitiva, mas também a estrutura emocional das crianças para o resto da vida.
Mais do que decodificar palavras, a leitura compartilhada funciona como uma verdadeira “academia para o cérebro” dos pequenos, trazendo benefícios que a tecnologia dificilmente consegue replicar de forma tão integral:
· O fortalecimento do vínculo afetivo: No momento da história, os pais oferecem algo raro na rotina moderna: atenção exclusiva, toque e acolhimento, gerando memórias afetivas duradouras.
· Expansão do vocabulário: Muito antes de aprender a ler formalmente, a criança que ouve histórias entra em contato com estruturas gramaticais ricas e palavras novas, o que acelera a oralidade e a desenvoltura na fala.
· Estímulo à criatividade sem limites: Ao contrário dos vídeos prontos da internet, as narrativas dos livros exigem que a criança construa os cenários, cores e personagens dentro da própria mente, expandindo a imaginação de forma ativa.
· O poder do exemplo positivo: O comportamento dos pais educa mais que as palavras. Quando o pequeno vê os adultos manuseando e se divertindo com um livro, ele naturalmente passa a enxergar a leitura como um hábito prazeroso e importante, e não como uma obrigação maçante.
Hábito diário e prazeroso
Muitos pais enfrentam dificuldades para prender a atenção dos filhos ou encontrar tempo na rotina, mas os pedagogos e especialistas na área da psicologia infantil garantem que o segredo não está na quantidade de horas, mas sim na constância e na qualidade do momento.
Para construir uma rotina de sucesso, o primeiro passo é estabelecer a leitura como um ritual diário. Reservar de 10 a 15 minutos antes de dormir, por exemplo, ajuda a desacelerar a mente da criança e cria uma previsibilidade reconfortante. Além disso, a participação deve ser ativa e lúdica: brincar com os tons de voz, imitar os sons dos animais e fazer perguntas provocativas sobre o que vai acontecer na próxima página mantém o interesse do pequeno em alta. Por fim, dar autonomia e permitir a escolha conjunta do livro faz com que a criança se sinta parte do processo, aumentando drasticamente o seu engajamento com o universo literário.
Ao fechar um livro após uma sessão de leitura, os pais não estão apenas encerrando uma história; estão abrindo as portas para um futuro de adultos mais empáticos, criativos e intelectualmente preparados.
Pensando nisso e também com o objetivo de auxiliar as famílias cujas crianças possuem algum desafio de neurodesenvolvimento e aprendizagem, a Lado A Editorial separou quatro sugestões de leitura para outubro, o mês dedicado às crianças.
“Rick – Um livro sobre habilidades sociais” (40 págs., R$ 65, Ed. Lado A):
A narrativa – ludicamente ilustrada por Jéssyka Gomes – conta a história de um passarinho que embarca em uma incrível jornada pela floresta das emoções. Com aventuras e descobertas, o personagem central e seus novos amigos vão aprender lições para toda vida. Fábula infantil, ensina às crianças diferentes conceitos de empatia, comunicação, coragem e outras competências socioemocionais. A obra foi escrita por 18 psicólogas, que trabalharam em coautoria e sob a coordenação da terapeuta familiar, Fabiana Canda.
“Olivia – Um livro sobre autismo e empatia” (40 págs., R$ 65, Ed. Lado A):
Apresenta um olhar sensível e empático sobre as pessoas autistas e surgiu a partir da necessidade de dar voz à diversidade autística, especialmente no olhar das meninas. É uma obra que une ciência, sensibilidade e representatividade, mostrando que cada pessoa no espectro é única. Olivia, a corujinha que aparece na capa, representa todas as crianças no espectro. A obra foi desenvolvida por 20 autores, especialistas em Transtorno do Espectro Autista (TEA) sob a coordenação da psicóloga Lara Frasson.
“Senta, Davi!! – Um livro sobre transtornos do neurodesenvolvimento e aprendizagem” (44 págs., R$ 65, Ed. Lado A):
A obra utiliza a trajetória de um menino curioso, intenso e cheio de perguntas para apresentar estratégias e mediações essenciais diante dos desafios de aprendizagem e do neurodesenvolvimento no cotidiano escolar e familiar. Amplia o diálogo sobre inclusão, além de exercitar a escuta atenta e o acolhimento, respeitando as singularidades e a importância de compreender antes de rotular. A estrutura da obra facilita a conexão com o conteúdo e possibilita reflexões sobre os diferentes transtornos do neurodesenvolvimento e aprendizagem. Escrito de forma colaborativa por 20 especialistas foi coordenado pela psicopedagoga Alessandra Porto Schiessel.
“Bella – Uma história sobre autoconhecimento e autorregulação” (44 págs, R$65, Ed. Lado A):
Entre descobertas, sentimentos e aprendizados, Bella – uma jovem cisne curiosa – convida as crianças a conhecerem melhor a si mesmas e a encontrarem novas formas de lidar com suas emoções e com o mundo ao seu redor. Uma história que aproxima o autoconhecimento e a autorregulação do universo infantil, partindo de um propósito especial: toda criança merece espaço para descobrir quem é, compreender o que sente e aprender a cuidar de si. Uma coautoria sob a coordenação da terapeuta familiar, Fabiana Canda.
Para André Greca, editor da Lado A Editorial, os livros preenchem uma lacuna importante no mercado editorial brasileiro por tratar temas complexos com ludicidade e por oferecerem suporte real a pais e educadores. “Quando compreendemos as diferenças, deixamos de exigir que a criança se encaixe e começamos a construir um mundo em que ela se sinta verdadeiramente pertencente”, enfatiza Greca.
Crédito de imagens: Editora Lado A



