E-mails obtidos pela PF indicam ligação de Flávio Bolsonaro com conta associada a advogado investigado por lavagem de dinheiro do INSS

E-mails obtidos pela PF indicam ligação de Flávio Bolsonaro com conta associada a advogado investigado por lavagem de dinheiro do INSS


Reportagem do UOL revela mensagens bancárias, viagens em jatos executivos e relações financeiras sob investigação da Polícia Federal. Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz negam qualquer irregularidade.

Uma reportagem publicada neste sábado, 10 de outubro de 2026, pelo UOL, assinada pelos jornalistas Fabio Serapião e Natália Portinari, revela que e-mails obtidos pela Polícia Federal (PF) indicam que o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) tinha uma conta bancária vinculada ao mesmo usuário administrador associado ao advogado Willer Tomaz, investigado por suspeita de lavagem de dinheiro no esquema de descontos indevidos de aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Os documentos fazem parte da Operação Sem Desconto, que investiga desvios de até R$ 6,3 bilhões por meio de cobranças associativas indevidas contra aposentados e pensionistas.

Segundo o UOL, os registros levantam suspeitas sobre a relação financeira entre o senador e o advogado. Entretanto, ambos negam que tenham compartilhado uma conta ou mantido negócios em conjunto.



UOL Notícias

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E-mail enviado ao Santander menciona Flávio Bolsonaro

A Polícia Federal encontrou mensagens eletrônicas armazenadas em uma conta do iCloud vinculada a Willer Tomaz. Entre os documentos, os investigadores identificaram uma troca de e-mails entre o escritório do advogado e o banco Santander.

Em 22 de maio de 2025, Fayla Zulmira Menezes, funcionária de Tomaz, solicitou ao banco a retirada de uma conta identificada com o nome de Flávio Bolsonaro do cadastro de usuário administrador ligado ao advogado.

Na mesma data, o Santander confirmou a exclusão do vínculo.

Conforme a reportagem, a conta estava associada ao mesmo contato de usuário principal utilizado pelo escritório de Tomaz em operações relacionadas à Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal.

O Santander permite que contas empresariais tenham usuários com diferentes níveis de acesso. O chamado usuário master possui autorização para executar operações e administrar permissões.

A PF considera necessário aprofundar a apuração para esclarecer a natureza desse vínculo e identificar eventuais movimentações financeiras.

Os e-mails, por si só, não demonstram que Flávio Bolsonaro tenha recebido recursos desviados do INSS.

Empresas do advogado pagaram viagens de Flávio Bolsonaro e familiares

A investigação também identificou viagens internacionais do senador e de familiares em aeronaves cujos voos tiveram custos assumidos por empresas ligadas a Willer Tomaz.

De acordo com o UOL, a Alcazar Holdings e a Cathedral Holdings, ambas estabelecidas em Portugal, custearam deslocamentos em jatos executivos realizados em 2024 e 2025.

Em janeiro de 2025, Flávio Bolsonaro, sua esposa, duas filhas e Willer Tomaz viajaram de Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, para Brasília em um avião Legacy 650.

O advogado declarou que utilizou horas de voo correspondentes à sua participação na aeronave e que os passageiros eram convidados.

Outra empresa com participação no avião era a Prime You, que teve entre seus sócios Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Além disso, a investigação identificou viagens entre cidades europeias, incluindo Lisboa, Nice e Paris.

Segundo a reportagem, Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz mantêm uma relação de amizade. O senador também utilizou um apartamento do advogado em São Paulo durante a campanha presidencial de 2026.

Polícia Federal investiga possível estrutura financeira

Willer Tomaz entrou na investigação da Operação Sem Desconto por sua ligação com o senador Weverton Rocha (PDT-MA), também investigado.

A Polícia Federal suspeita que empresas e escritórios ligados ao advogado tenham funcionado como uma estrutura de apoio financeiro, patrimonial e logístico a pessoas investigadas.

No caso de Flávio Bolsonaro, os investigadores analisam a associação bancária identificada nos e-mails, as viagens custeadas por empresas de Tomaz e a proximidade entre os dois.

Segundo o UOL, esses elementos sustentam uma linha de investigação sobre a possibilidade de o senador ter sido beneficiário dessa estrutura.

Até o momento, as informações apresentadas na reportagem não comprovam participação de Flávio Bolsonaro nos desvios de aposentadorias.

Administradora do escritório de Flávio tem irmão investigado

A reportagem também aponta outra conexão envolvendo pessoas relacionadas à investigação do INSS.

A Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia, localizada em Brasília, tem como administradora Letícia Caetano dos Reis, segundo registros da Receita Federal citados pelo UOL.

O irmão dela, Alexandre Caetano dos Reis, foi preso durante a operação que apura os desvios do INSS.

Alexandre prestava serviços de contabilidade a Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS e apontado pelos investigadores como um dos principais operadores financeiros do esquema.

Em entrevista concedida à Agência Pública em 2022, Letícia afirmou que conheceu Flávio Bolsonaro por intermédio de Willer Tomaz.

O vínculo familiar e profissional mencionado na reportagem não constitui, isoladamente, prova de envolvimento do senador nas irregularidades investigadas.

Flávio Bolsonaro nega relação financeira e critica reportagem

Em manifestação encaminhada ao UOL, a assessoria de Flávio Bolsonaro negou que o senador tenha mantido conta bancária sob administração de Willer Tomaz ou de suas empresas.

A defesa também rejeitou a informação sobre a suposta criação de um usuário no sistema Rede Loto.

Segundo a assessoria, as alegações surgiram durante a campanha eleitoral com o objetivo de prejudicar o candidato. A equipe do senador classificou as informações como falsas e afirmou que poderá buscar responsabilização criminal pela divulgação de notícias que considera inverídicas.

Willer Tomaz afirma que mantém apenas amizade com o senador

O advogado Willer Tomaz também contestou as informações divulgadas.

Em nota ao UOL, declarou que a conta bancária mencionada nunca lhe pertenceu e que não criou qualquer usuário em nome de Flávio Bolsonaro.

Tomaz afirmou que mantém apenas uma relação de amizade com o senador, sem vínculos comerciais ou financeiros.

O advogado também questionou a interpretação dos documentos e informou que poderá adotar medidas judiciais contra acusações que considera falsas.

Investigação ainda precisa esclarecer movimentações

A reportagem do UOL apresenta documentos que levaram a Polícia Federal a examinar possíveis conexões financeiras entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz.

A existência de um vínculo administrativo bancário, as viagens em aeronaves custeadas por empresas do advogado e a proximidade pessoal são elementos citados na investigação.

Entretanto, ainda é necessário esclarecer se houve movimentações financeiras entre as partes, qual era a finalidade do cadastro bancário e se alguma operação possui relação com os recursos investigados na Operação Sem Desconto.

Fonte: Reportagem de Fabio Serapião e Natália Portinari, publicada pelo UOL em 10 de outubro de 2026, às 5h30.

Leia a reportagem original no UOL.

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Redação O Diário de Maringá

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